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Meu Ano Letivo

Meu ano letivo começou, como sempre, cheio de esperanças, temores e surpresas. Reencontrei professores e alunos, encontrei novos estudantes ingressantes no ensino médio, igualmente cheios de esperanças, e principalmente, temores.

Já no início das aulas que começaram com duas semanas de atraso na rede estadual, conheci uma figura fenomenal em forma de aluna, que para ler diariamente vencia um grande obstáculo criado por sua mãe que não a deixava permanecer com a luz do quarto acesa por muito tempo, obrigando-a a fazer sua leitura iluminada pela luz de neon do celular.

Da mesma forma que nos anos anteriores, reforcei as boas e grandes amizades do ano passado e fiz novos, grandes e bons amigos entre professores e estudantes, principalmente de ensino médio, que é a minha grande paixão de educador, fazendo crescer ainda mais meu amor pela educação pública, sobretudo na escola Wanda Krieger Gomes, onde sou professor efetivo, com muita alegria.

No meu ano letivo, vivi maravilhosas experiências: certo dia, entro na sala-de-aula e me surpreendo com algumas alunas que grudaram na parede, letra a letra, as seguintes palavras: “Não faça de sua vida um rascunho, pois pode não dar tempo de passar a limpo.” E olha que por pouco eu não impedi esta traquinagem que deu uma lição de moral em todos aqueles que se acham no direito de riscar as paredes da escola com palavras obscenas e deselegantes.

Presenciei trabalhos e projetos maravilhosos, como o trava-línguas, o JIWA (jogos internos Wanda Krieger), além do Encontro Marcado com o escritor catarinense Amilcar Neves, onde nossos alunos provaram ser muito mais civilizados do que pensa grande parte da população.

No meio do ano, lamentavelmente, perdemos uma aluna que teve sua vida terrena abreviada aos catorze anos, vítima da diabete… quase no fim do ano, um de nossos melhores alunos do noturno perde três dedos da mão direita: uma mutilação perfeitamente evitável, vítima do capitalismo selvagem e do descaso das grandes empresas com a segurança dos trabalhadores de “chão de fábrica”, expostos, constantemente a todas as situações de risco dentro de uma indústria, sem ter ao menos o direito à parte justa que lhes

cabe por aquilo que suas mãos calejadas produzem para “engordar” o bolso de seus patrões.

Neste ano letivo, fui eleito regente de uma turma concluinte do ensino médio, fato que me deixou surpreso inicialmente, mas rendeu-me inúmeras alegrias e vai deixar, com certeza, muitas saudades… Saudades também senti ao visitar duas escolas da minha vida, para debater sobre a importância da leitura e da produção de texto na vida de estudantes de ensino médio, com ênfase no conto e na crônica. Uma delas, talvez tenha visitado pela última vez, já que será demolida e substituída por mais uma “casca modelo” da descentralização pintada de verde.

Meu ano letivo está quase no fim, porém o conhecimento não se limita apenas em duzentos dias bem ou mal trabalhados durante um ano. Uma vez educador, sempre educador…

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