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Conselho inicial…

 

– Bom-dia, senhores professores! Sejam todos bem-vindos… Estamos aqui reunidos para deliberar sobre o ano letivo que se inicia… Existem vários pontos a serem destacados, em especial dois: A grande evasão do ano passado e o número considerável de reprovação. Temos que pensar numa solução, já que para este ano diminuíram consideravelmente as matrículas tanto de ensino fundamental, como de ensino médio…
– Por favor! Eu gostaria de dar uma palavrinha…
– A vontade!
– Obrigado!… Como é que vamos solucionar a evasão se nossa escola não tem estrutura suficiente para funcionar razoavelmente bem, tanto o ensino regular como os cursos técnicos… Temos um prédio que só não é vazio porque tem quadros negros e brancos, cadeiras e mesas, ou seja: o mínimo do mínimo…
– Mas o que nós estamos fazendo para segurar estes alunos na escola?
– Na verdade, estamos pagando para trabalhar. Temos que imprimir trabalhos e provas em casa, pois a impressora nunca funciona… Não temos direito a vale transporte: Temos que viajar dezesseis quilômetros por dia para lecionar. Tudo isso para o bem de nossos alunos…
– Bem, estes problemas estruturais não cabem a nós!
– Outra coisa: Como segurar os alunos se em algumas salas nem porta tem?…
– Com licença! Eu também tenho algo a dizer!… Tudo isso foi dito e deliberado no começo do ano passado e o ano letivo terminou do mesmo jeito de sempre: No conselho final, reprovamos alunos que não mereciam, da mesma forma aprovamos outros que também não mereciam… Fizemos uma manifestação pedindo segurança e agora estão me dizendo que a guarda municipal não estará conosco este ano… Como ficamos?
– Parece que serão contratados policiais aposentados para fazer a segurança…
– Quando?
– Não sei!
– Como podemos fazer a nossa parte se o poder público não faz a dele?… Além disso a promessa era que a guarda municipal continuaria conosco até que se encontrasse uma alternativa…
– Olha!… Desculpe interromper, mas acho que o que mais falta aqui e em qualquer outra escola é acolhida… O nosso aluno chega em nossa escola e a primeira coisa que fazemos é “despejar” um monte de regras. Não damos um abraço, não desejamos as boas-vindas, não ouvimos a opinião dele… Simplesmente entregamos uma folha cheia de normas que, em pouco tempo vai virar aviãozinho e, muitas vezes nem nós não obedecemos as regras ali expostas…

 Enquanto o aluno for esquecido como a razão de ser da educação, vamos continuar neste caos: professores mal-renumerados, desmotivados, tendo que trabalhar sessenta horas semanais para sobreviverem neste mundo capitalista selvagem… Escolas sem a mínima estrutura… Alunos sem perspectiva… É preciso colocar uma dose maior de amor em todos os âmbitos da educação, sejamos nós alunos, professores, serviços gerais, corpo pedagógico e administrativo… E principalmente as autoridades que foram eleitas para cuidar de um bem que é nosso…

Márcio Roberto Goes
Apaixonado pela educação

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