Aperte "Enter" para pular para o conteúdo

Líquido Precioso

Líquido Precioso

Publicado em:
09/05/2008 – www.cacador.net
10/05/2008 – JORNAL INFORME

No início desta semana, cheguei em casa para o almoço que consistia num simples “requento” de ontem, assoviando uma canção qualquer, não me recordo se era do Roberto Carlos, Chitãozinho e Chororó, ou do Jota Quest (sou um sujeito eclético), quando abro a torneira para lavar as mãos… Eis a desagradabilíssima surpresa: Dali, não saía nada mais que vento…. Só vento… Xinguei aquela torneira e a CASAN, fazendo uso de todas as palavras desagradáveis que se tem conhecimento (ainda bem que a torneira não tem ouvidos), mas me virei com a água que ainda tinha nas chaleiras… Quem mandou não investir numa caixa d’água: meu problema estaria resolvido e talvez eu nem teria percebido que havia faltado água na minha rua.

À tarde, voltei para minha residência oficial de outono, inverno, primavera e verão, com a cabeça que era só tomar banho, a fim de renovar o “cheiro” e as forças para as cinco aulas que eu teria ainda que ministrar à noite, porém, meu chuveiro me deu a mesma resposta desaforada da torneira, parecendo rir de minha “desgraça” e ouviu os mesmos adjetivos desagradáveis proferidos pela minha pessoa que no momento esqueceu-se da cultura e da educação penosamente ensinada por meus pais…

Na mesma hora ocorreu-me a idéia de ligar para o plantão da CASAN, com o intuito de esclarecer o que estava acontecendo: Lá fui eu, cego de cólera, rumo ao telefone, com cinco pedras em cada mão, preparado para o ataque, afinal a Companhia Catarinense de Águas e Saneamento era a responsável pelo fracasso do meu almoço e a minha falta de higiene naquele dia, devendo ser penalizada por isso… Ou seja, como qualquer ser humano, procurei logo um culpado para meu dia frustrante.

“Caí do cavalo” quando o atendente de plantão usou da maior boa educação para me explicar o seguinte: Havia um problema nos reservatórios de água (não me pergunte exatamente qual, porque eu não saberia explicar), de modo que o abastecimento de água de nossa cidade estava funcionando, arriscadamente, com apenas vinte por cento da capacidade normal, e para que não houvesse uma pane geral (uma espécie de apagão da água), era necessário um revezamento, de modo que a cada dia uma região da cidade precisava ficar sem água para que o restante da população pudesse ser contemplada com o líquido precioso… Ou seja, para garantir o abastecimento, era necessário partilhar do pouco que ainda era possível oferecer, até que o problema fosse resolvido.

Desculpei-me do atendente e fiquei a pensar na minha imensa ignorância que me fez despertar todo tipo de indignação, pelo simples fato de eu ter passado um único dia sem ler jornais, nem ouvir rádio. Percebi que eu não era o único habitante da minha cidade a passar por aquela situação, como também não era o único a pensar que os meus interesses pessoais deveriam ser resolvidos com urgência, esquecendo-me que o meu dia de abstinência de água ajudaria a garantir o abastecimento de toda uma população.

Ainda bem que despertei a tempo, mas sei que uma grande parcela da população ainda não está habituada a repartir e tenta resolver seu “mundinho” não se importando com o bem comum… E por incrível que pareça, esta avareza encontra-se, principalmente na mão dos “poderosos”, que tentam arrumar a vida sua e dos seus “amiguinhos”, esquecendo-se do povo que lhes confiou o poder através do voto, além do mais, acham-se poderosos o suficiente para não partilhar, com este mesmo povo, o direito de beber da melhor água (…suja…) do capitalismo.

Seja o/a primeiro/a a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *