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E VAI SEGUINDO A PROCISSÃO…


08/06/2007
CAÇADOR ONLINE
09/06/2007
JORNAL INFORME

Todos os caminhos levam para a praça… Aliás, caminhos enfeitados com o maior bom gosto e dedicação da população católica e adoradores da Eucaristia…

Tudo pronto, às três da tarde começa a celebração, os mais dedicados posicionam-se perto do caminhão-palco que na ocasião faz o papel de altar, já os menos devotos ficam nos arredores, “comendo pelas beiradas” e juntando-se aos atrasados. Quanto mais longe do altar, menor atenção é prestada à celebração, que segue maravilhosa, presidida pelo bispo diocesano… por vezes avista-se uma enorme estaca passando pela multidão… Talvez seja uma cruz, mas olhando mais de perto, percebe-se que a tal cruz está cheia de algodão doce dentro de saquinhos de plástico acompanhados de uma máscara de super-herói ou de algum personagem de desenho animado para chamar a atenção da criançada… Aliás, aos mais distantes, tudo chama a atenção, menos a celebração: o camelô que vende Cds originalmente copiados e pirateados, pensando na economia do povo que raramente tem dinheiro para comprar um original (se pelo menos fosse CD de músicas católicas, ainda teria alguma lógica)… A barraca de churros que pouco se importa com o Cristo passando à sua frente ao alcance do povo através do milagre da transubstanciação: com certeza o filho de Deus não pararia naquele momento para degustar um churro depois de ter repartido o pão da vida onde Ele próprio encontra-se presente…
Além disso, muitos outros aspectos físicos, sociais e ideológicos, altamente instrutivos tomam conta do ambiente enquanto o Cristo passa: O vestido novo daquela vizinha chata que insiste em ser melhor e mais bonita que a dona dos olhos que a observam; A careca branca com uma mancha marrom bem no meio, daquele senhor que só tira o chapéu em ocasiões especiais (e para ele essa é uma delas); A vitrine daquela loja que vende tudo a perder de vista, com juros exorbitantes que certamente não caberão no bolso, mas acredita-se que sim: a barraquinha que vende bonecas de porcelana e lembrancinhas da cidade confeccionadas em pedaços de madeira-de-lei altamente ecológicas; Os amigos que não se viam há tanto tempo; o celular que toca aquela música polifônica do RBD anunciando uma ligação que vem numa hora altamente oportuna (talvez para seu proprietário sim)…
Enquanto isso, os de coração puro, seguem Jesus e rezam por aqueles que apenas realizam um passeio extra nas ruas da cidade em cima de um tapete de maravalha e doações construído com muita fé e dedicação por outros corações que não se pesam em levantar cedo no feriado para preparar a celebração religiosa e histórica de Corpus Christi.
Apesar de tudo, percebe-se que a fé de um povo é maior do que qualquer outra força social existente no mundo moderno e não pode, de maneira alguma ser subestimada, pois milagres acontecem quando existe a fé e a esperança, conquistadas por amor ou pela dor, nos casos mais graves…
A fé conforta e dá uma nova injeção de ânimo nos fiéis, sejam católicos, evangélicos ou de qualquer outra confissão religiosa, pena que este é um detalhe ainda a ser descoberto pela maioria dos batizados na maior igreja cristã do Brasil.

Márcio Roberto Goes

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