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Educação de Vitrine

Publicado em:
30/05/2008: www.cacador.net
31/05/1008: Jornal Informe

A bandeira da qualidade de ensino é levantada, constantemente, por muita gente (educadora ou não), por este “Brasilzão” de meu Deus… Porém, parece que a concepção de qualidade de educação tem entendimentos distintos nos diferentes poderes que nós elegemos.

Para uns, um ensino de qualidade resume-se em disponibilizar livros didáticos. Isso, depois de reunir os professores a fim de realizarem a escolha que quase nunca é respeitada… Até hoje, em nenhuma das escolas públicas por onde passei, tive a felicidade de receber o livro didático escolhido pela equipe. Aliás, o corpo docente raramente é consultado para as principais escolhas da escola: material e livro didático, aplicação do orçamento; e a principal delas: o diretor escolar, que sempre é nomeado de cima para baixo, buscando os interesses de quem está no poder, desprezando toda uma equipe que merece ter a chance de escolher seu chefe imediato. Seria perfeitamente normal, num país democrático que a democracia começasse dentro dos educandários públicos, afinal, na maioria dos PPPs (Projeto Político Pedagógico) das escolas encontram-se frases muito bem construídas remetendo para a tal “educação para a cidadania”.

Para outros, os “descentralizados”, a qualidade de ensino resume-se em obras faraônicas, amplas, modernas, grandiosas… E ocas… Isso mesmo!… Grandes cascas verdes e vazias!… Vazias de material didático satisfatório e de equipamentos suficientes para manter laboratórios e cursos técnicos oferecidos “a toque de caixa”. Obras que desrespeitam os padrões de estrutura e segurança necessários na comunidade em que foram construídas, obrigando professores e funcionários a fazerem “milagres” com o pouco (ou nenhum) material que lhes é fornecido, além de conviverem com a indignação da comunidade escolar e a depredação criminosa… Estas obras são lindas e maravilhosas por fora, no entanto, o interior está lastimável. Mas isso não tem a menor importância, pois na verdade, só servem de vitrine para a politicagem mesmo.

Ainda têm aqueles crentes que a educação de qualidade se dá através de lindos e inúteis portais, que na verdade, de lindo não têm nada, já que se encontram incompletos e até ocupam parte do muro que é derrubada e substituída por uma prótese de chapa de compensado, dessas usadas em caixaria nas construções.

Por último, porém não menos importantes, merecem destaque aqueles que insistem na idéia de que a qualidade do ensino público se resume em duzentos dias letivos por ano, dando preferência infinitamente maior à quantidade.

Desta forma, pode se concluir que, para melhorar a educação é necessário, inegavelmente, investimentos generosos em livros didáticos de qualidade, em construção e melhorias de escolas públicas. Porém, isso não basta e de nada vale quando não há um investimento pesado no conhecimento e formação de alunos e professores, equipamentos para laboratórios, e valorização dos profissionais da Educação… E principalmente, quando não se consulta, nem se respeita a vontade dos principais envolvidos no processo ensino-aprendizagem: A comunidade escolar, composta por corpo docente, discente, administrativo e demais funcionários, além dos pais e familiares… De nada adianta investir na vitrine, se o interior revela-se falho e contraditório.

Márcio Roberto Goes

Professor e escritor

7 Comments

  1. nauana
    nauana 14 de junho de 2010

    oi professor adorei suas crônicas

  2. margarida frois
    margarida frois 9 de novembro de 2009

    Concordo em absoluto, lamento é que nem todos os educadores e essencialmente os professores tenham a humildade de assumir essa realidade. Cada vez mais, nas escolas, se vive para o show – off e pouco para o ensino, cada vez mais se fazem bonitos discursos no papel e se descura a prática pedagógica, essa sim devia ser a vitrine da educação.

  3. Ali
    Ali 27 de fevereiro de 2009

    Olha que de portal em portal eles encheram as urnas!!!

  4. silmar bohrer
    silmar bohrer 7 de junho de 2008

    Saiba quesou seu leitor há bastante tempo, como se estivesse lendo o Cony, o Luiz Fernando Veríssimo, o Carlos Drumond de Andrade em crônicas, e tantos outras desta estirpe de escritores que falam do nosso cotidiano. É que nós precisamos realmente tornar públicos tantos fatos e situações que o senso comum nem se dá conta. Aí entra o cronista enxergando, mostrando e analisando dentro da sua ótica as coisas boas e bonitas da vida, como também as barbaridades e as bandalheiras que vemos e ouvimos comentarem na mídia todo santo dia. Tenho sido um cronista bissexto mas os meus versos de cada dia são recheados da Poesia do mundo e das misérias vividas pelos bicho-homem, espécie da qual o amigo também faz parte. Vá em frente, meu escriba, que estarei aqui a ler-te e aplaudi-lo de pé. Um grande abraço.

    Silmar Bohrer

  5. FRAN RODRIGUES
    FRAN RODRIGUES 5 de junho de 2008

    ADMIRO MUITO VC,VC É O MEU PROF QUERIDO

  6. FRAN RODRIGUES
    FRAN RODRIGUES 5 de junho de 2008

    ADOREI PROF CONTNUE ASSIM, VENCER NEM SEMPRE,PERDER AS VEZES DESISTIR JAMAIS.!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! ASS FRANCIELE VANESSA RODRIGUES

  7. Liliane
    Liliane 2 de junho de 2008

    Parabéns pelo texto, Márcio. Concordo de “cabo a rabo” com você. A educação, atualmente, é banalizada principalmente pelos políticos que usam de prédios escolares enormes para propaganda política de partidos e mais partidos. Quanto aos gestores, precisamos urgentemente, de eleições para escolher quem vai administrar nossas escolas, caso contrário, continuaremos vendo diretores sentados, de braços cruzados, ganhando sua porcentagem a mais no salário e mais nada.

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