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Categoria: Utilidade Pública

Humanas prioridades

telhado wanda

Reposição de aulas: Isso acontece pelo fato de alguns professores comprometidos com as causas populares, terem feito greve por algum período a fim de lutar por melhorias na educação pública. Além da greve, particularmente na escola Wanda Krieger Gomes, tivemos outras manifestações: paralisações e mobilizações envolvendo alunos, pais, professores, APP, Conselho deliberativo, Grêmio Estudantil e toda a comunidade escolar para cobrar das autoridades competentes os reparos urgentes de que a escola necessita…

Se formos comparar o antes e depois das manifestações, a única diferença é o tempo que passou e prejudicou ainda mais a estrutura que, se fosse reparada a tempo, seria muito mais simples e barato. Mas sempre existe a desculpa de falta de verba, de licitação e tals… Por aí, pode-se traçar o perfil de prioridades dos governantes que não tratam uma escola sem teto na área de convivência e sem energia elétrica na metade do prédio como algo urgente…

Nós, que ousamos lutar, temos férias reduzidas em julho, precisamos improvisar aulas, em algumas salas, na penumbra de uma escola quase totalmente alagada pelas chuvas. Já presenciei vários tombos por conta do piso escorregadio. As meninas da limpeza não dão conta de passar o rodo cada vez que chove… Mas para as gravatas está bom. Tem sala suficiente, tem estrutura suficiente para a escola funcionar… Queria que uma gravata dessas passasse um dia trabalhando nestas condições…

Alguém pode argumentar que não é culpa de ninguém, foram as intempéries que levaram o telhado e circuitaram a rede elétrica e os reparos são muito complicados para serem feitos de uma hora para outra… Concordo que não podemos controlar o tempo, mas já seria possível solucionar tudo isso, visto que o problema se arrasta por mais de um ano…

Me recordo da última enchente que alagou parte da SDR: Tudo foi resolvido e a estrutura reparada em pouquíssimo tempo, aliás, as folhas ofício, vitimadas pela enxurrada, foram gentilmente cedidas para as escolas usarem a vontade. Até hoje estamos aproveitando papéis enrugados e destorcidos pela enchente… Parece que a única coisa partilhada com a educação pública, neste caso, é o prejuízo, pois nosso querido Wandão não mereceu reparos com a mesma urgência…

Muitas pessoas que ocupam cargo de confiança já vieram ver os estragos, mas nada foi feito. Esperamos por meses por uma dita licitação que nunca se resolve. Mas penso que seja este um caso de calamidade pública e deveria ser tratado com a urgência que merece.

Infelizmente, educação pública só é prioridade nos palanques podres da politicagem que, infelizmente, contamina nossas relações políticas entre povo e governantes… Mas as gravatas esquecem que só estão lá pelo voto popular e que são pagas por nós para trabalhar pela comunidade que espera o dia em que seus direitos sejam, de fato, respeitados…

Enquanto isso, continuamos trabalhando na penumbra e molhando os pés para chegar até a sala de aula… Mas isso não é nada. É mais importante construir elevados e viadutos para melhorar o fluxo no trânsito. Pena que só os seres humanos votam, pois as máquinas são as mais favorecidas depois das eleições e nossos estudantes precisam se conformar em buscar algo tão inútil para os governos como o conhecimento. Não me admira que os jovens pensem primeiro em fazer a carteira de motorista pra depois pensar numa faculdade. Afinal os automóveis têm mais benefícios que os seres humanos…

Márcio Roberto Goes

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O que pagamos?

coronelezequielnoticias.blogspot.com
Fonte: coronelezequielnoticias.blogspot.com

 

– Alô! É da Companhia de Água e Saneamento?

 

– Sim! Em que posso ajudar?

– Eu queria uma informação…

– Pois não?

– Tem certeza que pode me informar corretamente, moça?

– Claro que sim… Estou aqui para isso…

– Acho que você não poderá responder. Até agora ninguém conseguiu…

– Pergunte! Se for possível eu te ajudo…

– Pois bem. A pergunta é a seguinte: O que é que eu estou pagando nesta fatura mensal que recebo na minha caixa de correios?

– É evidente que, conforme especificado na fatura, o senhor está pagando pelo abastecimento de água…

– Tem certeza?

– Claro que sim! O senhor tem um contrato com a empresa que fornece água, é natural que se pague pela água fornecida…

– Tenho minhas dúvidas…

– Não entendi, senhor…

– Todos os dias falta água no meu bairro… seria natural que eu pagasse menos pelo serviço, no entanto, a fatura é a mesma…

– Existe uma taxa mínima a ser paga senhor…

– Entendo. Posso fazer outra pergunta?

– Pois não!

– Se eu atrasar o pagamento, o que acontece?

– Em trinta dias será suspenso o abastecimento em sua residência…

– O que não muda muita coisa, pois quase nunca tem água nas torneiras da minha casa… Mas, me permita mais uma pergunta…

– Pode perguntar, senhor.

– Se eu tiver um consumo acima da média estipulada pela taxa, eu pago mais por isso. Certo?

– Com certeza, senhor!

– E se eu consumir a menos?

– Paga somente a taxa, senhor…

– E se eu não consumir nada?

– Paga a taxa…

– Nos dias em que não tem água, esta falta de abastecimento é descontada da fatura?

– Não, senhor…

– No caso, falta água quase todo dia no meu bairro, que é o maior da cidade… Volto a minha primeira pergunta: O que é que eu estou pagando? Pois água não é…

 

– Infelizmente, não posso ajudar senhor. A Companhia de água e saneamento agradece a sua ligação…

– Obrigado por não poder me ajudar, senhorita…

 

Márcio Roberto Goes
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Como é bom voltar

Na rodoviária: “Boa tarde senhora! Pode me dar uma informação?”… Nada! Uma cara de nojo que me olha da cabeça aos pés… Nova tentativa: “Boa tarde, senhor! Preciso de uma informação.”… Nem sequer olha para o transeunte que lhe indaga. Nariz empinado, jeito de doutor, paletó e gravata, maleta preta… Deve ser mais um que enriqueceu explorando a boa vontade e a cobiça do povo, como muitos nesta cidade e em todo o país. Certamente ostenta carrões e mansões, dizendo que conseguiu tudo com os negócios e tenta levar outros desavisados para sua rede fictícia que enriquece poucos vendendo ilusões, enquanto muitos cobiçosos tentam o mesmo, mas não conseguem. Afinal, onde existe um vencedor, é graças ao trabalho de muitos outros perdedores…

Mas nem tudo pode ser espinhos nesta metrópole. No tubo, esperando o ônibus: “Boa tarde!”… O cobrador sequer olha quem o cumprimentou, tampouco responde a gentileza, pega o dinheiro, devolve o troco, sem qualquer contato com o forasteiro… Todos no tubo a esperar a condução de cabeça baixa, alguns usando fones de ouvido, outros brincando com os dedos, outros ainda, lendo… Sou a favor da leitura, mas nesses casos, uma boa conversa seria muito melhor para a vida dos seres humanos ao meu redor e para mim…

O maior ônibus sanfonado do mundo estaciona. Baixa a rampa, abrem-se as portas e, o interiorano aqui tenta entrar numa boa… Em segundos, uma multidão me empurra para dentro do veículo, sem um pingo de educação e, o que é pior, generosidade zero. Idosos, crianças, pessoas com pacotes e sacolas, todos enlouquecidos, como se estivessem nos últimos segundos para o fim do mundo, se dirigindo a algum abrigo subterrâneo que lhes garanta a sobrevivência…

Após, me acomodo confortavelmente, em pé, com duas mochilas, uma no ombro e outra na mão esquerda, restando apenas a direita para se defender dos solavancos, no meio da sanfona. A cada curva, um pé virava e outro ficava. Nunca imaginei que fosse capaz de ter tanto equilíbrio… Para evitar que desconhecidos comecem uma boa conversa, tem uma gravação com voz feminina que informa sempre a próxima parada do ônibus. Novamente, entram em ação, livros e os fones que talvez sejam a companhia de alguém que já saiba de cor onde deve parar e não precisa ouvir atentamente a mulher da gravação… A cada tubo, uma nova avalanche de desesperados entrando e saindo da sanfona gigante…

No shopping. “Olha, uma viola!”… Como bom aprendiz, resolvi exercitar os dois acordes que já aprendi… Não deu dez segundos, alguém, por milagre me dirige a palavra: “Você não pode mexer!”… Assim… Seco, sem cumprimentar, sem me atender como fazem os bons vendedores, sem me mostrar as novidades… Sem um pingo de consideração pelo ser humano que abraçava aquela viola afinada em cebolão ré maior e que, apesar de pouco saber, queria mostrar, para quem fosse o resultado de alguns momentos de estudo autodidata… A intenção de dedilhar também os violões, instrumento que me acompanha desde os onze anos, caiu junto com a esperança de encontrar algum coração no peito das pessoas desta selva de pedras, cobiça, arrogância e egoísmo… Aquela loja de instrumentos perdeu o cliente recém-chegado à cidade. As pessoas ao meu redor conseguiram, pelo menos durante minha estadia por ali, me convencer a ter um comportamento igual ao delas…

Três dias se passaram nesta mesma rotina, tubo, cara feia, ônibus sanfonado, arrogância, shopping, egoísmo, passeio nas ruas, mais cara feia… Finalmente chega o grande dia. Novamente na rodoviária, tentando me virar sozinho, sem abrir a boca para não receber ausência de respostas… Eis que surge meu ônibus. O itinerário: Curitiba – Caçador…

Como é bom poder voltar a minha terra natal!…

Márcio Roberto Goes

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Peitão

 

Ela era linda! Corpo perfeito (pelo menos para os pseudo-padrões), rosto bonito, olhos estonteantes… Mas tinha um defeito, aliás muitos defeitos, como todos os seres humanos os têm. Não podemos escapar deles. Mas imperfeição trata-se de um ponto de vista: o que é defeito para uns, pode ser qualidade para outros… Como as mulheres nunca sabem quais são os quesitos considerados qualidades pelos homens de verdade, procuram mascarar aquilo que acreditam ser feio com quilos de maquiagem, roupas que valorizam esta, ou aquela parte do corpo, barriguinha a mostra, bermudas e microssaias menores que o cinto… Ou seja, procuram mostrar aquilo que desperta os machos e quando não têm, preferem mascarar, ocultar a essência… Os principais defeitos dela eram: orgulho, sentimento que nos faz ver os outros de cima para baixo e a vaidade excessiva, que nos deixa irremediavelmente descontentes com aquilo que somos e aquilo que temos. Estes, juntos, dão origem a um terceiro, muito querido pelo capitalismo, aliás, criado por ele: o consumismo…

A menina bonita contemplava seu lindo corpo nu no espelho, enxergando aquilo que ninguém mais via ao seu redor, mesmo quando estava quase devidamente vestida: uma celulite aqui, uma estria ali, uma pintinha indesejada acolá… De repente, seus olhos param naquele lugar que nos alimenta nos primeiros meses de nossa vida terrena, algo divino, capaz de fazer um bebê com cara de joelho virar o xodó da família através do leite materno… Mas ela não via todas essas vantagens, só percebia seus seios muito pequenos… “Os homens não gostam”, pensava ela acariciando os mamilos. Estava depressiva, percebia-se feia, descontente… Seu corpo não era perfeito. Não se sentia feliz. Os homens jamais quereriam namorá-la, ou simplesmente pegá-la daquele jeito… A jovem linda, então chorou de desgosto por não poder agradar aos olhos e às mãos de seus possíveis pretendentes. Precisava estufar mais o sutiã e as mãos do ficante. Necessitava chamar a atenção para os desejos mais promíscuos dos homens ao seu redor. Queria ser sexy… gostosa… Não bastava um rosto bonito, um corpo (agora quase) perfeito… Queria mais… Queria ser desejada pelos homens mais pegadores, mas para isso era preciso ter peitos maiores… Só queria ser linda o suficiente para não perder nenhuma chance com o sexo oposto…

Depois da sessão depressão, a garota que já agradava aos olhos alheios, se vê tomada pelo orgulho, vaidade e consumismo. Envolvida por estes sentimentos, procura então um médico a fim de melhorar a autoestima e turbinar seus peitos… Consulta feita, cirurgia marcada… a solução para todos os seus problemas estava a um passo de se realizar… Um ato cirúrgico e duas próteses de silicone seriam o suficiente para que os machos mudassem o conceito sobre aquela fêmea infeliz até então…

Depois da cirurgia, o pós-operatório que quanto maior o avanço da medicina, menor é seu tempo… Processo feito, recuperação sofrivelmente vencida. Novamente, encontra-se nua no espelho, contempla aquela obra magnífica da ciência que transformou duas laranjinhas em melões suculentos e chamativos… Agora estava linda, gostosa, apetitosa, nutritiva: Uma cavalona!… Seus seios pareciam ter sido esculpidos no torno, de tão perfeitos… Precisava divulgar o resultado com urgência. Foi às compras: mais decotes, menos sutiã, mostrava quase tudo, deixava um pouco para as mentes criativas masculinas imaginarem, mas se desse mole, certamente comprovariam in loco… Nunca pegou tanto, nunca foi tão pegada… Estava feliz… Sempre tinha companhia… Todos os machos queriam acariciar seus peitos, sonhavam em cair de boca naqueles melões simétricos, durinhos, empinados, sempre olhando o infinito. Ela era agora uma mulher de peito… Havia satisfeito seus mais profundos desejos sexuais e os dos seus parceiros também, não queria mais nada além de curtir a vida…

E eis que vieram os sintomas: a ardência nos seios perfeitos, a febre, a infecção… O médico de novo, os exames e a constatação: seu sonho de um corpo perfeito se rompeu. Os melões não eram tão perfeitos assim, tinham um grave defeito de fábrica que jamais seria considerado virtude por alguém: silicone industrial, de qualidade contestável, impróprio para o uso no corpo humano… A indústria fez o mesmo que aquela mulher para esconder seus defeitos: mascarou, maquiou, enganou… Agora ela era a vítima. Outra vez na mesa de cirurgia. Era preciso retirar, urgentemente os peitões tão sonhados por ela para que não causasse maiores danos. A recuperação foi muito mais dolorosa… Onde estavam agora aqueles que caíram de boca nos seus melões artificiais?… Por onde andavam os homens que lhe fizeram companhia e trocaram prazeres carnais? O que seria dela agora, sem seu atrativo principal?…

Seu maior erro foi achar que, chamando a atenção para o sexo, seria feliz… Só queria ser popular… E conseguiu! É capa de jornal! Teve implantada uma prótese da empresa que agora está proibida de comercializar seus produtos no Brasil… Mas todos daqueles que usufruíram de seus dotes corporais, agora somem. A eles não interessa a fama, o que importa é que, em algum momento de suas vidas, puderam se gabar  que pegaram uma mulher gostosa…

Ela vive a amargura da derrota e do abandono. O corpo é só a casca… “O essencial é invisível aos olhos”, dizia a raposa ao pequeno príncipe na obra de Exupery… Ela cuidou demais da casca e esqueceu-se da essência… Mascarou a realidade a fim de escondê-la. Mas a realidade agora é outra, está mutilada, em nome da vaidade e do consumismo…

Um homem de verdade, olharia sim para seus peitões, mas quando seus desejos descessem dos olhos para a genitália, passariam, inevitavelmente pela avaliação do coração. Este não julga somente o que vê, mas pesa muito o que sente. Portanto, minhas queridas, se quiserem um príncipe encantado, é necessário ter comportamentos e sentimentos de princesa, do contrário terão companhia na balada e na cama, mas ficarão solitárias nas intempéries da vida, principalmente quando a casca for danificada…

Pena que ainda não inventaram uma prótese que aumente o coração, a fim de podermos ver melhor aquilo que os olhos não enxergam…

Márcio Roberto Goes

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Procura-se… Urgente!

Esse da foto é Luiz Carlos Goes, meu irmão. Precisamos encontrá-lo com urgência para tratar de assuntos familiares. Desde 2007 que não o vemos. Por favor, quem puder e quiser, repasse esta mensagem. Ou, se tiver qualquer informação sobre ele, mande-me um email. É muito importante para a família localizá-lo.

Desde já, agradeço!

ASS: Márcio Roberto Goes

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