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DOMINGUINHOS


04/10/2007
CAÇADOR ONLINE
06/10/2007
JORNAL INFORME

Ultimamente tenho vivido momentos marcantes pelas escolas onde passo, e afortunadamente, tenho a inenarrável satisfação de relatar cada uma delas neste espaço.
Esta semana, mais precisamente na terça-feira, estive na Escola Estadual de Educação Básica Domingos da costa franco, onde também já lecionei por algum tempo, para “bater um papo” com alunos de sétima e oitava séries do turno matutino, sobre a importância da leitura diária e do exercício da produção de texto na vida dos estudantes.
Antes de adentrar à sala de Língua Portuguesa, avisto, na parede, algumas de minhas crônicas expostas para apreciação dos alunos. Fato que me deixou muito lisonjeado e me fez perceber, mais uma vez a importância e o compromisso intrínsecos nas palavras de um colunista semanal que procura relatar, “cronicando”, o cotidiano (bonito ou não) das pessoas ao seu redor.
Já no interior da sala, recebo das mãos da professora Andrieli Boeno, uma pasta com interpretações e ilustrações de alguns textos meus, como: “De quem é a vaca?… Buraquinho de rua… De pai pra filho… Bolacha recheada”, entre outros. Fiquei surpreso ao constatar que quando escrevemos, a partir do momento que existe um receptor, vamos muito além das palavras. Encontrei alí, alunos curiosos, esperando por uma palavra minha… Novamente pensei na influência imediata das palavras para a vida desta garotada… Apresentei-me e falei-lhes sobre o assunto solicitado. Em seguida sentei-me para responder perguntas e ouvir a leitura de alguns contos e crônicas produzidos em sala… Nova surpresa: ao final de cada leitura, lá estava o escritor boquiaberto, “sem palavras” para descrever tamanha satisfação ao ver alunos de uma escola pública, com poucos recursos, sem muitos livros nem internet, lendo e produzindo textos maravilhosos, com uma criatividade invejável a qualquer outra escola bem equipada e estruturada.
A cada visita passional que faço a um educandário, sinto-me mais esperançoso por uma escola pública de qualidade a curto prazo: basta não deixar “morrer” estas pequenas atitudes do corpo docente, que se tornam gigantes na vida de nossos adolescentes e jovens de ensino fundamental e médio. E esta é a maior missão de um educador: provocar mudanças (para melhor) na vida de seu aluno.
Está na hora de, a exemplo desta pequena escola, professores, alunos, pais e comunidade através das APPs, conselhos deliberativos, Grêmios estudantis e associações de moradores, unirem forças para lutar junto aos órgãos competentes por uma escola pública mais “humana e educadora”. Afinal, o direito a uma educação de qualidade equipara-se ao direito à vida, a saúde e ao lazer, garantidos pela nossa constituição e que não têm sido cumpridos plenamente pelas autoridades que não fazem mais do que entregar “cascas” de obras faraônicas de “escolas modelo”, muito espaçosas, porém sem a mínima estrutura necessária para um bom funcionamento… Prédios gigantes e maravilhosos, inaugurados nos últimos cinco anos que sediam duas escolas estaduais de nosso município, se deteriorando pela má qualidade e falta de manutenção, além de ter “laboratórios fantasmas”, totalmente vazios e bibliotecas que servem para tudo, menos para leitura… Não entendo porque, com tanta falta de estrutura em nossas escolas públicas, ainda tem gente que se preocupa em “pôr chifres em cabeça de cavalo”, tentando exonerar a direção que, tão somente tenta cumprir seu dever quanto a obrigatoriedade no uso do uniforme disponibilizado pelo governo estadual.
O que ainda me encoraja a continuar no magistério, são exemplos como este da “Dominguinhos”, que investem na edificação do ser humano, através da leitura e produção de texto. Cabe a nós e à comunidade, não deixarmos morrer idéias como esta.

Márcio Roberto Goes
Admirado e indignado

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