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Manobras

Transitava eu pela cidade com minha viatura oficial, tranquilamente… É verdade que não sou um exímio manobrista, mas me viro bem no trânsito de Caçador.

Pois bem. Precisei estacionar, mas a vaga cabia minha joaninha e mais dois dedos de folga… Vamos lá: pensei comigo… É hora de mostrar o que aprendi na autoescola… De vagar, alinha o carro ao lado com o banco traseiro, retrovisor direito refletindo o carro de trás, marcha a ré… Não deu… Nova tentativa… Gangorra nos pedais, gangorra na manobra, Ford Ka dançando no acostamento…

Neste momento de angústia na vida deste que vos escreve, aparece um anjo… Uma moça, jovem, bonita, aparentando seus vinte anos… Se aproxima, a pé, aponta o controle para o carro de trás, desliga o alarme, entra no veículo e dá uma ré, distanciando para que eu tivesse espaço o suficiente para manobrar…

Finalmente consegui estacionar minha viatura… A moça passou por mim, novamente, dei um toque na buzina para que me percebesse e agradeci… Ela, por sua vez, deu um sorriso como quem diz: Não há de quê!… Meu agradecimento foi de cortação, sem maldade.. Em nenhum momento me senti diminuído, ou menos homem por isso. Pelo contrário, agradeci a Deus pela generosidade daquele ser humano…

Do outro lado da rua, um carrão, modelo 2019, possivelmente automático, cheio daqueles opcionais próprios dos ricos, ou dos pobres que contraem dívidas altíssimas para parecerem ricos… O vidro abaixa aparecendo um “cabeça de amendoim”, do sexo masculino, daqueles que precisam provar constantemente sua macheza… Uma criatura que nunca havia visto… Olha para mim e grita de forma que, se a rua estivesse cheia de gente, todos ouviriam: Que vergonha! Perdendo para uma mulher!…

Amigo, cidadão desconhecido. No momento não pude lhe responder, pois fiquei admirado com tamanha ignorância, além do mais, você gritou e saiu cantando pneus… Mas, se estiver lendo isso saiba que aqui vai a resposta:

Não perdi para uma mulher, pois ela não era minha concorrente naquela ocasião, caso fosse, não me ajudaria… Quem perdeu, foi você… Perdeu a moral ao xingar um desconhecido, de graça, revelando o quanto é machista…

Infelizmente, a maioria dos homens, e até algumas mulheres, pensam da mesma forma que meu amigo cérebro de amendoim… Infelizmente, a maioria dos seres humanos precisa humilhar seu semelhante para se sentir melhor… Tenho certeza que, tanto a moça, quanto eu, saímos desta situação muito mais felizes do que nosso manobrista do outro lado da rua… Ela por fazer o que era possível para facilitar minha manobra e eu por ter o privilégio de poder, por alguns segundos, estar próximo de tamanha generosidade…

Ainda tem gente boa neste mundo. Quando à atitude do senhor motorista do outro lado da rua, não tenho outro diagnóstico que não seja: Machismo agudo…

Dois desconhecidos… Duas lições diferentes na mesma crônica…

Márcio Roberto Goes

wwww.radiomartelo.com

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