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Insolação mórbida

 

Fonte: www.google.com
Fonte: www.google.com

Pouca gente sabe, mas já dei minhas cacetadas na poesia. Escrevi alguns versos que compuseram dezoito poemas musicados pelo meu amigo Leandro Souza de Matos… Duas destas músicas foram inscritas no último FEMIC e uma delas defendida por mim no palco do auditório da UnC.

Na tarde do ensaio, uma das mais quentes do ano, antes de me dirigir até o auditório para passar o som com a banda, conversava com um dos meus novos vizinhos sobre diversos assuntos corriqueiros que todo mundo fala quando não tem nada pra falar, entre eles, o tempo… Falávamos sobre como o mundo anda estranho, invertendo-se as estações do ano… Como o calor parece muito mais danoso para os seres vivos do que antigamente… Concordo plenamente com toda esta estranheza quanto ao tempo “louco” em que vivemos, ainda mais quando se trata de alguém, como eu, que há quase trinta e seis anos vive neste mundão de meu Deus e ainda não se adaptou com o verão subtropical… Não existe conforto no calor escaldante, mesmo na nudez que desidrata, como relatou Paulo coelho em “As valquírias”

A conversa durou alguns minutos entre eu e o vizinho, separados pela cerca de ferro de sua propriedade, mas uma coisa dita por ele me chamou a atenção e meu cérebro leigo, apesar de muito criativo ainda não conseguiu desvendar por completo a teoria expressa por meu interlocutor. Dizia ele:

– “Os cientistas, com suas experiências, estão puxando o sol cada vez mais perto da Terra… Por isso que o tempo está ficando cada vez mais quente.”

 

Há! Agora entendi! Tudo ficou mais claro! Acho que meu amigo deve ter assistido ao filme “O todo poderoso”, onde Jim Carrey, no papel de Bruce Nolan, laça a lua com uma corda imaginária e a aproxima da Terra para impressionar sua amada… Parece que os cientistas tiveram a mesma ideia em relação ao sol… Mas minha dúvida é o seguinte: Onde arranjaram uma corda, mesmo imaginária, forte o suficiente para suportar o calor de aproximadamente 15000 ºC do astro-rei?… Bem… Não sou nenhum gênio, nem cientista, portanto não perderei o sono por cauda disso…

Mas a grande verdade é que, meu vizinho, dentro de sua sabedoria adquirida pela faculdade da vida tem razão, pois pela ação humana, a camada de ozônio que protege nosso planeta dos raios ultra-violeta está sendo destruída, portanto estamos mais vulneráveis aos malefícios desta estrela diurna, o que faz meu cérebro leigo e criativo concluir que, mesmo de forma conotativa, o sol está mais perto da Terra, derramando de forma mais intensa seus raios que quando ultrapassam a dose ideal, transformam-se em veneno mortal.

Com esta ideia na cabeça, corroendo minha mente viajante e minha alma irriquieta, subi ao palco para cantar meu poema… Uma experiência inenarrável que me rendeu um troféu, igual o de todos, identificado como prêmio de participação… Nem eu, nem meu amigo que defendeu nossa outra música, conseguimos êxito, porém valeu pela participação… Aliás, sempre vale, quando existe a determinação de se expor para defender suas ideias e sua arte: Foi o que corajosamente fizeram os catorze participantes do festival… Mesmo assim, resolvi jogar a culpa toda na pessoa que laçou o sol e o atraiu para mais perto da Terra, afinal, um cérebro fervendo não consegue comandar um corpo inadaptável ao calor repentino…

Ironias a parte, quero felicitar os classificados para a fase regional e desejá-los boa sorte nas próximas etapas para que possam continuar bem representando nossa cidade e que o sol continue brilhando para nossa diversidade cultural e artística…

 

Márcio Roberto Goes

www.cacador.net

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Jornal Informe da tarde – O diário Regional

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