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Cantando na rádio

No dia 09 de junho de 2012, o professor e escritor Márcio Goes esteve participando do programa Talentos da nossa terra, na rádio Caçanjurê, Caçador, SC. Acompanhado dos alunos da EEEB Wanda Krieger Gomes: Bruna Bialeski, Douglas Alves, Fabíola Alves do Prado e Taiane Cristina de Moraes, cantaram músicas sertanejas e nativistas, juntamente com outros artistas locais durante uma hora e meia de programa comandado por Luiz Roberto Damaceno…

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Os terceirões da minha vida – parte I – Santo Damo

 

Durante minha modesta vida de onze anos de educação, já passei por várias turmas de formandos de ensino médio, nas escolas por onde andei. Quase todos os anos sou escolhido como regente de terceiro ano, portanto, quase sempre cabe a mim a difícil tarefa de apaziguar as relações de turmas que se conhecem muito bem, portanto sabem qualidades, defeitos e pontos fracos, uns dos outros… Porém, este ano foi diferente. Em virtude da licença prêmio usufruída por este que vos escreve nos três primeiros meses letivos, eu não estava presente, portanto não fui votado como regente… Este fato me dá, enfim, condições de escrever sobre meus pupilos formandos de forma imparcial. Mas, como convivo com seis turmas de terceiro ano em duas escolas públicas e uma particular, um só texto seria pouco para falar de todos, portanto resolvi dividir em partes, de forma que se torne mais confortável para os leitores e se encaixe neste espaço aqui ó… Sem sobrar, nem faltar…

 
Pela primeira vez, trabalho na Escola Estadual de Educação Básica Dr João Santo Damo, onde convivo com uma “galerinha sangue bom” de dois terceiros anos… Lá, vejo de tudo: professores sonhadores como eu, que se sentem indignados com a situação da educação pública, companheiros, parceiros para todas as horas e alunos mais ecléticos ainda…

 
Entre os estudantes é que encontramos grandes exemplos de vida: Os gênios de óculos (ou não), que lutam contra sua deficiência, leve, ou grave em busca do conhecimento (ou não)… Tem aqueles que sempre estão a postos para ajudar seus mestres no carregamento do conhecimento a tiracolo, na organização da sala, apagando o quadro negro e até escrevendo nele quando o professor é portador de rinite alérgica e não pode ter uma relação amigável com o giz, que na verdade, já deveria estar extinto dos educandários do século vinte e um…

 
Encontra-se, lá no fundão, uma turma que gosta de trabalhar sempre em equipe, mesmo que não seja para fazer aquilo que o professor pede… À frente, grupo quase sempre composto por meninas, estão as mais interessadas (Pelo menos aparentemente), que sempre têm disposição para responder os questionamentos, apontar soluções e revelar sugestões sobre o assunto proposto, além  de, nos dias cinzas do cotidiano escolar, encarregarem-se de distrair o professor para que ele escreva o mínimo possível e alongue o debate sobre o que for: fato que não é de todo mau quando se trata de Língua Portuguesa, disciplina que trabalha também a comunicação e expressão…

 
Na sua maioria, nossos alunos Santodamenses são pró-ativos, o que revela uma excelente base filosófica e de cidadania, mérito de todos os outros professores antecedentes. Vivemos juntos, muitas alegrias: projetos, discussões, produções de texto magníficas, socializações de trabalhos, integração com os anos iniciais do ensino fundamental através da obra de Monteiro Lobato, festa julina, entre tantas outras…
Porém, um fato me deixou flutuando de satisfação (é assim que fica um professor quando vê um aluno caminhando com as próprias pernas): Uma aluna, mais precisamente a Ellen, da turma 302, conhecida por todos, amada por uns e odiada por outros, me procurou durante a reposição de aula no dia da proclamação da república, com caderno, lápis e borracha em mãos: “Queria que desse uma olhada num texto que produzi durante a viagem ao congresso da UBES”…

 
Para tudo!!!… Eu não pedi que os alunos participantes do congresso produzissem textos sobre o assunto… Isso quer dizer que ela escreveu por livre e espontânea vontade, sem pressão, sem promessa de nota (até porque já garantiu seus vinte e oito pontos)… Ou seja, escreveu com o coração!… Já gostei!… Gostei mesmo!…Sem ler, já gostei!… Pois o ser humano escreve bem quando o faz com o coração… Li e gostei mais ainda: palavras que revelam uma aluna consciente e cheia de vontade de lutar pelos seus ideais e pelos direitos das pessoas que a cercam… Uma escritora em potencial…

 

 

 

 

 

Márcio Roberto Goes

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Conselho inicial…

 

– Bom-dia, senhores professores! Sejam todos bem-vindos… Estamos aqui reunidos para deliberar sobre o ano letivo que se inicia… Existem vários pontos a serem destacados, em especial dois: A grande evasão do ano passado e o número considerável de reprovação. Temos que pensar numa solução, já que para este ano diminuíram consideravelmente as matrículas tanto de ensino fundamental, como de ensino médio…
– Por favor! Eu gostaria de dar uma palavrinha…
– A vontade!
– Obrigado!… Como é que vamos solucionar a evasão se nossa escola não tem estrutura suficiente para funcionar razoavelmente bem, tanto o ensino regular como os cursos técnicos… Temos um prédio que só não é vazio porque tem quadros negros e brancos, cadeiras e mesas, ou seja: o mínimo do mínimo…
– Mas o que nós estamos fazendo para segurar estes alunos na escola?
– Na verdade, estamos pagando para trabalhar. Temos que imprimir trabalhos e provas em casa, pois a impressora nunca funciona… Não temos direito a vale transporte: Temos que viajar dezesseis quilômetros por dia para lecionar. Tudo isso para o bem de nossos alunos…
– Bem, estes problemas estruturais não cabem a nós!
– Outra coisa: Como segurar os alunos se em algumas salas nem porta tem?…
– Com licença! Eu também tenho algo a dizer!… Tudo isso foi dito e deliberado no começo do ano passado e o ano letivo terminou do mesmo jeito de sempre: No conselho final, reprovamos alunos que não mereciam, da mesma forma aprovamos outros que também não mereciam… Fizemos uma manifestação pedindo segurança e agora estão me dizendo que a guarda municipal não estará conosco este ano… Como ficamos?
– Parece que serão contratados policiais aposentados para fazer a segurança…
– Quando?
– Não sei!
– Como podemos fazer a nossa parte se o poder público não faz a dele?… Além disso a promessa era que a guarda municipal continuaria conosco até que se encontrasse uma alternativa…
– Olha!… Desculpe interromper, mas acho que o que mais falta aqui e em qualquer outra escola é acolhida… O nosso aluno chega em nossa escola e a primeira coisa que fazemos é “despejar” um monte de regras. Não damos um abraço, não desejamos as boas-vindas, não ouvimos a opinião dele… Simplesmente entregamos uma folha cheia de normas que, em pouco tempo vai virar aviãozinho e, muitas vezes nem nós não obedecemos as regras ali expostas…

 Enquanto o aluno for esquecido como a razão de ser da educação, vamos continuar neste caos: professores mal-renumerados, desmotivados, tendo que trabalhar sessenta horas semanais para sobreviverem neste mundo capitalista selvagem… Escolas sem a mínima estrutura… Alunos sem perspectiva… É preciso colocar uma dose maior de amor em todos os âmbitos da educação, sejamos nós alunos, professores, serviços gerais, corpo pedagógico e administrativo… E principalmente as autoridades que foram eleitas para cuidar de um bem que é nosso…

Márcio Roberto Goes
Apaixonado pela educação

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Novas ideias

reforma-001a 2009 chegou… Sabemos que a substituição de um dígito no calendário, não significa uma mudança brusca em nossas vidas, mas a retirada e a alteração de alguns caracteres na escrita padrão de nossa Língua implica em uma mudança considerável e um incrível exercício para nosso cérebro que deverá acostumar-se com a ideia de produzir ideias sem o acento agudo no ditongo. O mesmo acontece com a pobrezinha da jiboia que agora está mutilada sem o rabinho em cima da letra “O”…
 Oh céus!… Quanta mudança… Ainda bem que o céu não mudou, continua azul e com acento, mas com o tal aquecimento global, para contemplá-lo, só usando chapéu, que continua assim mesmo, com abas em todos os lados e um acento bem agudo no centro da última sílaba: Privilégio deles que são oxítonos, e ainda por cima ditongos abertos….
 “Peraí!”… Mas a ideia e a jiboia também são abertas… Por que então precisam ser mutiladas?… Só porque são pobres e miseráveis paroxítonas?… Só porque abriram o ditongo na segunda sílaba de trás para frente?… Isso está me parecendo uma paranoia da gramática contra as penúltimas: pura discriminação!… Até mesmo o povo heroico do Hino Nacional perdeu a espada de cima do “O”…
 Não é justo! Vamos convocar uma assembleia (sem acento mesmo) extraordinária (que continua elitizando o acento agudo para as paroxítonas terminadas em ditongo) e deliberar sobre os cortes na acentuação gráfica da Língua Portuguesa… É preciso reunir os papéis (que ainda não foram demitidos da lista dos acentuados) e documentar as reivindicações de uma classe que não foi poupada pela crise da distribuição dos acentos…
 Não podemos esperar mais! Se perdermos tempo, estas pobres palavras poderão ser sepultadas junto com o trema, que nunca fez nada, mesmo assim foi executado cruelmente…
 Mas a luta continua: os ditongos tônicos e abertos das paroxítonas perderam o acento, mas não perderam e jamais perderão a pronúncia e o sentido, pois o bom e velho Português continua belo e versátil…

Professor Márcio Roberto Goes
Professora Marlise Aparecida Recalcate
Suely Miozzo Escher

10ª GERED

Escola Estadual de Educação Básica

Professora Wanda Krieger Gomes

Caçador – SC

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Santa e Bela Catarina

 Santa e bela Catarina: Uma das estrelas que brilham na bandeira nacional, terra de gente trabalhadora, de miscigenação, de diversos climas, característica típica de regiões subtropicais… Onde convivem o gaúcho na serra, o alemão no vale, o açoriano na ilha, o italiano no bom e velho oeste e tantas outras etnias que aqui tiveram possibilidade de uma magnífica convivência pacífica e democrática…
 Santa e bela Catarina, do “lêitê quêntê” do oeste, do sotaque chiado e cantadinho do manezinho da ilha, onde todos se  “queridam”, como diz Júlio de Queiroz em um de seus contos, do linguajar serrano quase gaúcho… De Anita Garibaldi, de Gisele Bundchen, De Gustavo Kuerten, do João dos Sonhos Azuis, de mim, de você…
 Santa e bela Catarina, das incríveis oscilações climáticas, que por várias vezes resultaram em catástrofes… Porém a pior delas, acabamos de viver: mais de uma centena de mortes, milhares de desabrigados e desalojados, que perderam até mesmo o terreno e não têm nem onde reconstruir suas casas. Pessoas inocentes soterradas pela fúria da natureza, aguçada através da ação humana que hoje chamamos de “aquecimento global”…
 Mas entre os seres humanos egoístas que continuam poluindo desenfreadamente, ainda existem aqueles que não sossegam enquanto não conseguem, de alguma forma, ajudar aos mais necessitados. Uma grande prova disso é o fato de o Brasil inteiro estar mobilizado através de campanhas em todos os cantos deste país continental, arrecadando donativos para as vítimas do Vale do Itajaí e litoral catarinense… Milhares de pessoas trabalham vinte e quatro horas por dia para tentar devolver a dignidade aos nossos irmãos atingidos pelas intempéries: um exemplo de solidariedade e desprendimento dos brasileiros.
 Na verdade, é no meio da desgraça que conhecemos a verdadeira força popular, pois jamais devemos subestimar a capacidade de mudança de um povo unido, foi assim em diversos momentos da história de nosso país, está sendo assim agora, que precisamos de mobilizações urgentes para reconstruir parte de nosso estado.
 Nossa Santa e Bela Catarina, agora pede socorro a seus filhos e seus vizinhos. Pedido que está sendo atendido prontamente, pois a vida não pode esperar… Ouvindo a Rádio Nereu Ramos online, na tarde de domingo, tive uma idéia mais precisa de tudo o que acontece em parte do estado. Vários depoimentos e entrevistas me impressionaram, mas um ouvinte, por telefone, me chamou especial atenção: Ele se dizia muito preocupado com uma reportagem que ouviu naquela mesma rádio, sobre um casal que havia perdido tudo na enchente e a esposa foi encaminhada ao hospital em trabalho de parto… Ao vivo, ofereceu sua casa para acolher o casal e a criança pelo tempo necessário, dando-lhes toda a assistência: cama, alimentação e um teto, mesmo que provisório, mas confortável o suficiente para abrigar esta nova vida.

 
 Em meio a toda esta fatalidade que assola nosso estado, em pleno século vinte e um, encontramos alguém, simples o suficiente para acolher uma família desconhecida e lhe oferecer o que existe de mais precioso: um lar… Mas ele não está sozinho, muitos e muitos blumenauenses, catarinenses e brasileiros estão dispostos a renunciar até mesmo a sua privacidade, para dar mais conforto àqueles que sofrem.
 Santa e Bela Catarina, um estado maravilhoso e diversificado, hospitaleiro e acolhedor, agora pede socorro… E o socorro está vindo, do povo brasileiro, que honra sua bandeira e não desiste de lutar pelos seus ideais e por uma vida melhor.

 
 Santa e bela Catarina

 

Márcio Roberto Goes
Orgulhosamente Catarinense

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