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JOÃO MARIA

Hoje, escrevo sobre um personagem real e marcante na minha vida: João… não o dos sonhos azuis, mas sim, João Maria Goes: Um homem de bem, apesar de seus altos e baixos. Escolheu entre tantos, o ofício de carpinteiro, casou-se com Áurea Brasilícia da Silva Goes com quem teve quatro filhos de sangue e um de coração, criados a custa de serrote, martelo e prego. Tinha uma queda pelo álcool que lhe rendeu a separação após trinta anos de vida conjugal.

Sempre foi de poucas posses, conquistadas através de sua profissão digna e essencial… Com certeza, em cada canto desta cidade, existe uma obra ou uma reforma feita por ele em seus anos de glória.
Há oito anos encontrava-se em Blumenau com seu filho mais velho e há quatro dias já debilitado e fragilizado pelos seus setenta e dois anos de idade e complicações no pulmão em virtude do cigarro.
O carpinteiro-mor da família Goes tomba, debilitado, rendendo-se à pneumonia, no dia da árvore (21/09/2006), matéria-prima de sua profissão… Construiu casas e mais casas de madeira… Esquadro disso, prumo daquilo, nível, vigas, caibros, paredes, telhados, assoalhos, forro… Tudo passava pelas suas mãos hábeis de carpinteiro que em seus últimos dias já não tinham coordenação motora o suficiente para escrever, e pelos seus olhos clínicos e profissionais que já não definiam mais as dimensões de uma parede.
Entregou várias moradias nas empresas por onde passou, ou nas empreitadas particulares… Hoje, o que lhe resta por direito é a casa derradeira, também de madeira, porém com espaço suficiente apenas para repousar seu corpo cansado e realizado de semblante sereno. Sua última morada não foi construída por ele, afinal nem faria questão (ninguém faz), mas seu corpo tomba na madeira beneficiada, semelhante àquelas que, por suas mãos transformaram-se em residências e hoje são seu descanso derradeiro e formal.
Sua vida construída pelas ferramentas que mereciam tanto zelo, agora se rende ao único destino certo da vida terrena: a morte para o corpo e a glória para a alma… Seu Góis, como era conhecido, finalmente dá sua contribuição na construção celestial.
Dorme em paz, meu pai, um dia haveremos de nos encontrar novamente. A vida aqui na Terra continua, porém mais saudosa com a falta do “véio Góis”, numa família que agora fica sem pai, nem mãe. Assuma alegre e modesto, como sempre foi, esta nova empreitada…

Márcio Roberto Goes

O filho mais novo

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