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	<title>Márcio Goes</title>
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	<description>Crônicas sobre Educação, Política, Literatura Etc e tal</description>
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		<title>Sonhos azuis &#8211; CAPÍTULO XV</title>
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		<pubDate>Fri, 11 May 2012 13:43:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Márcio Goes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sonhos Azuis]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; Cinco horas da tarde&#8230; O telefone toca: Alô!&#8230; João? Oi Anita! Como estão as coisas?&#8230; Nada bem!&#8230; Mamãe acabou de falecer&#8230; Vai arrumando as coisas por aí&#8230; A partir daí, nosso sonhador só ouviu o choro de sua irmã ao telefone&#8230; Ele também não se conteve. Precisou sentar para recuperar o fôlego&#8230; Não acreditava [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p>Cinco horas da tarde&#8230; O telefone toca:<br />
Alô!&#8230; João?<br />
Oi Anita! Como estão as coisas?&#8230;<br />
Nada bem!&#8230; Mamãe acabou de falecer&#8230; Vai arrumando as coisas por aí&#8230;</p>
<p>A partir daí, nosso sonhador só ouviu o choro de sua irmã ao telefone&#8230; Ele também não se conteve. Precisou sentar para recuperar o fôlego&#8230; Não acreditava no que havia ouvido. Sua mãe, sua heroína, seu exemplo de vida agora estava esticada, sem vida numa cama de hospital a mais de quatrocentos quilômetros de distância&#8230; Com o coração partido foi até e funerária mais próxima a fim de preparar o velório&#8230; Era preciso apressar-se, pois seria uma longa viagem de ida e volta até a capital. Chamou Iracema depois do expediente para ajudá-lo a avisar os familiares e amigos. Muitas pessoas vieram visitá-lo em casa enquanto o corpo não chegava&#8230; O primeiro a chegar, foi seu amigo de todas as horas, Teófilo que ficou até próximo da meia noite com ele:<br />
A que horas chega o corpo, João?<br />
Está previsto para as quatro da manhã&#8230;<br />
Então as quatro estarei lá na casa mortuária!&#8230; Até amanhã&#8230; Força amigo!</p>
<p>Despediram-se com um longo e caloroso abraço que só os melhores amigos sabem dar.<br />
A noite foi muito longa para João e Iracema que dormiu em sua casa. Nosso sonhador de sonhos azuis não conseguiu dormir mais que quinze minutos até a hora de ir para a capela mortuária esperar sua mãe que agora voltaria sem vida.<br />
O carro da funerária chegou com uma hora de atraso, seu melhor amigo já estava lá e permaneceu durante todo o tempo com ele.<br />
Ao ver o corpo de sua mãe, João ficou paralisado&#8230; Não conseguiu ter reação alguma naquele momento&#8230; sua mente e seu coração não acreditavam que naquele caixão de madeira estava o maior e melhor exemplo de sua vida reduzido a nada&#8230; frio, imóvel, estático&#8230; Não era sua mãe, a não ser pelo semblante sereno que mesmo depois de morta deixava revelar em seu rosto.. Anita veio junto no carro da funerária e assim que desceu, João a recebeu de braços abertos. Choraram um no ombro do outro&#8230; Anita estava inconformada, achava que devia ter feito alguma coisa, mas não conseguiu. Nosso sonhador juntou o restinho de forças que ainda tinha para dizer corajosamente:</p>
<p>Maninha, querida&#8230; Mamãe descansou&#8230; Seria muito egoísmo nosso querer que ela permanecesse viva e sofrendo só para nos agradar&#8230; Agora ela está mais perto de Deus, suas orações serão ainda mais fortes&#8230; Vai poder interceder por nós aqui na Terra&#8230;</p>
<p>Ouvindo estas palavras, Anita sentou-se perto do caixão que já havia sido posto na primeira sala da casa mortuária&#8230;</p>
<p>Vá descansar um pouco, maninha!<br />
Não, João&#8230; Vai ser pior. Tenho certeza que não conseguirei dormir sossegada&#8230;</p>
<p>Logo amanhece o dia e começam a chegar as homenagens em forma de flores e coroas. Um amigo da família pergunta:</p>
<p>Precisa de alguma coisa, João?<br />
Sim! Hortênsias&#8230; Minha mãe gostava muito de hortênsias.</p>
<p>Menos de uma hora depois, o caixão estava rodeado de hortências azuis&#8230; Da cor do céu, da cor do mar, da cor dos sonhos do João&#8230; A missa de corpo presente aconteceu as quatro da tarde, com a capela lotada&#8230; Nunca se tinha visto tanta gente num velório de uma pessoa tão simples&#8230; Apesar do momento, o cemitério chegava a ficar bonito com tanta gente e tantas flores, sobretudo hortênsias azuis, que deram um toque de personalidade para aquela celebração.<br />
O caixão estava agora a caminho de sua derradeira morada e a única pessoa que não fazia parte da família que ficou até o último tijolo, foi Teófilo, seu melhor amigo que ainda o acompanhou até sua casa, só saindo de lá com a certeza de que tudo estava bem.<br />
Aos poucos, Iracema foi levando suas coisas para a casa de seu noivo e quando João se deu conta, já estava morando com a morena dos olhos negros&#8230; Nosso sonhador estava contente com a proximidade do casamento, porém não se recuperara da perda irreparável de sua progenitora e conselheira&#8230; Iracema se sentia acuada com aquela situação. Parecia que João só vivia das lembranças de sua mãe e esquecia de viver o presente com ela.<br />
A bem da verdade, jamais um ser humano se recupera da perda de uma mãe, ainda mais quando estão sempre muito próximos e unidos&#8230; João sabia disso, tentava se acostumar com a ideia, mas sabia que jamais sua vida voltaria a ser como era antes&#8230; Por alguns meses deixou de viver as coisas boas da vida para mergulhar no sofrimento da ausência de sua mãezinha. Esqueceu-se até de seus mais desejados sonhos azuis, que ainda eram tantos&#8230; Sonhava quase toda noite com sua mãe: ainda estava viva, mas só ele percebia isso, as demais pessoas presentes em seu sonho não viam nem ouviam, muito menos sentiam a presença de dona Áurea&#8230; Muitas vezes pedia a benção antes de dormir, ou antes de sair de casa e não recebia nenhuma resposta&#8230; Certa manhã, levantou-se da cama com a sensação de que ia encontrar sua mãe na beira do fogão de lenha, tomando seu chimarrão como sempre&#8230; Mas não passou de ilusão.<br />
De qualquer forma, a saudade de sua mãe não era total, pois sempre a encontrava em seus sonhos&#8230; E diuturnamente lembrava das últimas palavras que ouviu dela ao telefone, cinco horas antes de sua morte:</p>
<p>Deus te abençoe, meu filho!&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Cordel ecológico</title>
		<link>http://www.marciogoes.com.br/2012/05/cordel-ecologico.html</link>
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		<pubDate>Mon, 07 May 2012 03:21:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Márcio Goes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Língua Portuguesa]]></category>

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		<description><![CDATA[Cordel ecológico Todo mundo sempre fala Que devemos reciclar Mas, muita gente se cala Quando ouso perguntar: Para onde é que vai Papel de bala e croquete E mesmo o próprio chiclete Quando da boca ele sai? Márcio Roberto Goes www.portalcacador.com.br www.cacador.net]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">Cordel ecológico</p>
<p style="text-align: center;">Todo mundo sempre fala<br />
Que devemos reciclar<br />
Mas, muita gente se cala<br />
Quando ouso perguntar:</p>
<p style="text-align: center;">Para onde é que vai<br />
Papel de bala e croquete<br />
E mesmo o próprio chiclete<br />
Quando da boca ele sai?</p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: right;">Márcio Roberto Goes<br />
www.portalcacador.com.br<br />
www.cacador.net</p>
<img src="http://www.marciogoes.com.br/?ak_action=api_record_view&id=1132&type=feed" alt="" />]]></content:encoded>
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		<title>Sonhos Azuis &#8211; CAPÍTULO XIV</title>
		<link>http://www.marciogoes.com.br/2012/05/sonhos-azuis-capitulo-xiv.html</link>
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		<pubDate>Mon, 07 May 2012 03:18:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Márcio Goes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sonhos Azuis]]></category>

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		<description><![CDATA[João dos sonhos azuis chega apressado ao hospital e pergunta ao porteiro por sua mãe: Hora de visita é só a tarde&#8230; Só queria fazer uma troca de acompanhante. O outro acompanhante tem cinco minutos para descer. Obrigado! Aquelas escadas pareciam não ter fim&#8230; João subia pensando nas possíveis situações que o esperavam&#8230; Será que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João dos sonhos azuis chega apressado ao hospital e pergunta ao porteiro por sua mãe:</p>
<p>Hora de visita é só a tarde&#8230;<br />
Só queria fazer uma troca de acompanhante.<br />
O outro acompanhante tem cinco minutos para descer.<br />
Obrigado!</p>
<p>Aquelas escadas pareciam não ter fim&#8230; João subia pensando nas possíveis situações que o esperavam&#8230; Será que sua mãe teria melhorado?&#8230; Será que dormiu bem?&#8230; Ficaria mais alguns dias?&#8230; Quantos?&#8230; Estaria liberada?&#8230; A tosse havia passado?&#8230;<br />
Na porta do quarto encontra Anita que o recebe com um abraço estranhamente apertado:</p>
<p>Precisamos conversar, meu irmão.<br />
Depois, agora quero ver minha mãe&#8230; Como está minha véia?<br />
Melhorei um pouco&#8230; Tô só no soro&#8230;<br />
Vê se não se entrega&#8230; A senhora já venceu tantas batalhas, não é agora que vai perder, né?</p>
<p>Anita observava tudo com lágrimas nos olhos, um tanto distante para sua mãe não perceber. Parecia que já sabia de alguma coisa que ainda não havia sido contada para o João&#8230;</p>
<p>Vem cá, meu irmão!</p>
<p>Puxando João para fora do quarto, encostou-se no corredor a uma distância em que sua mãe não pudesse ouvir:</p>
<p>O que houve, maninha?<br />
A doutora esteve logo cedo examinando a mamãe e o raio X&#8230;<br />
E daí, me conta&#8230; Ela vai ficar muito tempo no hospital?<br />
É difícil falar&#8230;<br />
Fala logo! Tá me deixando nervoso&#8230;<br />
Lembra da sua suspeita?<br />
O quê?&#8230; É câncer?&#8230;<br />
Exatamente! Câncer no pulmão&#8230; E é mais grave do que suspeitávamos&#8230;<br />
Mas hoje em dia, qualquer câncer tem cura&#8230; Pode-se fazer cirurgia, quimioterapia, até transplante&#8230;<br />
Não! O tumor é maligno e já está avançado&#8230; Nossa mãe não tem muito tempo de vida&#8230; A doutora vai encaminhá-la o mais rápido possível para a capital.</p>
<p>Aquilo doeu como um punhal em seu coração&#8230; João sentiu um nó na garganta&#8230; Tudo estava consumado&#8230; Sua vida daria uma volta de trezentos e sessenta graus sem sua mãezinha. Mas não havia tempo para chorar, ele precisava cuidar de dona áurea naquele dia&#8230; ela não podia perceber nada&#8230; Fez um esforço sobrenatural e agiu como se nada tivesse acontecido.<br />
Finalmente, conseguiram encaminhamento para Florianópolis, onde sua mãezinha estaria em boas mãos, com uma estrutura que diminuiria seu sofrimento inevitável&#8230; A temperatura estava um pouco baixa para uma primavera naquela manhã. Dona áurea seguiu viagem na ambulância acompanhada por dois enfermeiros e sua única filha, Anita. João despediu-se com um beijo na testa&#8230;<br />
A bênção, minha mãe!<br />
Deus te abençoe, meu filho!<br />
Coragem, véia Áurea&#8230; A senhora vence mais essa!<br />
No fundo, ele sabia que não venceria. Temia ser a última vez que beijava a fronte e tomava a bênção de sua mãe&#8230; Queria que tudo aquilo fosse mentira&#8230; Queria acordar, subitamente, daquele pesadelo&#8230; Gostaria que fosse possível uma cura, uma recuperação&#8230; Não estava preparado para perder aquela que lhe deu a vida&#8230;<br />
Uma semana depois, nosso sonhador abasteceu seu fusquinha da cor de seus sonhos e partiu para Florianópolis, acompanhado de Iracema e dois de seus irmãos&#8230; Anita já estava lá e o quarto irmão morava perto da capital, podendo visitá-la todos os dias&#8230; Nosso sonhador passou aquele que seria o último dia na companhia de sua progenitora. Voltava para sua cidade esperançoso de que sua mãe pudesse passar o natal em casa, mas no fundo sabia que a volta não seria da maneira que ele imaginava&#8230; Poco tempo depois, aconteceria o inevitável&#8230;<br />
Dona Áurea era uma católica convicta, devota de Nossa Senhora, amante da oração e da caridade, jamais se deitava para dormir sem rezar o terço, trabalhava em vários movimentos da Igreja, como: apostolado da oração e pastoral da saúde, admirava e cuidava das plantas como pedras preciosas. Só tinha dois vícios, o chimarrão, que sempre partilhava com a vizinhança, e o cigarro, grande antagonista de sua vida.<br />
Esse vilão que a acompanhou durante quase toda a sua vida terrena de sessenta e oito anos, lhe rendeu este câncer no pulmão, que a levou ao Hospital Nereu Ramos em Florianópolis, onde passaria os últimos dias de sua vida, acompanhada de sua única filha mulher.<br />
Logo no primeiro dia de internamento, na entrada do hospital, profetizou com a seguinte frase, já na cadeira de rodas, diante da imagem do Sagrado Coração de Jesus em tamanho real:</p>
<p>Oh meu Senhor Jesus, eu me entrego a Ti, seja feita a Tua vontade&#8230;</p>
<p>Durante vinte e oito dias em meio a soro, dreno, inalação e tubos de oxigênio, contagiou médicos, enfermeiros e pacientes com seu jeito otimista e cômico de ver a vida. Certa vez sentiu a presença de um anjo que a ungiu com óleo os pés, as costas e os ombros. Fato que fez ela e a filha acreditarem na cura até então utopia.<br />
Os dias passavam e o oxigênio tornava-se cada vez mais raro para aquela senhora, deixando nossas duas guerreiras cada vez mais próximas, mais humanas e mais divinas.<br />
Foi num domingo ensolarado e quente, que aconteceu a cura de nossas duas guerreiras: Estavam elas no quarto do hospital, o oxigênio de Áurea regulado na capacidade máxima, já não fazia mais o efeito necessário para mantê-la viva, seu pulmão fora todo dilacerado e escoado pelo dreno. A filha, vendo que a hora estava próxima começa a rezar o terço com o rosário entre as mãos dela e da mãe, que com muito sofrimento ainda tenta acompanhar as contas daquela oração que foi sua grande defensora durante toda a vida&#8230;<br />
Dois anjos em forma de criança aparecem na janela chamando aquela guerreira para sua maior e última vitória&#8230; Uma leve brisa enche o quarto até então sufocado pelo calor e pela carência de ar puro, trazendo o sopro de uma vida nova.<br />
Atendendo ao chamado, ela deita sua cabeça pela última vez, sobre o leito, tendo em suas mãos o rosário e as mãos trêmulas de sua filha também guerreira. Seu semblante de sofrimento e dor agora é sereno, de uma serenidade tamanha, que nos faz acreditar que a vida vale a pena e que nenhum sofrimento é maior que a nossa capacidade de vencer.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>www.marciiogoes.com.br<br />
www.pportalcacador.com.br</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Meu cordel</title>
		<link>http://www.marciogoes.com.br/2012/04/meu-cordel.html</link>
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		<pubDate>Wed, 25 Apr 2012 13:48:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Márcio Goes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Língua Portuguesa]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; Quando ouvia falar Do tal cordel sem saber Só fazia me calar Não sabia reconhecer Que o cordel na sua arte Produz muita formosura Também é Literatura E da cultura faz parte&#8230; &#160; Márcio Roberto Goes www.marciogoes.com.br www.portalcacador.com.br www.cacador.net]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">Quando ouvia falar</p>
<p style="text-align: center;">Do tal cordel sem saber</p>
<p style="text-align: center;">Só fazia me calar</p>
<p style="text-align: center;">Não sabia reconhecer</p>
<p style="text-align: center;">Que o cordel na sua arte</p>
<p style="text-align: center;">Produz muita formosura</p>
<p style="text-align: center;">Também é Literatura</p>
<p style="text-align: center;">E da cultura faz parte&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Márcio Roberto Goes</p>
<p><a href="http://www.marciogoes.com.br">www.marciogoes.com.br</a></p>
<p><a href="http://www.portalcacador.com.br">www.portalcacador.com.br</a></p>
<p><a href="http://www.cacador.net">www.cacador.net</a></p>
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		<title>Sonhos Azuis &#8211; CAPÍTULO XIII</title>
		<link>http://www.marciogoes.com.br/2012/04/sonhos-azuis-capitulo-xiii.html</link>
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		<pubDate>Tue, 24 Apr 2012 02:17:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Márcio Goes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sonhos Azuis]]></category>

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		<description><![CDATA[Como vai o professorzinho, Cema? Perguntava Adam, ironicamente, logo cedo, enquanto ajeitava a gravata no colarinho, segurando alguns papéis no antebraço&#8230; Você deve estar brincando comigo&#8230; Quem me chama de Cema é o meu amor&#8230; Pensei que não estivessem mais juntos&#8230; Por que? Há dias que não vejo aquele monte de lata azul vindo te [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como vai o professorzinho, Cema?</p>
<p>Perguntava Adam, ironicamente, logo cedo, enquanto ajeitava a gravata no colarinho, segurando alguns papéis no antebraço&#8230;</p>
<p>Você deve estar brincando comigo&#8230; Quem me chama de Cema é o meu amor&#8230;<br />
Pensei que não estivessem mais juntos&#8230;<br />
Por que?<br />
Há dias que não vejo aquele monte de lata azul vindo te buscar&#8230;<br />
Há dois dias, mais especificamente&#8230; Mas é bem verdade que você raramente está aqui no final do expediente. Quase sempre tenho que fechar esta espelunca sozinha&#8230;<br />
Desculpe! Parece que temos alguém nervosa por aqui&#8230;<br />
Ele está cuidando da mãe no hospital&#8230;<br />
Que futuro você acha que vai ter com este cara?<br />
Em primeiro lugar, não é da sua conta&#8230; Em segundo lugar, estou com ele por amor&#8230;<br />
Será que ele te ama mesmo?<br />
Claro que sim!<br />
Então porque está te abandonando aos poucos?<br />
Está cuidando da mãe dele, já disse!<br />
Quando alguém ama de verdade, abandona tudo para viver o amor&#8230;</p>
<p>Iracema é salva daquela conversa desagradável com a chegada de um cliente&#8230; Adam o atende, enquanto isso seu pensamento viaja&#8230; Por um momento imagina que as palavras de Adam possam ser verdadeiras. A mãe do João não está nada bem, mas ele tem outros irmãos que poderiam cuidá-la&#8230; Sente medo de perdê-lo para uma velha que está a beira da morte&#8230; Seu coração apaixonado começa a cultivar dúvidas e mais dúvidas sobre a sua relação com o professor sonhador de sonhos azuis&#8230; O fusquinha já não parecia tão aconchegante como antes, estava batendo a lataria, algumas vezes precisava ser empurrado para pegar no tranco, visto que estava com a bateria fraca, não tinha aparelho de som, como o carro do Adam e de tantos outros que conhecia e vendia&#8230; Parece que seu amor agora era instável&#8230; Precisava resgatar o João, ou o perderia para sempre. Por outro lado, se continuasse com ele, teria que ajudá-lo a cuidar de sua mãe por toda a eternidade, caso sua doença melhorasse, ou conviveria com uma pessoa que por muito tempo choraria a morte da velha&#8230; De qualquer forma, era melhor garantir que não perderia este que ainda era o grande amor de sua vida: Aquele que causou uma profunda transformação em seu caráter e sua personalidade. Nunca mais foi a mesma pessoa depois que conheceu o João&#8230; Nunca mais brincou com o amor como se fosse um jogo de cartas. Outra Iracema nasceu no dia em que conheceu aquele jovem sonhador de sonhos azuis&#8230;<br />
Adam volta ao balcão sem realizar a venda, mas não parecia nervoso por isso:</p>
<p>Sabia que estou sozinho?<br />
E sua mulher?<br />
Acabei de me separar&#8230; Não dava mais certo&#8230; Muito ciumenta&#8230;<br />
E os filhos?<br />
Ficam com ela, poderei vê-los de vez em quando&#8230;<br />
Sinto muito!<br />
Já que seu professorzinho anda meio distante, não gostaria de jantar com um homem de verdade, hoje?<br />
Sinto muito de novo!&#8230;<br />
Ele não te merece!<br />
Não me obrigue a ser mal educada com você&#8230;</p>
<p>Salva, novamente por um cliente, a moreníssima encosta os cotovelos na mesa, apoiando o queixo com ambas as mãos e põe-se a observar seu patrão que tentava realizar a primeira venda do dia. Via-o diferente das outras vezes: mais bonito, mais elegante&#8230; Sempre de terno e gravata, sempre impecável&#8230; Nem se comparava a calça jeans, camisa social e colete usados por seu professorzinho. Percebia Adam charmoso pela primeira vez&#8230; Observava o jeito de parar, com uma mão na cintura e a outra no queixo&#8230; Os cabelos castanho-claros, quase loiros, sempre bem penteados, a barba bem feita diuturnamente, seu perfume, seu sorriso, seus olhos verdes&#8230; Tudo, de repente começou a lhe chamar a atenção. A antiga Iracema ressurgia, por um momento, das cinzas. Teve ímpetos de aceitar seu convite para jantar, mas manteve a postura de funcionária. Subitamente volta a si e percebe que está prestes a cometer mais uma besteira em sua vida&#8230; Já havia cometido tantas e nunca terminaram bem. Agora que tinha firmado compromisso com um único homem e já estava de casamento marcado para fevereiro do próximo ano, precisava manter a postura&#8230; Mesmo abalada, a atitude de boa moça precisava prevalecer&#8230;<br />
Mais uma vez, o cliente sai sem comprar um veículo&#8230; Mais uma vez Adam volta, cheio de charme ao balcão:</p>
<p>E então, vai aceitar meu convite?<br />
Um outro dia!</p>
<p>Não quis ser deselegante desta vez. Um “não” poderia parecer grosseria, assim ela se livrava da situação e não criava atrito com seu patrãozinho&#8230; Na verdade, não respondeu negativamente por falta de coragem, ou porque seu coração, em dúvida depois de tanto tempo, não deixava&#8230;</p>
<p>O próximo cliente, você atende&#8230; E trate de começar a vender mais, se não cabeças vão rolar&#8230; E você sabe que cabeça rola primeiro&#8230; A corda sempre arrebenta do lado mais fraco, querida!<br />
Tudo bem!</p>
<p>Aquilo soou como uma ameaça em seus ouvidos, situação que deixou seu coração ainda mais dividido&#8230;<br />
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		<title>Sonhos Azuis &#8211; CAPÍTULOXII</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Apr 2012 17:38:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Márcio Goes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sonhos Azuis]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; No dia seguinte, ele não tirava Cema da cabeça&#8230; Ela não esquecia da noite maravilhosa que passara ao lado do João&#8230; E assim permaneceram, rotineiramente, por algum tempo. Encontravam-se quase todo dia, só folgaram nas festas de fim de ano, porque já tinham combinado com suas famílias, cada qual passou as festividades junto dos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p>No dia seguinte, ele não tirava Cema da cabeça&#8230; Ela não esquecia da noite maravilhosa que passara ao lado do João&#8230; E assim permaneceram, rotineiramente, por algum tempo. Encontravam-se quase todo dia, só folgaram nas festas de fim de ano, porque já tinham combinado com suas famílias, cada qual passou as festividades junto dos seus&#8230; João, como há muito tempo não acontecia, conseguiu passar o Natal e o fim de ano com sua mãe e os quatro irmãos&#8230; Iracema, acompanhou as festividades com seus tios, que já não pareciam mais tão terríveis assim: Amando o João, ela aprendeu a amar também seus padrastos.<br />
João e Iracema: um casal que se completava com suas diferenças, loucamente apaixonados um pelo outro&#8230; O mundo parecia parar quando estavam juntos&#8230; Aquele amor parecia ser eterno, nada os abalaria, nada os venceria, nada destruiria esta relação baseada em muito carinho e dedicação. João dos sonhos azuis nunca antes estivera tão bem e feliz, em todos os aspectos&#8230; Nunca mais seria o mesmo, jamais sofreria novamente por amor&#8230; Estava vivendo a melhor fase de sua vida&#8230;<br />
Seis meses se passaram. Era inverno. João já havia se efetivado como professor em uma escola pública no centro da cidade, graças ao concurso que fizera três anos antes. Cema continuava como vendedora de carros. João, todas as manhãs passava no trabalho dela antes da hora do almoço, por vezes almoçavam juntos. Algumas vezes ele dormia na casa dela, outras ela dormia na casa dele&#8230; Raramente passavam um dia sem se ver e quando isso acontecia, ficavam pendurados ao telefone durante horas&#8230; Esta era a rotina de nosso casal de sonhos azuis&#8230;<br />
Numa manhã de frio, João acorda com a tosse de sua mãe, que aparentemente voltava com mais força que no ano passado:</p>
<p>Tossindo de novo, mamãe?<br />
É! Quase não dormi esta noite&#8230; Mas logo passa, meu filho, se Deus quiser.<br />
Se cuida, minha véia!</p>
<p>O café parecia mais amargo naquele dia, engolia o pão com dificuldade enquanto ouvia aquela tosse insistente de sua mãe agravando-se sem dar tréguas. Sentiu um grande aperto em seu coração, mas procurou não demonstrar&#8230; Poderia não ser nada, só uma crise de tosse típica dos fumantes&#8230; Nada que um chá caseiro não resolvesse.</p>
<p>Tô indo! Bença, mãe?<br />
Deus te abençoe, meu filho&#8230;</p>
<p>Não conseguiu se concentrar direito no trabalho: alunos e colegas perceberam que João não estava bem&#8230; Ele tentava disfarçar, mas não conseguia&#8230; Seu coração, ainda apertado, parecia estar prevendo algo muito impactante em sua vida. Só pensava em sua mãe, sabia dos riscos que um fumante corre, principalmente ela que não largava o tabaco desde os treze anos, e já nos sessenta e oito, aos poucos, dava sinais de rendição.<br />
Onze horas e quarenta e cinco minutos da manhã&#8230; Nosso sonhador de sonhos azuis sai da escola ansioso, passa na revendedora e leva sua namorada par almoçar em casa. Chegando lá, Cema também percebe a situação da mãe dele:</p>
<p>O que houve, dona Áurea?<br />
Não sei, deve ser uma gripe muito forte!</p>
<p>João, percebendo que a situação se agravava, sabia que deveria tomar uma atitude:</p>
<p>Mãe, hoje à tarde estou de folga. Vou levá-la ao médico&#8230; Depois do almoço esteja pronta, quando eu levar a Cema, levo a senhora junto e passamos no posto de saúde.</p>
<p>Assim o fez. O médico a examinou e prescreveu alguns remédios, entre eles um xarope para a tosse&#8230; Enquanto Áurea tomava o xarope, a tosse foi amenizada&#8230; Isso por uma semana, depois a situação voltou a ser como antes&#8230;<br />
Durante quatro meses a tosse continuava e os médicos que a examinavam receitavam remédios e mais remédios que, de forma alguma resolviam o problema.<br />
João já não dormia direito, só pensava em solucionar o problema de sua mãe, mas não via nenhuma melhora considerável&#8230; Praticamente abandonou seu amor, ele e Cema viam-se de vez em quando e por pouco tempo. Pediu ajuda a Anita que atendeu prontamente seu clamor:</p>
<p>Maninho, vamos levar mamãe no plantão do hospital. Hoje, o plantonista é um médico muito bom. Tenho certeza que ele vai resolver de uma vez por todas este nosso martírio, pelo menos poderá dar um diagnóstico mais preciso do que se passa com a velhina.<br />
Tudo bem, Anita. À noite vou levá-la no plantão e você vai comigo. Certo?<br />
Certo!<br />
Só tenho um grande medo&#8230; Espero que eu esteja errado&#8230;<br />
O quê?<br />
Tenho medo que seja câncer&#8230;<br />
Não! Magina&#8230; Isso deve ser alguma infecção mal curada. É só dar o diagnóstico certo e a medicação funciona.</p>
<p>Na verdade, Anita tinha o mesmo medo do João&#8230; Abraçaram-se e concomitantemente uma lágrima correu em seus rostos&#8230; Lágrima de medo e insegurança mútuos. Estavam preocupados, mas não deixavam que dona Áurea percebesse&#8230;queriam poupá-la de qualquer preocupação antecipada&#8230; Mas o medo existia e a possibilidade era grande.<br />
O médico plantonista examinou a mãe de nosso sonhador e, pela primeira vez, pediu um raio X, que foi feito no próprio hospital&#8230; João pode ouvir de longe o médico, com a chapa na mão, falando ao telefone:</p>
<p>Doutora, estou com uma paciente que apresenta algumas manchas preocupantes no pulmão. Poderia examiná-la?</p>
<p>Ao desligar, dirige-se a João e Anita que já estavam de mãos dadas e rosário no meio das mãos, esperando o diagnóstico. O médico então dirige-se a eles:</p>
<p>Vamos ter que interná-la. Chamei a doutora Angélica para examiná-la mais precisamente, só assim poderemos saber com mais precisão o que é que a mãe de vocês tem.<br />
É grave, doutor?<br />
Calma, Anita&#8230; Vamos esperar o diagnóstico da doutora</p>
<p>João via suas suspeitas cada vez mais perto da confirmação&#8230; Infelizmente&#8230; Ele sabia que a doutora em questão era especialista em oncologia. Seu coração ficava cada vez mais apertado e já não tinha mais esperanças de melhora da sua progenitora.<br />
Aquela noite, dona Áurea passou em observação no hospital, acompanhada por sua filha Anita. João foi para casa e levou Cema para fazer-lhe companhia, porém passou a noite em claro&#8230;</p>
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www.portalcacador.com.br</p>
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<p>&nbsp;</p>
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		<title>Sonhos azuis &#8211; CAPÍTULO XI</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Apr 2012 17:57:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Márcio Goes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sonhos Azuis]]></category>

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		<description><![CDATA[No dia seguinte, nosso protagonista apaixonado dos sonhos azuis não conseguia tirar aquela morena do pensamento. Tudo o que imaginava para seu futuro, envolvia aquele par de olhos negros em um rosto angelical de pele morena ladeado por cabelos longos e negros, da cor da noite&#8230; Sua preocupação se dividia em revê-la mais tarde e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No dia seguinte, nosso protagonista apaixonado dos sonhos azuis não conseguia tirar aquela morena do pensamento. Tudo o que imaginava para seu futuro, envolvia aquele par de olhos negros em um rosto angelical de pele morena ladeado por cabelos longos e negros, da cor da noite&#8230; Sua preocupação se dividia em revê-la mais tarde e nas crises de tosse que continuavam acompanhando sua progenitora.</p>
<p>Mamãe, o chá não está resolvendo&#8230; Vamos ao médico!<br />
Prá quê?&#8230; Ele vai me receitar um monte de remédios e xaropes que não vão resolver, fique tranquilo que logo ficarei boa&#8230; Deve ser este tempo seco, mas estou tomando água o tempo todo para lubrificar a goela&#8230;<br />
Vou dar mais uma volta de fusca&#8230;<br />
Se cuida, meu filho&#8230;<br />
Por três vezes passou em frente a revendedora, mas não teve coragem de parar&#8230; Tinha medo de atrapalhar o trabalho de sua nova razão para viver, afinal as coisas estavam preocupantes para o lado dela também. Precisava vender mais para continuar garantindo o emprego.</p>
<p>A linda morena, por sua vez, também não parava de pensar na noite anterior enquanto observava a chuva que começava a cair, e seu coração tão calejado rendia-se aos caprichos da paixão&#8230; Pela primeira vez, sentia-se amada novamente desde que perdera seus pais&#8230; Porém, lá no fundo de seus pensamentos tinha medo deste sentimento que lhe assolava o coração e a alma tão repentinamente&#8230; Temia não fazer-se feliz, temia não fazer o João feliz&#8230; Tinha medo de magoar-se, tinha medo de magoar o pobre e apaixonado mancebo. Ainda não sabia se o amor que sentia em seu peito era verdadeiro&#8230; Ainda não sabia se o amor de seu príncipe moreno dos olhos cor de mel revelava também um sentimento verdadeiro&#8230;</p>
<p>Por um instante, o filme de sua vida passou em sua frente: Lembrou-se de todas as travessuras feitas na infância e adolescência. Fugiu da casa de seus tios por duas vezes, só para deixá-los preocupados e criar a ilusão de que assim teria uma importância maior na vida deles&#8230; Era a mais cobiçada do bairro&#8230; Os meninos faziam fila para dar-lhe um selinho e ela tomava aquilo como uma inocente brincadeira. A menina cresceu e sua inocência diminuiu, porém continuava sapeca&#8230; Mas os riscos agora eram maiores, pois tudo que um adulto faz, tem repercussão infinitamente maior que as atitudes de uma criança ou adolescente. Já teve envolvimento com outros homens, brincou com os sentimentos deles, tinha-os como descartáveis&#8230; Eles precisavam dela, porém não parecia que ela precisasse deles, a não ser para o sexo&#8230; De repente tomou consciência de suas atitudes passadas e em silêncio, propôs-se uma mudança: tentar ser a mulher dos sonhos do João, fazê-lo feliz, ser feliz também&#8230; Já não lhe causava mais prazer o fado de brincar com os sentimentos alheios&#8230;</p>
<p>Iracema percebeu então no João, a solução para todos os seus problemas. Poderiam casar-se, ela sairia definitivamente da casa dos tios ingratos, tornar-se-ia independente, teria finalmente um lar, um marido amoroso que a tratasse como merecia&#8230; Poderia constituir família e descobrir a felicidade, enfim&#8230; Seu exame de consciência foi repentinamente interrompido pela voz de seu patrão:<br />
Parabéns pela venda ontem!</p>
<p>Obrigada!<br />
Aquilo lhe causou certa estranheza&#8230; Adam nunca lhe tinha feito um elogio, mesmo quando os negócios do engomadinho iam bem. Além do mais, com tantos carros melhores, mais novos e mais valorizados na loja, por que seria elogiada, justamente pela venda de um monte de lata velho, redondo e azul?&#8230; De qualquer forma, o fusquinha vendido ontem era da cor do céu, da cor de suas esperanças ressuscitadas e da cor da salvação de seu emprego&#8230; Aquilo fez Iracema mudar seus conceitos sobre seu patrão, antes tão intransigente e amargo, agora um pouco mais relacionável&#8230;</p>
<p>Seis e meia da tarde, calor de vinte e oito graus naquele vinte de dezembro&#8230; Encosta na frente da revendedora aquela mancha azul-celeste, da cor dos desafetos do Adam, da cor da esperança de Iracema, da cor dos sonhos do João que adentra ao estabelecimento com um sorriso estampado no rosto, há tempos não visto&#8230; Cumprimenta Adam e espera ansioso pela liberação da sua morena. Adam aproxima-se de Iracema resmungando a meia boca:<br />
Você está namorando esse professorzinho?</p>
<p>Sim! Algum problema?</p>
<p>Não! Só para perguntar&#8230;<br />
De fora do balcão, João cumprimenta a razão do sua alegria:<br />
Oi Cema!</p>
<p>Oi amor! Já estou indo!&#8230;<br />
Antes de entrar no carro, Nosso apaixonado João a convida para fazer um lanchinho a noite, mas antes passa em casa para que ela e sua mãe sejam apresentadas&#8230;</p>
<p>Oi, mãezinha? Melhorou?<br />
Sim, meu filho! Acho que era a poeira, a chuva de hoje a tarde acabou com minha tosse&#8230;<br />
Se cuida, minha véia!&#8230; Olha, esta é Cema, minha namorada&#8230;</p>
<p>De cara, dona Áurea não gostou muito da morena dos cabelos negros cor da noite, cor de sua preocupação, cor de sua desconfiança&#8230; As mães sempre enxergam muito além da percepção de seus filhos, ainda mais uma senhora experiente de sessenta e oito anos&#8230; Porém conteve-se:<br />
Muito Prazer!</p>
<p>O prazer é meu!<br />
Por meia hora, a jovem foi submetida ao interrogatório típico das mães que recém conhecem sua nora: Onde mora&#8230; Quantos anos tem&#8230; Quem são seus pais&#8230; Onde trabalha&#8230; Como conheceu seu filho&#8230;</p>
<p>Em seguida, passam na casa de Iracema para ela tomar banho e se trocar para a ocasião. Ao sair do quarto, parecia ainda mais linda: Pela primeira vez, João a via sem o uniforme de trabalho. Trajava um vestido azul, da cor de seus sonhos um pouquinho escurecido, revelando enfim as curvas perfeitas daquela morena dos cabelos lisos e cheirosos, com os ombros e as costas a mostra, deixando nosso sonhador ainda mais apaixonado.</p>
<p>Fizeram seu primeiro lanche a sós, numa lanchonete simples do centro da cidade&#8230; A sobremesa: Amor&#8230; dentro do fusquinha azul, da cor de seus sonhos e do prazer mútuo que pela primeira vez sentiam com aquela intensidade. O vestido já não importava mais, pois começavam a conhecer-se um ao outro integralmente, e para isso, as roupas não eram bem-vindas.</p>
<p>Com os bancos reclinados, contemplavam a lua cheia pela janela, trocando carícias que já previam o próximo ato&#8230; Estavam felizes: João, sentia-se jubiloso pelos dois sonhos realizados: o carro e o amor&#8230; Cema, pela primeira vez em muitos anos, sentia-se feliz na companhia de outra pessoa&#8230; Estava selado o compromisso entre duas almas que se completavam através de suas diferenças. O restante do mundo não interessava. O momento era de intensa paixão&#8230; E quando dois seres estão apaixonados tudo fica mais bonito&#8230;</p>
<p>No fundo do pensamento de ambos, se desenhava um futuro feliz, um namoro curtinho, um casamento longo, casa própria, filhos&#8230; Uma nova família&#8230; Não conversavam sobre isso, mas os olhares revelavam as intenções mais coesas&#8230;<br />
www.portalcacador.com.br</p>
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		<title>O branco que incomoda</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Mar 2012 18:46:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Márcio Goes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[branco]]></category>

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		<description><![CDATA[Aconteceu de novo!&#8230; Estou diante do computador, BR office aberto e uma página quase em branco&#8230; Será que José de Alencar também passou por isso? Ele que foi o primeiro escritor brasileiro a fazer literatura com a cara do Brasil, teria se deparado com um momento de branco total sem cara nenhuma?&#8230; Teria Machado de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aconteceu de novo!&#8230; Estou diante do computador, BR office aberto e uma página quase em branco&#8230; Será que José de Alencar também passou por isso? Ele que foi o primeiro escritor brasileiro a fazer literatura com a cara do Brasil, teria se deparado com um momento de branco total sem cara nenhuma?&#8230; Teria Machado de Assis ficado também sem um pingo de criatividade para escrever em algum momento de sua vida célebre? Seria ele, pelo menos por uma vez, protagonista de uma narrativa em branco nas páginas da história da Língua Portuguesa?&#8230; E o que dizer de Érico Veríssimo? Em algum momento as Vidas Secas estiveram na situação de vidas vazias e sem conteúdo?&#8230;</p>
<p>Se os grandes escritores, sobretudo os cronistas, passam por isso, eu não sei. Só sei que os meia-boca passam&#8230; Sou um deles&#8230; Como diria Raulzito: “humano, ridículo, limitado que só usa dez por cento de sua cabeça animal”&#8230; Alguns discutem, batem de frente, fazem greve, lutam por seus direitos, não se entregam jamais à tirania&#8230; Eu, simplesmente escrevo e acho que faço um pouco de todo o resto desta maneira, menos usar armas&#8230;</p>
<p>Mas meus dez por cento de inteligência resolveram também fazer greve hoje&#8230; Não vem nada à cabeça, não passa nada por esse cérebro passional pela educação e criativo&#8230; Quer dizer, no momento, nem tanto&#8230; Tentei imaginar tudo lilás, acender incenso, meditar, recitar um mantra e tudo o que consegui foi pegar no sono&#8230; Nenhuma palavra bonita visitou minha mente para escrever aqui e “matar a pau”&#8230; Palavras bonitas enganam muita gente, enobrecem muita gente, empobrecem outros tantos e elegem muitos dos nossos representantes que, depois esquecem as palavras e partem para a ação&#8230; Ação em favor daqueles que pagaram pelas palavras bonitas ditas no horário eleitoral e não daqueles que as ouviram&#8230; Atitudes que beneficiam os financiadores das cestas básicas e das ordens de combustível e não dos pobres de bolso e de espírito que venderam seu voto&#8230;</p>
<p>Porém, a verdade é cruel: não tenho palavras, tampouco ações para realizar neste momento, sou mais uma página em branco na história da literatura e das lutas populares&#8230; Espero recuperar minhas ideias que se transformam em palavras neste teclado, antes que o Bial chame seus heróis do zoológico humano lá dentro da caixinha preta que nos permite economizar cérebro, pois se eu me ligar na poderosa do “plim plim” com a cabeça vazia, talvez não sobre cérebro sadio para contar a história dentro deste crânio que sustenta a cabeça deste corpo que vos escreve&#8230;</p>
<p>Céus!&#8230; O que aconteceu comigo?&#8230; Quase seis anos escrevendo por paixão às letras, por amor às causas populares e em defesa de uma escola pública de qualidade e agora nada me ilumina o suficiente para merecer uma crônica&#8230; Uma lástima!&#8230; Deve ser um surto de falta de consciência&#8230;</p>
<p>Não ter assunto é muito embaraçoso para quem recebe uma visita e fica sentado no sofá da sala ouvindo a grama crescer lá fora, para as comadres e compadres que repartem esperanças e temores passando a cuia de chimarrão de mão em mão, para os fofoqueiros de plantão. Mas é catastrófico para um escritor&#8230; Escritor sim!&#8230; Apesar de alguns engravatados que sentam na cadeira de quem pensa que manda não gostarem deste título, eu o assumo: sou escritor&#8230; Exatamente, um escritor professor, imperfeito em ambas as situações, mas que está aí tentando fazer alguma coisa para compartilhar seus ideais e procurando ser melhor a cada dia&#8230; Se eu quero aparecer?&#8230; Sim!&#8230; E quem se incomoda com isso, deveria fazer o mesmo&#8230; Sei que existem muitos e muitos talentos para a literatura escondidos por aí e só não se mostram por falta de oportunidade, ou por medo do que os outros vão pensar&#8230; Apareçam! Se mostrem e parem de se incomodar com alguém que ama a palavra escrita e só quer divulgar suas ideias, mesmo sem nunca ganhar um centavo com isso&#8230;</p>
<p>Vivemos num país que garante o direito de livre expressão&#8230; Tentaram calar minha voz, não conseguiram&#8230; Tentaram de novo, conseguiram parcialmente&#8230; Tentaram uma terceira vez e, de novo não tiveram sucesso&#8230; Enquanto os grandes continuarem tentando me emudecer, continuarei com a certeza de que os pequenos necessitam de minhas palavras. Até porque sou um deles, portanto, meus textos sempre serão de autoajuda&#8230;</p>
<p>É tudo muito lindo, mas estou amarrado pela falta de assunto&#8230; Não tenho nada a declarar&#8230; Opa! Esqueci que estou proibido de escrever esta frase&#8230; O jeito é me render ao monstro devorador de cérebros chamado televisão, que entra em nossos lares sem pedir licença, divulgando tudo aquilo que os maus pensadores querem pôr na cabeça dos desprovidos de pensamento como eu neste momento&#8230; Sou um prato cheio para eles, pois uma cabeça vazia é um excelente objeto de dominação&#8230;</p>
<p>Deus me livre de esvaziar meus pensamentos todos, principalmente aqueles que se referem a meus ideais e minha ideologia, sobretudo antes de me entregar à caixinha preta que economiza cérebro&#8230; Não quero ser espectador da vida. Quero e preciso ser protagonista da minha história&#8230; Quero e preciso alertar meus jovens estudantes da diferença que faz o fato de eles também serem protagonistas da própria história&#8230;</p>
<p style="text-align: right;">
<strong> Márcio Roberto Goes</strong><br />
<strong></strong><strong> www.portalcacador.com.br</strong><br />
<strong> www.cacador.net</strong></p>
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		<title>Sonhos Azuis &#8211; CAPÍTULO X</title>
		<link>http://www.marciogoes.com.br/2012/03/sonhos-azuis-capitulo-x.html</link>
		<comments>http://www.marciogoes.com.br/2012/03/sonhos-azuis-capitulo-x.html#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 22 Mar 2012 17:13:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Márcio Goes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sonhos Azuis]]></category>

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		<description><![CDATA[Dezoito horas e vinte minutos, João chega de carona com Teófilo, talão no bolso, esperança no coração: Obrigado Teófilo! De nada! Precisando, é só chamar&#8230; Adentrando ao portão, avista em primeiro plano o fusquinha da cor de seus sonhos, em segundo plano, Adam com um olhar de cobiça e atrás do balcão, Iracema, que olha [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dezoito horas e vinte minutos, João chega de carona com Teófilo, talão no bolso, esperança no coração:</p>
<p>Obrigado Teófilo!</p>
<p>De nada! Precisando, é só chamar&#8230;</p>
<p>Adentrando ao portão, avista em primeiro plano o fusquinha da cor de seus sonhos, em segundo plano, Adam com um olhar de cobiça e atrás do balcão, Iracema, que olha timidamente e o cumprimenta acenando discretamente com a mão. O microempresário mercenário o recebe no meio do caminho:</p>
<p>E aí João&#8230; Pronto para fechar negócio?</p>
<p>Sim! Como faremos?</p>
<p>Você pode dar uma entrada de R$270,00, mais nove cheques no mesmo valor?</p>
<p>Acho que sim!</p>
<p>Então pode dirigir-se até o balcão que minha secretária vai preencher os cheques e predatá-los.</p>
<p>Cada passo que ele dava em direção ao balcão parecia mais um degrau vencido na escala até o paraíso. Ao aproximar-se, pôde sentir o perfume que parecia estar sendo usado especialmente para aquela ocasião pela sua musa dos cabelos longos cor da noite.</p>
<p>Iracema pegou o talão com a mão direita&#8230; João não pode deixar de observar: no anelar, um anel de Tucum, igual ao dele. Ela não usava nenhum anel na tarde de ontem &#8211; pensava com seus botões – Ou será que não prestei a devida atenção?&#8230; Melhor não perguntar nada&#8230; Enquanto preenchia os cheques, os dois seguiam uma conversa tímida, mas cheia de segundas intenções:<br />
Ao sair daqui, você vai onde, João?</p>
<p>Vou para casa&#8230;</p>
<p>Não tem nenhum compromisso?</p>
<p>Não!</p>
<p>Poderia me dar uma carona até minha casa? Adam não pode me levar hoje&#8230;</p>
<p>Era tudo que nosso sonhador queria&#8230; Não poderia perder esta chance, ou jamais se perdoaria&#8230; Era preciso arriscar, afinal estava fechando um negócio, fato que não o obrigava mais a voltar naquele local, a não ser para acertar a documentação e depois poderia nunca mais ver aqueles olhos da cor da noite e aquele sorriso encantador:<br />
Onde você mora?</p>
<p>Na Vereda dos trevos.</p>
<p>É do outro lado da cidade&#8230;</p>
<p>Sim! E a essa hora não tem mais ônibus até lá&#8230;</p>
<p>Eu moro aqui perto, no Sorgatto&#8230; Mas posso te levar, sem problema algum!</p>
<p>Só preciso organizar uns papéis&#8230;</p>
<p>João Esperava com o coração disparado, repleto de ansiedade e insegurança&#8230; Não dava para acreditar: Estava realizando dois sonhos no mesmo dia&#8230; Aliás pareciam continuar sendo sonhos&#8230; Sonhava acordado&#8230; Agradeceu a Deus, no fundo de seus pensamentos, enquanto observava a dona dos cabelos negros mais lindos que já vira terminar seu trabalho. Quando voltou à Terra, ouviu aquela voz doce dizendo:</p>
<p>Vamos?&#8230; Estou pronta.</p>
<p>Vamos!</p>
<p>Abriu a porta para ela, deu a volta no seu novo carro e entrou. Durante o trajeto de cinco quilômetros até a Vereda, não se conteve, perguntou curioso e admirado:<br />
Por que está usando um anel de Tucum?&#8230;</p>
<p>Porque ontem, vi um anel igual na mão do homem mais interessante que já conheci e resolvi fazer uma homenagem.</p>
<p>Você está exagerando&#8230; Não sou tudo isso.</p>
<p>Tem namorada?</p>
<p>Não!&#8230; E você?</p>
<p>Estou saindo de um relacionamento frustrante.</p>
<p>Quanto tempo faz?</p>
<p>Quase um mês! O cachorro me traiu com uma mulher casada&#8230;</p>
<p>Que pena! Você não merece uma coisa dessas&#8230;</p>
<p>É! Mas ele não pensava assim&#8230; Vira à esquerda na próxima esquina! A terceira casa é a minha&#8230;<br />
A casa era azul&#8230; da cor de seu fusca&#8230; da cor de seus sonhos&#8230; Tinha uma varanda grande na frente, onde ficaram por alguns minutos. João se preocupou com a situação.<br />
Seus pais não vão gostar da gente estar conversando na varanda de sua casa&#8230;</p>
<p>Meus pais já morreram&#8230;</p>
<p>Desculpe!</p>
<p>Moro com meus tios, mas eles não estão nem aí comigo. Voltam só amanhã de viagem&#8230;</p>
<p>Mesmo assim, não pega bem&#8230; Nós dois conversando aqui&#8230; Já anoiteceu&#8230; Os vizinhos podem falar&#8230;<br />
Não conseguia esconder o nervosismo e a insegurança, típicos do primeiro encontro. Iracema também, porém mostrava-se mais ousada. Foi a primeira a pegar na mão do João e olhar em seus olhos, dizendo ser aquele o dia mais feliz de sua vida. João retribuiu com um abraço longo o suficiente para acariciar todo o tronco de Iracema e sentir seu coração disparado junto ao dele&#8230; Estavam tão próximos&#8230; O rosto colado um ao outro, a respiração ofegante. Afastaram-se um pouco mantendo o abraço, cruzando os olhares novamente&#8230; os lábios tremiam&#8230; Nosso sonhador acariciou levemente a face macia de Iracema, aproximando-se um pouco para sentir mais de perto seu perfume, fechou lentamente os olhos&#8230; A linda morena, por sua vez, acariciou os cabelos do João até a nuca, puxando-o de vez&#8230; Os lábios finalmente se uniram&#8230; Foi um longo e apaixonado beijo, terminaram roçando as narinas enquanto João murmurava:<br />
Este é o dia mais feliz da minha vida&#8230;</p>
<p>Então temos algo em comum&#8230; Queria que esta noite nunca mais acabasse.</p>
<p>Só tem um jeito de não deixá-la terminar.</p>
<p>Como?</p>
<p>Quer ser minha namorada?</p>
<p>Já?&#8230; Assim?&#8230;</p>
<p>Quer ou não quer?<br />
Iracema estava com o coração e os lábios prontos para dizerem sim, mas resolveu usar aquilo que as mulheres têm de melhor e mais intrigante, uma faca de dois gumes: o charme dos joguinhos de sedução, que deixa qualquer homem louco:<br />
Não sei! Nos conhecemos ontem&#8230; Esse é nosso primeiro encontro&#8230; ainda não nos conhecemos direito&#8230;</p>
<p>Você está livre e eu também! Não é?</p>
<p>Sim!</p>
<p>Então, não temos nada a perder&#8230;</p>
<p>Sei lá!</p>
<p>O namoro servirá justamente para nos conhecermos melhor!<br />
Iracema, acabou cedendo aos argumentos do nosso sonhador de sonhos azuis e respondeu seu sim seguido de mais um longo beijo&#8230; O penúltimo da noite, pois quando se deram conta, já passava das dez horas e João não havia avisado sua mãe que demoraria tanto&#8230; Jamais havia saído sem avisar.<br />
Preciso ir, querida!</p>
<p>Já?&#8230; Fique mais um pouco comigo!</p>
<p>Não avisei minha mãe que demoraria.</p>
<p>Está certo! Cuide dela enquanto a tem.</p>
<p>Amanhã, posso buscá-la no trabalho?</p>
<p>Com certeza!</p>
<p>Despediram-se, finalmente com um beijo cheio de carícias&#8230; João, sentia-se novamente um adolescente que encontra sua primeira namorada. Ao chegar em casa, descarrega na buzina toda a sua alegria e entra porta a dentro gritando:<br />
Tô namorando, mãe!&#8230; Tô namorando!&#8230;</p>
<p>Quem é a moça?</p>
<p>A senhora não conhece, mas logo a trarei aqui para vocês se conhecerem&#8230; Como vai a tosse?</p>
<p>Melhorou um pouco&#8230;</p>
<p>Se ver que não melhora, vamos no plantão consultar&#8230;</p>
<p>Não se preocupe, meu filho&#8230; Mas, me fale mais de sua namorada.</p>
<p>Calma, mamãe&#8230; Logo a senhora a conhecerá&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Comeu o jantar que sua mãe havia preparado a sua espera, enquanto contava sobre sua nova aquisição:<br />
Fechei negócio&#8230; O fusca já é meu&#8230; Vou pagar com nove cheques e hoje já dei uma entrada.</p>
<p>Que bom! Eu também gostei do teu fusquinha&#8230; Vou me deitar.</p>
<p>Qualquer coisa me chame&#8230; Bença mãe!</p>
<p>Deus te abençoe, meu filho!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Www.marciogoes.com.br<br />
www.portalcacador.com.br</p>
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		<title>Sonhos Azuis &#8211; CAPÍTULO IX</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Mar 2012 17:05:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Márcio Goes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caçador]]></category>
		<category><![CDATA[Sonhos Azuis]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; Adam, pediu que sua funcionária os acompanhasse propositadamente, para ficar mais a vontade e ligar para sua loirinha querida de olhos azuis: … Mas querida, eu vou me separar dela&#8230; É só uma questão de tempo&#8230; Pode separar&#8230; Vai ficar sozinho, porque eu não quero mais aturar um cachorro que se importa com o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p>Adam, pediu que sua funcionária os acompanhasse propositadamente, para ficar mais a vontade e ligar para sua loirinha querida de olhos azuis:<br />
… Mas querida, eu vou me separar dela&#8230; É só uma questão de tempo&#8230;<br />
Pode separar&#8230; Vai ficar sozinho, porque eu não quero mais aturar um cachorro que se importa com o mundo todo, menos comigo&#8230; E não me chame de querida, seu cretino!</p>
<p>Na verdade, ela só procurava um pretexto para terminar tudo&#8230; E conseguiu:</p>
<p>Você não pode fazer isso comigo&#8230; As coisas não se resolvem assim, de uma hora para outra!<br />
Eu estou decidida!&#8230; Pode continuar tua vidinha medíocre com aquela mocreia de cabelo queimado&#8230; Tchau! Até nunca mais!&#8230;</p>
<p>Queria tentar ligar novamente, mas ouve se aproximar o ruído da lata velha azul, da cor de seus desassossegos. João sai do automóvel meio atordoado pela experiência de dirigir pela primeira vez um fusquinha, ainda mais acompanhado de sua nova paixão. Adam se aproxima:</p>
<p>Então, João&#8230; Fechamos negócio?</p>
<p>Precisa fazer alguns reparos. Está aqui a lista&#8230;</p>
<p>Certo! Pode levá-lo e passar o dia com ele. Traga-o amanhã para levarmos à oficina a fim de fazermos os reparos.</p>
<p>Quanto está pedindo nele?</p>
<p>Dois mil e quinhentos&#8230; À vista podemos negociar um preço melhor.</p>
<p>Em quantas vezes podemos fazer?</p>
<p>Não dá para financiar, mas podemos fechar negócio entre nós mesmos&#8230; Trabalha com cheque?</p>
<p>Sim!</p>
<p>Quanto pode pagar por mês?</p>
<p>Não mais do que trezentos&#8230;</p>
<p>Aí fica difícil&#8230; Mas volte amanhã com o talão e conversamos melhor&#8230;</p>
<p>Então combinado&#8230; Até amanhã!</p>
<p>Até!</p>
<p>Já dentro de seu sonho azul que estava a algumas folhas de cheque de ser seu, pergunta ao Teófilo, enquanto aciona a chave:<br />
Não tinha ração?&#8230; Porque voltou de mãos vazias?</p>
<p>Eu nem entrei na loja!</p>
<p>Por quê?</p>
<p>Só queria deixar os dois pombinhos a sós&#8230;</p>
<p>Você não presta mesmo! Aceita um café?</p>
<p>Sim! Mas já é quase hora de almoço&#8230;</p>
<p>Então&#8230; Aceita um almoço?&#8230;</p>
<p>Pode ser&#8230;</p>
<p>Foram então para a casa de João que chegou cravando a mão na buzina. Sua mãe, ao ver a barulheira, vai conferir da janela:</p>
<p>O que é isso meu filho?</p>
<p>Não estamos mais a pé, mamãe!</p>
<p>Estou vendo!</p>
<p>Cheguem que o almoço tá na mesa!</p>
<p>Enquanto almoçavam, João chegava a ser insuportável de tanto que falava de seu fusquinha azul: Dizia que era meio durão para dirigir, muito diferente dos carros da autoescola, falava da lataria inteira, apenas com alguns arranhõezinhos&#8230; O volante ainda era original, queria trocá-lo por outro um pouco menor o mais rápido possível&#8230; Dizia que os estofados eram quase novos&#8230; Gostava até do ronco do motor 1500&#8230; Destacava que seu fusquinha subia qualquer morro em terceira marcha&#8230;</p>
<p>Enquanto conversavam, notou que sua mãe estava com uma tosse insistente:<br />
O que é isso mãe?</p>
<p>Não sei! Amanheci com esta tosse&#8230; Deve ser gripe!</p>
<p>É o cigarro!</p>
<p>Não! É só uma tosse passageira.</p>
<p>Se não melhorar, eu a levo ao médico.</p>
<p>Não precisa&#8230; Hoje à noite eu fervo um chá antes de dormir e amanhã amanheço bem.</p>
<p>Se cuida, minha véia!&#8230; Quer dar uma volta de fusca? Vou levar o Teófilo em casa depois do almoço. Se a senhora quiser, pode vir conosco.</p>
<p>Tenho que lavar a louça.</p>
<p>Nós a ajudamos.</p>
<p>Levaram, então o Teófilo e deram mais umas voltas a bordo daquele fusquinha, foram até a casa de sua irmã mostrar a novidade:<br />
Boa tarde, Anita!&#8230;</p>
<p>Boa tarde, João! Tá motorizado agora&#8230;</p>
<p>Amanhã vou fechar negócio&#8230; Já é quase meu. O que achou?</p>
<p>Tá inteiro, né?</p>
<p>Anita também estranha a tosse de Áurea:<br />
Mamãe, que tosse é essa?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Deve ser uma virose. Não se preocupe minha filha.</p>
<p>A senhora precisa se cuidar&#8230; Não é mais nenhuma menininha&#8230;</p>
<p>Hoje eu tomo um chá antes de dormir e amanhã estará tudo bem.</p>
<p>Depois de alguns minutos de conversa, ao se despedir de João, Anita cochicha em seu ouvido:<br />
Leve a mãe ao médico&#8230; Não espere muito.</p>
<p>Farei o possível, mas não quero obrigá-la&#8230;</p>
<p>Temos que cuidar de nossa velhinha!</p>
<p>É verdade maninha.</p>
<p>Nosso sonhador de sonhos azuis passa a tarde a bordo do fusquinha da cor de seus sonhos, afim de aprender todas as manhas. Na manhã seguinte, leva-o novamente até a revendedora para os reparos. Quando vê Iracema, parece que seu coração vai saltar pela boca, mas procura ser discreto&#8230; O mesmo acontece com ela que pergunta preocupada:<br />
A que horas você vem buscar seu fusca?</p>
<p>Adam me disse que estaria pronto no final da tarde.</p>
<p>Correto! Então pode vir um pouco antes das seis e meia, hora do final de expediente.</p>
<p>Na saída, encontra Teófilo com seu fusca areia que para ao avistá-lo:<br />
Tá indo onde?</p>
<p>Para casa&#8230;</p>
<p>Quer uma carona?</p>
<p>Aceito!<br />
Passaram o dia novamente juntos. João não tirava da cabeça seu sonho de fusquinha nem seu sonho de mulher.<br />
Www.marciogoes.com.br<br />
www.portalcacador.com.br</p>
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