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Minha Terra (resumão 2006)

Você precisa conhecer a minha terra…

Na minha terra tem gente com o pé torcido ou com os pneus e rodas do carro danificados pelos “Buracossaulos Rex” de plantão, que por mais que o monstro “Tapa-buracos” tente, não consegue exterminar. Mas na beira do rio e nas ruas centrais, onde é possível encontrar uma senhora maltrapilha e abandonada esvaziando sua bexiga no banco de um ponto de ônibus qualquer, comendo uma deliciosa bolacha recheada, não é possível encontrar esses Buracossaulos maldosos e desumanos que gostam de destruir os mais pobres dos bairros…

Na minha terra, existe um bêbado que tem o direito, igual ao conveniado, de ser atendido no pronto-socorro, antes de qualquer outra emergência, e ao sair de lá dirige-se para a delegacia retirar queixa de seu próprio desaparecimento… Queixa também é o que faz a menina de dezessete anos, com uma criança nos braços, ao PROCON, sobre um aparelho de som temperamental que só funciona na loja. Talvez ele tenha algo contra sua casa…

Na minha terra tem uma escola com nome de tribo de índio, que recebe um escritor iniciante com honras de artista, reconhecendo a beleza e a importância da Literatura na vida das pessoas…

Tem outra escola chamada “Esperança”, que ajuda os mais humildes e desesperados, num bairro esquecido, sendo obrigada a fazer o trabalho que, na verdade seria das autoridades eleitas com fala bonita e enganosa…

No mesmo bairro, encontramos uma escola de primeiro mundo, da cor de um pimentão gigante, cuja equipe faz “das tripas o coração”, para mantê-la em quase perfeito funcionamento, e igual a todas as outras do oeste, é obrigada a cumprir os duzentos dias “letivos”, mesmo que para isso tenha que celebrar a ceia de Natal na sala de aula, enquanto lá embaixo, pertinho do mar, a educação pára na temporada de verão…

Na minha terra, descobre-se, quase no final do ano, que existem contratados demais na educação e na saúde pública, e que os efetivos devem voltar ao trabalho, deixando os temporários na rua da amargura (Aliás, será que a rua da amargura já foi restaurada?… Se fica no centro, creio que sim!…) Tem profissionais da saúde, que deixam o dente do João dos Sonhos Azuis, com duas cores diferentes, por conta da “restauração perfeita” , fazendo greve para não cumprir horário (Justiça seja feita: é desgastante lidar com o povo, principalmente quando a consulta não é supervalorizada…)

Na minha terra tem fazendeiro maluco que pede DNA de bezerro, filho de vaca que fugiu de casa, para certificar-se de que o filhote é seu mesmo… Tem outro maluco e lesado (Certamente usa colete, afinal, todo anormal usa colete…), que destrói uma árvore, sem dó nem piedade, para proteger seu muro que acaba caindo também… Tem outro anormal, de colete vermelho, que coloca um esqueleto no carro e sai passear pelas ruas “bem bicudo” acenando e assustando o povo…

Por fim, na minha terra pode-se ver, pela televisão, o enforcamento de um ditador, com imagens gravadas de um telefone celular (perfeita união do arcaico com o moderno)… Além disso, tem um projeto de escritor desequilibrado, usuário de colete, que escreve “atraZado” com “Z” e ainda reclama dizendo que “herar é omano”, desta forma, tentando, no auge de sua loucura, defender e respeitar as diferenças linguísticas da minha amada e querida terra.

Você precisa conhecer a minha terra… Seja bem vindo!

Márcio Roberto Goes
Seu conterrâneo

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