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“Eu sô assim memo”

Alguém me disse que eu não sei dar aulas… Graças a Deus! É a mais pura verdade… Nem quero aprender… A educação está cheia de pesos mortos dadores de aula que se acham os gênios só pelo fato de manterem cheios os cadernos dos alunos e a lousa… Cheios de
palavras, fórmulas, regras, padrões e conceitos que, na sua maioria, jamais serão úteis na vida prática e profissional do aluno… Pior: Isso tudo não ajudará nem um pouco no crescimento pessoal de nossos estudantes sedentos por conhecimento de verdade…

Os dadores de aula não se importam com a realidade dos alunos, como a maioria dos gestores que gosta mesmo é de ostentar números e mais números, se gabando que investiram tanto aqui, tanto ali, não sei quanto acolá, mostrando uma educação de vitrine que prima por construções faraônicas e vazias… Até hoje, não vi nenhum engravatado enxergando a educação com os olhos do coração. Sentem-se na obrigação de mostrar grandes obras a fim de angariar votos para o próximo pleito. E o povo que já depositou seu voto de confiança na esperança de ver uma representação realmente popular? Ah! Este fica em segundo plano e quando se aproximarem as próximas eleições, certamente será lembrado de novo… Eles sempre lembram de nós na campanha…

Como dador de aula, eu deveria carregar pilhas de livros cheios de exercícios que só ajudam a fazer o aluno tentar pensar como o professor, achando que agradando àquele que dá aulas, conseguirá melhores notas… Os dadores de aula têm esta prática. Ainda bem que estou fora deste grupo… Não sei dar aula, principalmente de cima para baixo, vomitando palavras e ideias bitoladas em conceitos de pessoas que não conhecem nossa realidade e exigindo que meu aluno tenha a mesma prática, deixando de ser protagonista de sua própria história…

Não consigo pedir uma produção de texto sem antes organizar um debate, por menor que seja, sobre o assunto que deve ser abordado. Não consigo inscrever meu aluno num concurso de redação sobre a semana do idoso sem colocá-lo de frente com a situação… Tampouco sei fazer isso sem ajudá-lo a questionar sobre nossas atitudes diante dos nossos anciãos… Será que liberamos nosso lugar no ônibus para eles? Temos conhecimento do Estatuto do Idoso? Fazemos cumprir a lei que os defende?…

Não sou perfeito. Tenho plena consciência disso. Preciso melhorar, e muito… Porém, se for para eu melhorar e virar um dador de aulas, prefiro continuar imperfeito, mesmo sofrendo duras críticas…

Não se educa só nas quatro paredes da sala de aula. Educa-se nos corredores, nos abraços despretensiosos entre professores e alunos que às vezes até os leva ao chão, na hora do recreio, no contra-turno  e até fora da escola… Quantos dos nossos alunos são
visitados por nós em sua residência? Conhecemos sua realidade, o bairro, a rua onde moram?… Temos algum laço afetivo com eles,
sentimos alegria nas suas vitórias e tristeza nas suas derrotas na certeza de que, onde quer que estejam, um pouco de nós estará lá
também?… Sabemos de suas famílias, de seus problemas, esperanças e temores?… Ajudamo-los a vencer os obstáculos que a vida os
proporciona?…

Não faremos nada disso enquanto formos míseros e fétidos dadores de aula, só esperando o final do mês para recebermos aquele salário com um pequeno reajuste conquistado com mais de sessenta dias de greve… Só conseguiremos transformar, realmente, a educação quando agirmos com o coração… E isso só realiza quem abdica o trono de dador de aula em favor de um profissional transformador de vidas, começando inevitavelmente pela sua…

One Comment

  1. cristina
    cristina 30 de outubro de 2011

    parabens….Ainda que impere o silencio….o mundo e redondo e acredite pessoas que nos ofende na estrada da vida a gente se encontra mas em posições diferentes!

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