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CEJA cidadão

 

Semana
passada tive a honra e a satisfação de fazer duas visitas ao CEJA
(Centro de educação de jovens e adultos). A primeira,
segunda-feira, na vizinha cidade de Rio das Antas, a convite da
professora de Arte, Marta Aparecida Goes que acumula o cargo de minha
irmã. Lá conversei sobre a arte de escrever com alunos, na sua
maioria moradores do interior da cidade e que, com muitas
dificuldades, se deslocam quilômetros para saciar a sede do
conhecimento, ainda que em tempo diferente da maioria dos seres
humanos…

 


havia estado outras vezes por lá, acompanhando a Martinha no
exercício de sua missão como professora de jovens e adultos. Sempre
fui bem recebido, respeitado e indagado em diversos assuntos do
cotidiano. Todos os alunos têm algo a dizer, lhes falta serem
ouvidos… Todos querem ouvir o professor, falta-lhes o interesse
sincero dos educadores… Mas, como nosso tratamento sempre foi de
amigos, estávamos livres destas barreiras, inclusive com a
professora…

 

Na
quinta-feira, foi a vez do CEJA de Caçador. A convite da professora
Marinês, lá estive e encontrei com a professora Kátia, ambas
minhas colegas de faculdade. Minha conversa com os alunos também foi
acompanhada pela professora Karem, todas as três habilitadas em
língua Portuguesa e Literatura, como eu….

 

Em ambas
as turmas, mesmo tratando-se passagens rápidas, conversei com alguns
alunos que me procuraram no final do evento. Todos tinham algo a
dizer e acrescentar nas minhas palavras, fossem elas escritas ou
faladas, alguns traziam comentários positivos, outros negativos,
outros ainda sugeriam assuntos para textos futuros, porém a maioria
queria mesmo expressar a satisfação e a admiração pelo fato de se
identificarem muito com aquilo que escrevi em determinado texto, ou
falei durante o encontro…

 

Esta foi
minha grande surpresa da semana: Existem pessoas crentes de que
minhas palavras foram escritas para elas, se identificam com o texto,
têm uma história semelhante para contar, riem, choram, indignam-se,
sentem vontade de mudar a realidade… Sei que não se trata de um
milagre das minhas palavras, mas da enorme vontade do povo expressar
suas ideias e, às vezes sentem uma certa realização sentimental ao
verem que alguém escreve palavras que os fazem buscar sentimentos,
muitas vezes sufocados por este mundo versátil, capitalista e
desumano…

 

Nos dois
casos, terminamos um pouco antes do horário costumeiro das aulas, o
que é, de certa forma bom para alunos do noturno que poderão
descansar mais cedo a fim de recuperar suas forças para o trabalho
no dia seguinte. Mas, tanto em Caçador, quanto em Rio das Antas, vi
alunos, mesmo já dispensados abordando as professoras para saber se
não teriam aqueles poucos minutos restantes de aula, indagando sobre
trabalhos, tarefas, ou pesquisas… Em todas as escolas em que
trabalhei, dificilmente encontrei alunos que reclamassem ao sair mais
cedo da escola, a maioria sentia prazer em “perder” tempo… Será
que isso é uma característica inerente aos jovens e adultos que não
querem nem precisam mais perder tempo? Ou será que não estamos
ensinando aos nossos alunos a verdadeira importância do tempo que
passamos nos bancos escolares?…

 

A
verdade é que nem sempre poderemos ter  uma segunda chance. Quando a
temos, agarramos de unhas e dentes, se não, corremos o risco da
estagnação que leva a inércia moral e intelectual: Tudo o que os

poderosos querem, pois um povo sem conhecimento é fácil de
manipular…

 

Cabe a
nós, profissionais da educação, sobretudo de jovens e adultos,
seja qual for a área de atuação, não deixarmos de levantar
discussões sobre assuntos, fatos e ideias cotidianas que regem
nossas vidas de cidadãos…

 

www.marciogoes.com.br

 

www.cacador.net

 

www.portalcacador.com.br

 

Jornal
Folha da Cidade – Caçador, SC

 

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