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Mataram mais um irmão

Um sacerdote, servo de Deus… Mas poderia não ser necessariamente um padre, poderia ser um empresário, um trabalhador, um professor, um jovem, idoso negro, branco, pardo, vermelho, amarelo… Poderia ser eu, ou você… Não importa, o que importa realmente é que trata-se de uma vida humana abreviada por causa da crueldade, da marginalidade, espelho de uma sociedade desigual, de um ser humano egoísta e frustrado que, em nome de seu bem-estar momentâneo, aperta o gatilho quatro vezes em direção a uma pessoa indefesa, por estar de costas…

“Mas o que um padre fazia àquelas horas da noite na rua?” – Perguntava alguém num comentário publicado abaixo da notícia fatídica no site caçador on line… Que pena! Além de tudo ainda existem pessoas que se acham no direito de administrar os horários e a vida de seus semelhantes, esquecendo-se de que o fato em questão é o assassinato cruel de uma pessoa, independente de sua profissão, visão filosófica e política ou dos seus horários. Nada justifica um assassinato, nem mesmo o fato de um padre estar retornando de um jantar depois da meia noite… Não nos cabe agora julgar suas intenções… No entanto, penso que, ninguém tem boas intenções com uma arma na mão fazendo um sacerdote de refém, culminando com a morte da vítima…

Era um padre, muito quisto na sua comunidade. Poderia ser um pastor, um monge, um rabino… Ou nem precisava ser uma liderança religiosa… Mas tinha uma vida, uma família, pais e irmãos que agora choram sua falta, não só pela falta em si, mas pela forma com que se desencadeou… Tinha uma comunidade, uma paróquia cheia de fiéis que esperavam dele uma palavra amiga de conforto e esperança… Mas poderia não ser assim, poderia ser apenas mais um no meio da multidão, alguém anônimo que ficava lá no banco da Igreja bebendo da fonte… Ou ainda, poderia ser um católico “sapecado”, destes que só aparecem na Igreja para eventos sociais, como casamentos e batizados, convencionalmente chamados de não-praticantes…

Era um religioso, mas poderia ser um descrente, ateu, agnóstico, ou qualquer outro tipo de crença e descrença… Não importa… Agora não… Digamos apenas que era um ser humano, nosso semelhante… Para os cristãos, imagem e semelhança de Deus, vítima de um crime não contra um padre, mas contra toda uma Igreja, contra os direitos humanos, contra a dignidade, contra toda uma sociedade, praticado por alguém que também faz parte dela…

Um sacerdote, servo de Deus, agora está mais perto de seu criador. Não sente mais dor, angústia, raiva, medo, pavor, indignação… Todos estes sentimentos ficaram conosco, que continuamos nesta vida humana, terrena e desumana…

 

 

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Jornal Informe – O diário Regional

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