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Bola de cristal

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 Cada vez que atravesso a Avenida Barão do Rio Branco e preciso parar no semáforo, arrecado alguns gramas de papel para a reciclagem: Panfletos e mais panfletos que, na sua grande maioria não merecem nem mesmo uma olhadela daqueles que o recebem… E pior, muitas vezes são jogados em via pública, sujando nossa cidade e entupindo bueiros… Oh! Céus! Será que esse povo nunca viu falar em aquecimento global?…
 Para evitar estes inconvenientes, resolvi atravessar a avenida a pé… Foi pior: juntei um maço de papel inútil, alguns até traziam algumas ofertas proveitosas, mas a maioria era balela… Porém um deles me chamou especial atenção: Era o anúncio de uma vidente que prometia melhorar a vida das pessoas através de trabalhos… Lembrei-me da nossa amiga comerciante que foi enganada esta semana e a falcatrua divulgada na edição de quarta-feira (18/03/2009) no Jornal Informe. Tratava-se da mesma vidente. Quero deixar claro que respeito qualquer tipo de crença… Respeito… Não necessariamente acredito… Mas quando se aproveita da fé ingênua do povo, fato que constitui um estelionato, fico indignado e questiono até que ponto devemos acreditar no sobrenatural. Infelizmente o ser humano prefere os caminhos mais curtos para resolver seus pseudoproblemas, alguns charlatões sabem disso e se aproveitam da situação para encurtar o caminho para seus lucros.
 Acabo de me recordar de outro fato hilariante, cujo protagonista fui eu mesmo: Há alguns anos, mais precisamente uma década, quando eu ainda era radialista, passeava despreocupadamente pela avenida, quando fui abordado por uma senhora pedindo para ler minha mão. Nunca acreditei nisso, mas como estava sem pressa, resolvi deixá-la fazer o serviço só para ver até onde ia a conversa. Primeiro disse que eu estava sendo traído… Detalhe: eu nem tinha namorada na época… Prosseguiu colocando todo tipo de defeito em minha vida profissional, familiar e nos negócios. Meu Deus!… Me senti o pior dos homens, quase me joguei no Rio do Peixe com uma pedra amarrada ao pescoço, tamanho foi o desgosto que ouvi daquela senhora que em seguida me pediu dinheiro para fazer um trabalho a fim de desmanchar outro que havia sido feito contra a minha pessoa por uma mulher que gostava de mim… Não entendi o porquê de alguém que gosta de mim querer me prejudicar, pareceu meio incoerente… Lógico, não dei um centavo sequer, aliás minha carteira estava vazia mesmo.
 Para finalizar, a pobre senhora leitora de código de barras de mãos, disse-me que eu teria uma vida longa… Isso me alegrou… Porém, concluiu dizendo que, no hospital que eu trabalhava tinha alguém querendo me prejudicar… Caí na gargalhada e até hoje ela não sabe o motivo. Tudo bem, por três meses da minha vida trabalhei em hospital, mas naquele momento eu era um locutor de rádio, o que a meu ver não tem nada a ver com a área da saúde. “É pacabá!!!”
 Devo ressaltar um detalhe: Naquele tempo eu tinha a paranoia de passar o dia do meu aniversário todo de branco. Na verdade, até hoje minha vida não mudou nada por causa disso, a não ser o fato de eu ser confundido com um enfermeiro. Acho que a bola de cristal da vivente vidente estava com as pilhas fracas.

 

 

Márcio Roberto Goes
www.cacador.net
www.portalcacador.com.br
Jornal Informe, Caçador – SC

One Comment

  1. Inhu
    Inhu 20 de março de 2009

    Eu lembro disso hehehe!!!

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