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Categoria: Professor Paulo Moraes

UMA REALIDADE VIRTUAL

Por Paulo Sergio Moraes

 paulinho

No dia 8 de janeiro de 2009, de férias, sentei a frente do computador, acessei o site oficial de Caçador e comecei a visualizar uma a uma as fotos aéreas na galeria presente no site. Confesso que estão muito bem enquadradas cada uma das 330 fotos e para os olhares comuns, tudo é maravilhoso. Nesta desforra que me peguei, um fato curioso me fez balançar na cadeira confortável e com regulagem de altura e percebi que algo faltava e não precisei de muito tempo para deduzir o quê?… Era a nossa periferia. Sinceramente, eu “não sei” porque só havia fotos das partes onde os bairros estão melhor “estruturados”, fotos do centro, das empresas e da imensidão verde que nos cerca, e cadê os retratos de onde vivem as massas oprimidas, excluídas, sem teto, sem água, etc?. Cá pra nós!!!!! As fotos aéreas são uma bela ferramenta de comparação para mostrar a evidente realidade em que vivemos, ou  seja, reflete a distância em que governo e cidadãos compactuam com relação a falta de uma visão da necessidade de estarmos mais próximos na união de forças para resolver os problemas mais sérios que nos afligem, cujos exemplos são o desemprego, a opressão nas diferentes roupagens, a desigualdade  nas condições de vida, a falta de políticas reais que atendam efetivamente as nossas necessidades básicas. Por outro lado, uma situação assim, somente justifica o pensamento de quem até hoje governa para poucos e esquece que a constituição garante direitos fundamentais isonômicos para o cidadão. Em nosso país, é raro o município que atende esses direitos fundamentais dignamente, e na minha humilde opinião, se a maioria dos “grupos” que governaram e governam ao longo da história cuidassem bem de cada ferida nos idos de 2008 anos, e não se preocupassem meramente em adquirir fortunas, sem sombra de dúvida, administrar uma cidade seria muito mais tranquilo. Aqui em Caçador especificamente não é diferente e se nos decorridos 74 anos de emancipação fosse governada com uma visão no mínimo humanizada e com atenção aos mais desafortunados, com toda certeza todos nós caçadorenses de nascimento ou não, estaríamos muito mais satisfeitos em viver aqui e não haveria tantas mazelas sociais e sem perspectivas sobre o dia de amanhã. Contudo, essas constatações e observações acabam reforçando o meu pensamento de que esta terra contestada ainda é de coronéis e alguns pequenos grupos economicamente poderosos que trabalham na defesa de interesses próprios e não da maioria que detém a força do trabalho na sua essência e é extremamente desvalorizado. Prova disso, conforme o TSE, foram as doações para os candidatos nas eleições 2008 e outras também, onde você observa o que está “declarado” e as empresas  que as fazem. Aí, é de se questionar as prioridades de uma administração, retribui-se os “favores” de campanha ou governa-se para todos baseado constitucionalmente no princípio da isonomia. Que isso sirva para reflexão, e nesta terra contestada, a partir do momento em que alguém que verdadeiramente represente a maioria destes nobres e lutadores cidadãos assuma o poder legítimo de governar Caçador, que o voto de “cabresto” usado contra quem precisa do emprego para sobreviver milagrosamente seja coisa do passado, que não seja necessário “lacrar” as bombas de combustível, que as pessoas não sejam obrigadas a fazer campanha para manter ou ganhar uma “vaguinha” no serviço público, certamente mudanças significativas acontecerão em nossa cidade da mesma forma que ocorreu em nível nacional com a eleição do presidente Lula, mesmo que muitas pessoas relutem em admitir que não só para os mais necessitados, mas de uma maneira geral, todos conseguiram ser beneficiados pelas políticas públicas da equipe que trabalha com Luis Inácio. Que assim seja em Caçador, e embora as forças representativas da maioria tenham saído enfraquecidas do embate em 2008 há um caminho aberto para 2012 e um tempo magnífico de 36 meses para a construção de um projeto sério e com prioridades que atendam realmente o anseio da maioria dos cidadãos caçadorenses de nascimento ou não. Assim, se quisermos assistir indiferentes à realização de grandes obras em detrimento da cura das nossas mais profundas feridas que nos deixam vulneráveis e sem opções que aumentem a nossa auto-estima, Caçador continuará eternamente sendo uma terra contestada que nunca saiu das mãos de coronéis e pequenos grupos. Por favor, cidadão!!! Se você compartilha e acredita que é possível construir um projeto que solucione os problemas de primeira necessidade, fique atento e participe da vida política municipal pois, é através dela que as decisões e ações vão determinar a nossa vida em sociedade, sempre com respeito ao direito de expressão e crenças de cada um.

Um abraço fraterno do sempre camarada,

 prof. Paulinho Moraes (pmore@bol.com.br)

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