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Sonhos Azuis – CAPÍTULO XXI

 

As suspeitas de nosso sonhador, infelizmente estavam corretas mais uma vez, apesar de nunca render-se aos seus pensamentos proféticos… Já se passava mais de quatro horas que os dois amantes se encontraram na rodoviária:

Bom-dia amorzinho!

Bom-dia! Você está atrasado, Adam… Vamos logo, antes que alguém nos encontre aqui…

Iracema tinha a impressão de que todos ao seu redor estavam olhando para ela… Sentia, lá no fundo de suas paranoias que todos a julgavam… Na verdade estava sendo julgada por ela mesma, por um instante teve um profundo sentimento de arrependimento, mas em seguida tentou esquecer, pois aquela situação tomava rumos sem volta para ela e para o Adam que, em silêncio, a ajudava com a bagagem até o carro… Ao ouvir a batida do porta-malas, ouve simultaneamente a voz do seu amante perguntando:
Pronta para nossa primeira viagem juntos?
Ela exitou por um momento, estava dividida entre a insegurança e a vontade de apimentar sua aventura com o patrãozinho, respondeu afirmativamente, apenas com um sinal de cabeça e entraram no carro em silêncio, rumo a capital, na casa de praia do microempresário… O local era perfeito: longe dos conhecidos de sua cidade, ainda não havia iniciado a temporada de verão, o que tornava o ambiente muito mais tranquilo e romântico. Os dois pombinhos fétidos seguiram uma viagem tranquila parando algumas vezes para se alimentarem e trocarem carícias. Numa das escalas, pararam em um motel por uma hora e meia, afim de diminuir um pouco a ansiedade, pois não suportariam as tentações da carne, estando tão próximos naquela situação tão sugestiva ao adultério… Ao chegarem na casa de veraneio do bonitão, encontraram muita coisa a ser ajeitada para preparar o ninho de amor daqueles fogosos amantes por uma semana… Adam preferiu não pedir à empregada que arrumasse, para não levantar suspeitas, adiantou a ela uma semana de férias, já que a funcionária nascera em Caçador e conhecia perfeitamente Iracema e o João… Passaram o restante do dia arrumando a casa para a estadia de verão antecipada…

Tudo muito bem planejado, mesmo às pressas: Jamais o professorzinho saberia da verdade, poderiam enganá-lo eternamente, já que até então, nunca havia demonstrado nenhuma desconfiança que oferecesse perigo aos amantes…

No terceiro dia da lua de mel, a índia dos olhos negros acorda cedo, vai até a varanda e fica a contemplar a tranquila e pacata praia do Pântano do Sul: os pescadores já em alto-mar, a água azul-esverdeado, a brisa que soprava em seu rosto, algumas gaivotas pousando nas pedras… Sentada na cadeira de balanço, ainda de camisola, olhava pensativa o horizonte. O barulho relaxante do mar interrompe-se com a voz de seu amado amante, seguida de um beijo apaixonado:
Bom-dia! O meu amorzinho acordou cedo hoje…

Não dormi direito à noite…

O que houve?

Eu estive pensando e tomei uma decisão…

Como assim?

Não podemos mais continuar nesta situação…

Hã?… Não acredito, minha morena quente está tendo um ataque de consciência…

Pra mim chega!… Vou dar um basta nisso tudo!…

Vou te perder?…

Não! Eu te amo… Quem vai me perder é o babaca do João!

O quê?…

Isso mesmo!… Ao voltar a Caçador, vou pedir a separação…

Não faça isso!

Por quê?… Você sempre demonstrou desejo de ficar comigo pra sempre… Mudou de ideia?

Não! Eu digo… Não faça isso já… Pode ser muito precipitado… Entende?…

Não posso adiar mais…
Adam não a queria como esposa, jamais passou por sua cabeça a ideia de firmar compromisso com sua funcionária… A queria como objeto para satisfazer seus desejos… E isso ela fazia muito bem… Mas, ser marido dela… Ou seja, viver com aquela mulher pelo resto da vida… Não!… Mais um casamento, não!… Mas ainda tinha uma esperança: restavam quatro dias para fazê-la mudar de ideia antes de voltar a rotina… Naquela noite, quem não dormiu foi ele… Pensou em tudo o que viveu no seu primeiro casamento, as traições, os prazeres fora de casa, as brigas, os constantes disfarces para manter a situação… Não! Ele não queria compromisso sério com ela… Era só sexo, nada mais… Tinha medo de ser explorado, tinha vergonha de aparecer em público com uma reles funcionária… Causava vertigens a ideia de ser visto de mãos dadas com ela… Gostaria de continuar cultivando a imagem de bom empresário, empreendedor, ousado e cheio de ideias para ganhar mais dinheiro com menos investimento e menor esforço possível, explorando funcionários, enriquecendo às custas dos trabalhadores e, o pior, sendo venerado e homenageado por isso… Sonhava em ampliar os negócios, abrir uma concessionária, ter muitos funcionários o ajudando a enriquecer cada vez mais rápido… Só queria desfrutar dos prazeres do capitalismo…

De fato, Adam tinha motivos de sobra para perder o sono naquela casa de praia…

 

www.marciogoes.com.br

 

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