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“Bença” padrinho!

 
 No começo do ano letivo fui eleito professor regente de duas turmas que moram no meu coração (sou suspeito para falar, pois todas elas residem no coração deste professor apaixonado pela educação): Uma do matutino e outra do noturno, ambas de terceiro ano, o que significa trabalho dobrado para organizar a solenidade no fim do ano…
 Pois bem, como sempre, distribuí tarefas: elegemos uma comissão de formatura e cada turma escolheu o nome que mais lhe agradava para padrinho. Redigimos o convite formal e fomos conversar com os tais padrinhos.
 O matutino escolheu o então secretário regional, que nos recebeu em sua sala, mesmo sem hora marcada e dispensou alguns minutos de sua atenção para mim e para meus alunos da comissão. Tomamos café, conversamos despreocupadamente e recebemos uma resposta positiva a nossa solicitação… Tudo muito simples, tudo muito educado… Fomos tratados com respeito e dignidade merecidos por qualquer ser humano. Não tivemos cerimônia, não nos sentimos acuados, nem ameaçados.
– “Creio que fizemos uma boa escolha.” – Comentava-me uma de minhas alunas da comissão. Assim voltamos contentes e com a certeza da escolha certa.
A outra turma, do noturno, escolheu alguém igualmente importante para o município, chefe do executivo e empresário. Da mesma forma, reunimos a comissão, convite em mãos, fomos até a prefeitura falar com o nosso futuro padrinho…
… (Tempo reservado para alguém perceber nossa presença)…
Uma moça muito educada nos atende e entra no gabinete para falar com o “estrela”. Algum tempo depois, volta dizendo que o “bunitão” tá ocupado e que à noite aparece na escola para conversar com a turma…
… (Tempo reservado para esperar o padrinho aparecer na escola)…
Esperamos até a última aula e nada do astro aparecer. Duas semanas depois voltamos a procurá-lo, mas novamente não tivemos o desprazer de ver seu topete.
– “Esta semana, com certeza ele comparece na escola para conversar com a turma.” – me dizia a atendente, muito educadamente.
… (Tempo reservado para esperar a semana passar)…
… (Tempo reservado para esperar mais uma semana)…
… (Mais uma semana… mais outra… e outra)…
Até hoje, esta semana não chegou e não sabemos se o vivente aceitou nosso convite. Será que ele trata a população caçadorense (seus conterrâneos) da mesma maneira?… Creio que não, haja vista o resultado das urnas. Ou será que o povo foi enganado de novo?…
Para encurtar a história, os dois acabaram sendo candidatos a prefeito e o “estrela” foi reeleito… Agora acabou a campanha. Estamos esperando sua visita, afinal uma turma convida alguém para padrinho quando reconhece e admira a pessoa e o seu trabalho. Espero que o pouco de admiração que a turma ainda tem por ele não se perca por causa de rixas políticas, afinal, os jovens merecem um pouco mais de atenção por parte do poder público.

 

Márcio Roberto Goes

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