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Diário de um candidato…

 

Numa noite qualquer do final de junho de 2014,o presidente do partido me liga e me enche de perguntas… Como está a tua situação com a receita federal?… Respondeu algum processo ultimamente?… E o fuscão tá bão?… Após responder a primeira dizendo que está tudo certo, a segunda negativamente e a terceira positivamente, ele me joga a responsabilidade nos ombros. Precisamos de uma liderança popular para ser candidato a deputado estadual aqui em Caçador e o nome mais indicado é o teu…

Na hora não acreditei, pois em 2010 batemos na trave e acabamos sem candidato por aqui. Mesmo assim, depois de muita conversa, coloquei meu nome à disposição do partido e da democracia…

E o resultado veio logo. Meu nome foi aprovado em assembleia na executiva estadual. Uma vitória para o nosso partido em Caçador e para as causas populares… Eu sabia que a peleja não seria fácil, mas como diz o ditado: “Quem tem medo de viver, não nasce”… E resolvi encarar este desafio intensamente como sempre fiz com meus ideais… As pessoas ao meu redor se dividiram entre quem era contra e quem era a favor. Um amigo me chamou em particular e disse que era loucura, que eu jamais ganharia dos candidatos que se dizem poderosos, que eles jogariam sujo, que eu ia me corromper, que isso, que aquilo… Mas não tinha mais jeito, a documentação estava pronta: foto para a urna, histórico para o material de campanha, certidão negativa de protesto, declaração de bens (esta não demorou muito), etc.

Logo recebi apoio dos jovens que sempre amei e encararam este desafio de corpo e alma, de forma despretensiosa e voluntária. Gravamos o jigle no estúdio de um amigo, juntamos violão, acordeon, cajón e vozes depois de compormos a música de campanha em menos de cinco minutos… O resultado foi fantástico e, por onde passava o carro de som, as pessoas se alegravam, dançavam o baião, acenavam com a mão e muitas cantavam juntas o refrão… Me alegrei muito vendo a população cantando junto, não porque esperávamos um grande sucesso musical, mas pelo fato de ter sido composta com honestidade e coração, tentando revelar, em poucas linhas poéticas quais eram nossos ideais, nossas lutas e utopias…

Honestidade e coração… Esta frase foi ouvida, pela primeira vez da boca de nosso colaborador, Alexandre Cachoeira e adotada por nós como lema de campanha… Não sabíamos no que ia dar, mas estas palavras revelavam o que sentíamos falta na política, a honestidade e os sentimentos em favor do povo…

Primeira reunião de campanha. Ali estavam, numa sala, algumas das pessoas mais importantes da minha vida. Lembrei de minha mãe, falecida há dez anos. Imaginei como ela se sentiria orgulhosa ao ver seu filho mais novo candidato a deputado estadual. Tudo o que sou hoje, devo a ela que me ensinou a fé, a ética e a honestidade…

Fizemos uma campanha limpa, “batendo perna” em todos os bairros, conhecendo a realidade e conversando com o povo, esta, aliás, julgo ser a melhor experiência que adquiri na campanha, pois é o povo que tem que dizer do que realmente necessita… Vi a situação caótica dos bairros de Caçador e das cidades vizinhas, revelando que temos muitas autoridades “fazendo” grandes obras que não melhoram em nada a qualidade de vida do povão…

A cada queixa ouvida, eu e minha equipe questionávamos sobre a atuação da associação de moradores no debate e na busca de soluções para os problemas coletivos. Nossa surpresa foi perceber que as comunidades que recebem mais melhorias, são aquelas que têm associação de moradores bem organizada e uma população que questiona e busca soluções… Portanto, só melhoraremos, de fato, a vida do povo se formos conscientes a ponto de debater com as autoridades e ser ouvido por elas no que tange as necessidades da comunidade…

Claro que me apareceram muitas pessoas dispostas a vender o voto, afinal, foram assim acostumadas pela maioria dos candidatos no decorrer da história. Nossa resposta era a seguinte: Se eu trocar seu voto por algum favor, ou benefício, estaremos fazendo algo ilegal e imoral e você estará dando mais um voto de confiança par a corrupção, não tendo direito de cobrar ética dos políticos. Além do mais, as eleições são para escolher nossos representantes no legislativo e no executivo. Um político não deve fazer nada que beneficie a outrem em particular, sua função é trabalhar pelo bem coletivo… Nosso voto deve seguir o mesmo padrão: escolher alguém que trabalhe pelo bem coletivo…

Ao final da campanha 2014, percebe-se que nem sempre o vitorioso é aquele que tem mais votos. Para nossa equipe, a experiência de conhecer a realidade dos invisíveis foi uma grande vitória, pois, quando se faz a opção pelas causas populares, jamais se pesa para continuar a luta…

Márcio Roberto Goes

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