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Lua e Sol

(Para Bruna Tainara Bialeski)

Ele é o astro-rei, brilha soberano todos os dias. A natureza o recebe em festa, com cacarejos, trinidos e tantos outros sons divinos que só a criação pode produzir…

Ela é o satélite natural deste asteroide pequeno e medíocre, habitado por seres humanos que se desumanizam a cada dia, chamado Terra…

Ele, de quinta grandeza, porém parece muito maior, por ser a estrela mais próxima do planetinha azul dos homo sapiens…

Ela, infinitamente menor que o astro-rei, mas aos olhos dos habitantes da Terra, equivalem-se na grandeza, na beleza e nas emoções…

Ambos, cientificamente desproporcionais, mas do ponto de vista dos terráqueos, têm as mesmas proporções. Não importa o volume, não importa a luz. O que importa é que, mesmo separados pelo planeta azul, um reflete os raios do outro…

Ela, pequenina, branca, suspensa na escuridão, a cada noite é vista de forma diferente. Regula as plantações, as colheitas, as marés… Versátil, andarilha, surpreendente, capaz de dar a volta ao mundo constantemente sem se cansar…

Ele, de brilho inconfundível e incomparável, projeta as luzes que dão origem às cores, produz oxigênio com ajuda dos verdes da vida: a fotossíntese… Estático, toda a galáxia gira ao seu redor. É o centro das atenções. Nove planetas prestam culto em ciranda pelo universo. Talvez oito, um foi rebaixado…

Ambos esperam ansiosamente os momentos de encontro eclipsal, raríssimos… Mas quando ocorrem, apagam-se para o resto do mundo: Ele só tem luz para ela… Ela só tem reflexos para ele…

Ele é festejado e homenageado pelo galo, ao amanhecer… Capaz de nascer e se pôr todos os dias, só para poder presenciar, novamente o espetáculo da natureza em sua homenagem… Os apaixonados contemplam seu deitar vagaroso no horizonte, parecendo despedir-se temporariamente, num bocejo infinito, a fim de que os sonhadores sonhem com seu retorno…

Ela é idolatrada pelos lobos e cães apaixonados, uivantes de amor, perdidos nos seus sentimentos que os tornam quase humanos… Imponente, de beleza rara. Parece sorrir mostrando as covinhas para cada manifestação de amor dos habitantes do mundo dos sonhos…

Ele no auge de sua exposição, não se permite ser contemplado… Seu brilho excessivo confunde os olhos, ofusca os pensamentos, embaralha as cores, queima, desconforta, enfebra, insola, danifica a fragilidade humana…

Ela, sem problemas… Expõe-se a todos, pelo tempo que quiser… É contemplada, amada… Não danifica, não desconforta… Sua ausência torna a noite muito mais escura, aterrorizante, opaca…

Quando chove, ambos desaparecem… Devem estar dormindo de conchinha…

Mas ele precisa dela para ser refletido na escuridão… Ela precisa dele para ter luz… Ele ama necessitar dela… Ela ama depender dele…

Ele brilha… Ela gira… Ele procura… Ela busca… Ele espera ela… Ela espera ele… Ele se apaga para que ela apareça… Ela desaparece para que ele dê origem a um novo dia…

Nesta ciranda, buscam a perfeição… Ele, sem ela, torna-se irrefletido, desfocado… Ela, sem ele, incompleta…

Um não vive sem o outro… Um reflete o outro…

Ambos se completam!

Ambos se amam!

MárcioRobertoGoes

www.marciogoes.com.br

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