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Desabafo na licença

 

Apesar de tudo, é bom saber que muitos dos direitos adquiridos pelos trabalhadores ainda permanecem intactos… Como funcionários públicos do magistério estadual, também temos alguns direitos e, ao contrário do que se pensa, outros (muitos) nos foram furtados: não temos fundo de garantia e não somos regidos pela CLT (consolidação das leis trabalhistas), ou seja, a assembleia legislativa e o senado podem brigar até altas horas pelo ridículo aumento do salário mínimo que não nos afetará diretamente, até porque não temos a mesma periodicidade de reajuste salarial e precisamos “viver na luta” para ter nossos direitos garantidos e cumpridos na prática…

Mas os trabalhadores do magistério público estadual têm a possibilidade de usufruir da licença prêmio de três meses após cada quinquênio trabalhado… Que coisa boa! Apesar de sentir muita falta da sala de aula, estou feliz no gozo de uma delas. Quando soube que foi aprovado o pedido de licença, já comecei a fazer planos: Viajar, visitar meus parentes, estar mais com meus amigos e familiares e fazer algo pelas pessoas que, por ventura, precisarem da minha ajuda neste período… Mas muitos dos meus planos necessitam de dinheiro para serem concretizados e os vi despencarem no abismo do desânimo quando conferi meu contracheque…

Acontece que nossos governantes que têm aposentadoria vitalícia milionária garantida depois de deixarem o cargo, pensam que um professor em licença não precisa de dinheiro: não lhe faz falta a regência de classe, não lhe importam as aulas excedentes e não precisa comer, pois até o vale alimentação garantido por lei, some da folha de pagamento… O pior de tudo é que, em nenhum momento, li no estatuto do magistério público estadual de Santa Catarina, qualquer parágrafo que dissesse que um profissional usufruindo de licença prêmio perderia honorários, nem mesmo os abonos… Enquanto isso, o Luizinho, o Pininho, o Pavão Misterioso e tantos outros, usufruem de uma “modesta” aposentadoria vitalícia de mais de vinte mil reais mensais como ex-governadores. Uma para cada mandato, ou seja, quem foi re-eleito recebe em dobro…

O que será que passa pela cabeça destas autoridades quando veem um cidadão obrigado a trabalhar sobre condições precárias durante trinta e cinco longos anos para conseguir uma aposentadoria miserável de R$ 545,00?… Pelo jeito, não passa nada em suas mentes, pois já perderam a noção de justiça, mergulhados no dinheiro do povo que nunca vai lhes faltar, pois eles mesmos já garantiram seus direitos em tempo vergonhosamente recorde…

Tenho muito orgulho em ser professor da rede pública, sinto-me feliz em poder contribuir com o futuro de nossas crianças e jovens. Estou nesta profissão, que chega a ser uma filosofia de vida, por amor… E é o amor pela escola que me permite continuar nesta jornada, porém dependemos das decisões lá de cima e, quase nunca, o povo aqui de baixo é consultado e raramente têm seus direitos garantidos sem precisar lutar…

Já escrevi milhares de vezes e vou escrever de novo: “Até hoje, não vi nenhum político, eleito por nós que trabalhasse, realmente pelo povo”… O que vejo são vitrines eleitorais que, no fundo, valorizam seus “amiguinhos” que financiaram a campanha esperando o (des)merecido retorno daqueles que já foram eleitos “com o lombo” cheio de encostos e compromissos firmados longe das vistas dos eleitores…

A eles, nosso voto de confiança… A nós o descaso deles… Quem não acredita, faça uma visita às nossas escolas públicas e verá prédios praticamente novos interditados, cursos técnicos sem a mínima estrutura necessária para um bom aproveitamento, uma merenda terceirizada cujos funcionário que a fazem raramente recebem salário… Claro que o lanche é de qualidade nunca vista na escola pública, mas os trabalhadores que a produzem deveriam ser merecidamente valorizados… Sem falar na desvalorização dos profissionais da educação, cuja recompensa por uma vida inteira de estudo é um salário que, nem de longe se equipara com outros profissionais com o mesmo nível de formação… E durante a licença, do pouco que nos foi garantido, metade é abortado… Uma lástima!…

www.cacador.net

www.portalcacador.com.br

Jornal Folha da Cidade – Caçador, SC

Um Comentário

  1. Joselha
    Joselha 6 de março de 2011

    Márcio
    Concordo com o que você escreveu e tem mais nem o prêmio assiduidade que pagarão o ano que vem vai receber mesmo de depois de sua licença não falte nenhum dia.

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