Aperte "Enter" para pular para o conteúdo

Categoria: Sem categoria

Tudo o que eu precisava

Hoje, parei no semáforo, com minha viatura oficial da Web Rádio Martelo e, enquanto aguardava a liberação da pista, apreciava um artista de rua, dando seu melhor, mostrando suas habilidades na faixa de pedestres para nos distrair e amenizar um pouco do estresse diário… Mais do que depressa fucei na carteira e encontrei só 2 reais em moedas. Aguardei com o dinheiro na mão até que ele terminou o espetáculo e se aproximou. Entreguei as moedinhas e disse: Isso é tudo o que tenho… E ele, surpreendentemente respondeu: É tudo o que eu precisava… Talvez, nunca mais o veja nesta vida… Talvez, jamais nos lembraremos um do outro… Mas esse artista desconhecido, por vezes discriminado e chamado de desocupado, me deixou uma lição: Será que valorizamos tudo o que nos oferecem, da mesma forma que ele valorizou minhas míseras moedinhas? Às vezes exigimos das pessoas uma perfeição da qual, nem mesmo nós dispomos… E, raramente percebemos que podem ter nos oferecido tudo o que tinham de mais precioso: o tempo, um abraço, um sorriso, ou umas moedinhas…

Márcio Roberto Goes

www.marciogoes.com.br

Deixe um comentário

Missão solidária

OLYMPUS DIGITAL CAMERA
Missao solidaria marista

Muito mais importante do que estar numa comunidade em situação de vulnerabilidade social, é querer estar ali, enquanto poderia estar em qualquer outro lugar, curtindo as férias, se divertindo, ou em família…

Foi isso que aconteceu, no início deste ano, com cerca de cento e trinta pessoas, na maioria jovens em situação financeira confortável, além de irmãos maristas, pastoralistas, lideranças comunitárias e juvenis, ao assumirem os trabalhos da MSM (Missão Solidária Marista)… Desde que conheci a Pastoral da Juventude, uma expressão ecoa em meu cérebro e inquieta meu coração: “Protagonismo Juvenil”… Lá se vão quase trinta anos de trabalho com a juventude e essas palavras continuam movendo a maioria dos sonhos e movimentos deste que vos escreve…

Todas as minhas utopias reviveram ao participar, ainda que modestamente das Missões aqui no loteamento onde moro, que tem por padroeira a querida Santa Terezinha do Menino Jesus, exemplo de uma vida terrena que não foi além da sua juventude de vinte e quatro anos, mas que até hoje, quase cento e vinte anos depois de sua morte, permanece na memória e no coração de católicos do mundo inteiro como jovem intercessora e devota domenino Jesus, professando uma fé inocente e infantil…

Como crianças, vi os missionários descobrindo muitas coisas que não faziam parte do cotidiano da cidade de onde vieram. Um deles, o Leonardo, de Curitiba, me mostra na tela do celular, uma foto do pôr do sol no bairro Martello… Raramente vi imagem tão linda. Ela estava aqui o tempo todo, mas sou adulto demais para perceber tamanho espetáculo cotidiano. O jovem em missão exibia com os olhos brilhando a imagem, deixando claro o quão maravilhoso era para ele, poder presenciar aquela cena.

IMG_20160117_195456129

Outra feita, recebi três jovens missionários para bater um papo em minha meia água própria. Leonardo, Guilherme e Filipe, não exitaram em entrar na residência oficial deste escriba, ficar à vontade, partilhar café, pipoca e bisteks… Ao saírem, já era noite e novamente vejo uma criança no corpo de um jovem olhando admirado e boquiaberto para o céu: Que lindo!… Dizia ele… No centro de Criciúma, não dá para ver as estrelas, pois as luzes das ruas e dos edifícios ofuscam… Filipe é o nome do missionário que proferiu essas palavras e, com ele, fiquei alguns minutos admirando nosso céu… De fato, o progresso e as tecnologias não nos deixam contemplar o universo infinito e maravilhoso com os olhos e o coração de uma criança…

O trabalho de um missionário vai muito além das visitas, obras comunitárias e celebrações… Ser missionário é partilhar… Partilhar seu trabalho, suas ideologias, suas esperanças, temores, alegrias e tristezas, mas acima de tudo, partilhar a vida… Os missionários levam um pouco de nós e deixam um pouco deles conosco…

Hoje, alguns dias depois da partida destes jovens generosos, vejo uma capela restaurada que nos inquieta a restaurar também nosso coração e nossa comunidade. Pois a Igreja só tem sentido se for composta de pessoas, do contrário não passa de uma construção de alvenaria cheia de formas e cores… A verdadeira Igreja não se prende ao templo. Ela está onde estiver o povo. Se o templo não servir para reunir a comunidade e transformá-la evolutivamente na fé, na oração e na partilha, de nada servirá o espaço físico…

Deus se agrada com os louvores, porém se agrada muito mais com as pequenas partilhas despretensiosas do cotidiano que, se juntadas, fazem seu povo se reconhecer enquanto comunidade e assumir, em conjunto, as lutas e os sonhos de um lugar melhor para se viver…

Márcio Roberto Goes

www.radioativacacador.com.br

Deixe um comentário