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COVEIRO POR UM DIA


08/12/2007

CAÇADOR ONLINE
08//12/2007
JORNAL INFORME

Feriado é dia de acordar lá pelas onze e meia da madrugada, nem que “teje” escuro… No último, que aliás desafortunadamente caiu bem no meu dia de folga, na hora marcada, despertei-me depois de uma noite cheia de bonitos sonhos coloridos… minha primeira atitude depois de ir ao banheiro e “tirar a ramela do zóio”, foi levar o lixo até a grade ao pé do muro: fui assoviando uma canção qualquer do Roberto Carlos, ou do Amado batista, não me recordo ao certo, só sei que era boa o suficiente para minha memória de rato não lembrar a letra nem o título.
Ao voltar, mais ou menos do segundo para o terceiro degrau da escada que dá acesso à varanda e à porta principal da residência oficial de verão, primavera, outono e inverno deste ilustríssimo que vos escreve, olho para a direita, próximo ao porão, sigo mais dois passos e me obrigo a olhar novamente… Meus olhos míopes e ceratocônicos não acreditavam naquilo que viam: Um cadáver!… Sim, um cadáver… atirado ao chão, ensopado pela chuva que “varou” a noite… jogado, abandonado, esquecido, desprezado…
Ergui os óculos até a testa, esfreguei meus olhos com o dedo “pai de todos” (mesmo contrariando os conselhos do oftalmologista, que só me permite coçar os olhos desde que seja com meus cotovelos…), olhei novamente e cheguei a triste conclusão de que era a mais pura verdade: Eu amanheci o dia com um cadáver ao lado de minha casa… Por um instante fiquei “desnorteado”, não sentia mais o chão debaixo de meus pés (de fato, estava eu no quarto degrau da escada), olhando fixamente para um cadáver que apesar de fresco, era muito mal cheiroso e peludo… Nenhuma novidade, pois as raposas já têm um odor não muito agradável em vida, quem dirá depois de mortas.
Passado o susto, subi o restante dos degraus pensando: Como aquele cadáver foi parar no pé da minha escada?… Será que desgostou-se da vida e se jogou do telhado, desanimado por um amor não correspondido?… Teria ele provado o doce veneno do leite adulterado e tomado uma congestão de soda cáustica com água oxigenada?… Seria um produtor rural que teve seus produtos apreendidos e ficou sem o mínimo de renda para sua sobrevivência e por isso resolveu terminar com a própria vida?…
Seja qual for a “causa mortis”, a única atitude a ser tomada seria enterrar a “disgranenta” da raposa (ou gambá: nunca sei quem é quem), antes que algum desorientado reconheça o corpo, faça o velório e encontre o defunto vivo andando pela rua depois de três dias…
Foi o que eu fiz: Providenciei uma enxada e, mesmo debaixo da chuva fina que já principiava novamente, pus-me a cavar, afim de dar ao raposão um enterro digno de um ser que não fez nada mais do que lutar por sua sobrevivência que o destino, ou a espingarda de um ser humano incomodado e desumano, abreviou violentamente, sem dó nem piedade, vindo dar seu último suspiro na casa de alguém que, ao contrário dos seres normais, certamente escreveria sua história catastrófica, eternizando-a numa coluna de jornal.
Missão cumprida. O corpo está enterrado e camuflado, acima de qualquer suspeita, nos fundos da casa. Mas sua morte ainda permanece um mistério, digno de um romance policial com investigação detalhada de Sherlock Holmes ou de uma reconstituição no programa “Linha Direta” da poderosa do “Plim! Plim!” …

Márcio Roberto Goes

Pagando de coveiro

http://marciocronicas.blogspot.com/

2 Comments

  1. Saionara e Kaio
    Saionara e Kaio 20 de maio de 2009

    Nós achamos que o texto coveiro por um dia estava muito interessante pois retratava uma história muito divertida.
    Saionara e Kaio

  2. Saionara e Kaio
    Saionara e Kaio 20 de maio de 2009

    Nós achamos que o texto coveiro por um dia estava muito interessante pois retrata uma hisória muito divertida.

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