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Juízes do amor

“Olha a namorada dele. É vinte e dois anos mais nova. Ele não tem vergonha de desfilar com uma menininha dessas de mãos dadas na rua?”… Dizia um homem de quarenta e dois anos à sua esposa, ao voltar de um prostíbulo cheio de novinhas, rumo ao seu lar, encontrar-se com sua família que, certamente jamais ficará sabendo de onde ele chegava… Na porta de casa, observa o casal tão feliz, apaixonado e tão diferentes na certidão de nascimento…

“Meu Deus! Como ela pode namorar alguém pela Internet? Como é que vai conhecer bem a pessoa com quem está namorando? Eu não concordo com isso!”… Fala uma dondoca que não conversa com o marido há dias em virtude de uma discussão que nem ela mesma lembra, a sua amiga, infiel ao marido completa: “Isso não dá certo! Esse namoro não dura muito… Um relacionamento não dá certo quando os dois não se conversam pessoalmente”…

“O que é aquilo? Uma mulher tão bonita, namorando um homem tão feio!”… Exclama uma quarentona que só conseguiu ser bonita para os padrões da sociedade, depois de vinte cirurgias plásticas: Levantou seios, endureceu bunda, tirou gorduras localizadas, corrigiu rugas, marcas de expressão e todo tipo de conserto que só os bons e caros cirurgiões são capazes de fazer… Seu marido, cabelo por cortar, barba por fazer, banho por tomar, unhas por limpar e cortar, barriguinha de tanquinho cheio de roupa (ou de cerveja), joga o sanduíche no canto da boca depois da terceira mastigada e aprova a condenação da esposa, mas não dá a entender para não despertar os ciúmes: “Ele não é tão feio, meu amor!”…

“Não acredito: Uma loira tão linda acompanhada de um negão do beiço virado!” Palavras ditas por um moreno, alto, de olhos azuis cujo bisavô era afro-descendente, mas ele desconhece o DNA que o torna semelhante a qualquer outro ser humano. Seu amigo, sentado ao lado na mesa do bar, onde repartem uma cerveja, cabelo pixaim, olhos castanhos e pele quase marrom declara: “Negão sortudo!”…

“Olha a gordura daquela mulher! Ela é muito feia pro namorado dela!”… Declara a moça que vive brigando com a balança, permanece em regime, se descuidar engorda e fica desesperada, mesmo seu namorado dizendo que a ama com qualquer peso. Mas não é suficiente. Ela precisa agradar a todos e pensa que, se o namorado não está feliz com ela que arranje outra…

“Como pode uma pessoa gozando de plena saúde, ser casada com um cadeirante? A rotina deles deve ser muito difícil. Ela tem que fazer tudo para ele. Eu não aceitaria casar com uma pessoa assim.” Declara a moça, pensando que ser cadeirante é doença e foi educada assim por seus pais que lhe ensinaram a não se aproximar de pessoas estranhas…

“Com todo o dinheiro que aquele cara tem, poderia arrumar algo melhor. Mas foi namorar justamente com aquela menina da favela que não sabe nem falar direito”… Declaração feita por uma moça que explora seu marido. Ele tem que dar tudo pra ela, caso contrário será abandonado. Quando falta dinheiro, brigam e ficam até sem falar, mas quando ele pode levá-la aos melhores lugares, ela fica cheia de amor pra dar…

Você que ama e é amado, cuidado com os juízes do amor! Eles estão em toda parte, fiscalizando seu bolso, seus padrões de beleza, sua cor, seu peso, seus defeitos, sua idade… Se não se cuidar, você poderá se convencer que o seu jeito de amar está errado e tentar fazer do jeito que os esteriótipos julgam certo… O melhor é não levar em conta, pois mesmo que tente ser normal aos olhos dos juízes do amor, eles sempre encontrarão um defeito para sua felicidade…

Márcio Roberto Goes

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