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Cumpra-se

Não sei até quando um povo suporta ser pisado, massacrado e humilhado…
Só sei que, na qualidade de professor, estou indignado vendo nossa
classe ser tratada igual a porcos que ficam com os restos dos
outros… Qualquer profissão a nível superior, tem valorização
muito maior que a nossa em qualquer instância, seja particular ou
pública nas esferas municipais, estaduais, ou federal…

Tenho muito orgulho em ser professor, sinto muita vergonha pela falta de
consideração de alguns colegas que não lutam pela classe e,
principalmente, daqueles engravatados que foram eleitos por nós para
defender nossos interesses, mas sabemos que na prática a coisa é
diferente…

Desde 2008 existe um piso salarial para o magistério público, estipulado
pelo governo federal e, alguns governadores (inclusive o nosso que
mudou de sigla, mas continua defendendo os mesmos interesses
capitalistas engomados), acham-se no direito de negar aquilo que a
lei nos garante com a desculpa de que não há verba, ou é
necessário esperar uma decisão não sei de quem, blá, blá,
blá…. Primeiramente, o governo federal garante ajuda financeira
aos municípios e estados que não tiverem orçamento suficiente para
pagar o valor do piso aos profissionais de educação, desde que se
comprove a situação calamitosa… Nosso estado não se manifestou
para documentar a falta de verba, o que leva a crer que ela existe,
se não nosso governador já tinha pedido ajuda… Ou ainda, não há
interesse por parte das autoridades na valorização real e concreta
dos professores de escola pública… Sinceramente, voto nesta última
opção…

Vemos uma educação de vitrine, cheia de construções faraônicas,
superfaturadas e ocas, pois dentro destes prédios magníficos não
se encontra quase nada que possa, de fato, melhorar a educação como
um todo: estrutura, material de pesquisa e prática, valorização do
profissional… Simplesmente se inauguram novos prédios e o
professor é jogado lá no meio do nada, com uma construção linda e
vazia, sendo obrigado ao contorcionismo moral e intelectual a fim de
se fazer um trabalho realmente significativo na vida destes alunos…

Alguém me disse que seria melhor eu mudar de profissão, em virtude do
descontentamento, que existem pessoas com faculdade trabalhando em
pontas de caixa e no chão de fábrica; e por isso deveria me
conformar. Outro alguém me veio com esta frase: “A educação já
esteve pior!”…

Parece que os excelentíssimos se agradam com nosso conformismo, nivelam por
baixo, dão esmolas, dizem que já esteve pior, querem nosso sorriso
e satisfação, afinal está melhor que antes…

Pode até ter sido pior no passado, mas o presente poderia ser muito
melhor, não fosse o descaso das autoridades e de algumas pessoas da
comunidade, formadas por nós, que dizem ser perda de tempo esta luta
por melhores salários e condições de trabalho…

Não sou advogado, nem engenheiro, nem médico, valorizo cada um destes
profissionais, mas valorizo também o meu trabalho que, para ser
digno, precisou do mesmo tempo de formação que o deles, no entanto,
nossa recompensa financeira é menor… Não podemos esquecer, porém,
que qualquer destes profissionais, um dia precisaram de professores
para validar aquele diploma bonito que ostentam na parede…
Portanto, não se trata apenas de uma luta particular dos
professores, mas de toda  uma comunidade que dependeu, depende e
dependerá de nosso trabalho digno, honesto, magnífico e
desvalorizado…

Abono e gratificações não são salários… O piso é lei. Cumpra-se…

 

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www.cacador.net

 

www.portalcacador.com.br

 

Jornal
Folha da Cidade – Caçador, SC

 

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