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	<title>Márcio Goes &#187; Márcio Goes</title>
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	<description>Crônicas sobre Educação, Política, Literatura Etc e tal</description>
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		<title>Morte moral</title>
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		<pubDate>Sat, 04 Feb 2012 18:08:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Márcio Goes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
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		<category><![CDATA[morte moral]]></category>

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		<description><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.marciogoes.com.br/2012/02/morte-moral.html' addthis:title='Morte moral '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>“Nossa, nossa Assim você me mata Ai se eu te pego, ai ai se eu te pego&#8230;” Nunca me agradou o fato de escrever sobre fatos ou ideias que já são amplamente divulgadas pela mídia, porém, resolvi abrir uma exceção&#8230; Meu coração apaixonado pela educação pública e minha mente viajante não me deixam ficar calado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.marciogoes.com.br/2012/02/morte-moral.html' addthis:title='Morte moral '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div><p>“Nossa, nossa<br />
Assim você me mata<br />
Ai se eu te pego, ai ai se eu te pego&#8230;”</p>
<p>Nunca me agradou o fato de escrever sobre fatos ou ideias que já são amplamente divulgadas pela mídia, porém, resolvi abrir uma exceção&#8230; Meu coração apaixonado pela educação pública e minha mente viajante não me deixam ficar calado diante de tão grande sucesso que leva a nossa música a todos os cantos do mundo&#8230; Já existem versões em inglês, alemão, italiano, entre outras e agora, acabo de ver na tela do “plim plim”, a mais nova versão em japonês&#8230;</p>
<p>Me parece uma valorização exagerada da banalização do sexo através de uma letra vergonhosa encaixada numa melodia muito bem construída que mereceria um poema de verdade&#8230; Trinta e uma palavras diferentes, o resto é só repetição e, o pior: Estas palavras tomam conta de nossa mente e dificilmente desgrudam dos pensamentos por um bom tempo. Basta ouvi-la uma única vez para contaminar o cérebro durante um dia inteiro&#8230;</p>
<p>É claro que existem muitas outras músicas com letras muito piores, mas nenhuma delas tem sido tão divulgada como esta que ora ganha o mundo e me faz duvidar da casualidade do fato, pois as grandes redes de TV só divulgam o que lhes dá retorno, portanto, exitem pessoas muito interessadas em divulgar o rebaixamento da cultura, pois, provavelmente dá lucro&#8230;</p>
<p>O Brasil é um palco a céu aberto, “deitado eternamente em berço esplêndido”, muitos artistas nossos já ganharam o mundo, Rodrigo Santoro no cinema internacional, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Caetano Veloso e tantos outros na música, sem falar no esporte que a cada dia revela novos talentos nas mais diversas modalidades&#8230; Nenhum deles é divulgado tão amplamente quanto este que tenta fazer os jovens acreditarem que o ato de “pegar a tal delícia” os fará melhores e mais populares&#8230; Tem até coreografia que gira o mundo e continua a mesma em todos os idiomas&#8230;</p>
<p>Vi uma frase no Facebook que dizia mais ou menos o seguinte: “As mulheres esperam um príncipe encantado, mas não se preocupam em se comportar como princesas”&#8230; Penso que este fato também seja inerente aos homens que esperam uma princesa, mas não procuram ser nobres, nem cuidar bem de seu cavalo branco&#8230; Em virtude destes comportamentos, encontro jovens, já desiludidos com o amor, não acreditam mais numa relação duradoura, ou quem sabe eterna, não buscam mais aquela emoção de procurar e encontrar a pessoa certa, já não guardam a intimidade para ser compartilhada com quem realmente ama reciprocamente&#8230; O negócio é pegar e, da mesma forma que pega, largar com a mesma facilidade. Está tudo muito explícito, tudo é liberado&#8230; Não se sente mais aquele friozinho na barriga no primeiro encontro. Parece que o coração fica inerte diante dos encontros e desencontros da vida&#8230; O importante é pegar e ser pegado, beijar sem dar a devida importância para  esta maravilhosa manifestação de amor, fazer sexo e nada mais, esquecendo-se que se trata do contato mais íntimo entre duas pessoas e deveria ser consequência do amor, não somente da atração física como acontece constantemente&#8230;</p>
<p>Sou Católico Apostólico Romano, mas independente desta placa religiosa, sou admirador da obra literária e artística do padre Zezinho SCJ, cuja música já chegou a mais de quarenta países. Seu maior sucesso, “Oração pelas famílias”, também correu o mundo e só na voz dele conheço as versões em Português, Espanhol e Italiano, sem contar as gravações em outras tantas nações nos seus próprios idiomas com outras vozes&#8230; Por que então não o vemos constantemente na mídia cantando o refrão de seu maior sucesso?&#8230; Para os poderosos não interessa a fama de um padre que divulga os mais sublimes valores familiares, de onde nascem as melhores personalidades&#8230; Isso não dá IBOPE, não dá lucro nem status para os veículos de comunicação&#8230;
<p>Como ele, existem inúmeros padres, pastores, leigos e até artistas que não têm uma religião oficial, mas que cantam as belezas da vida e as maravilhas que o amor produz nos seres humanos, nos fazem pensar e analisar os fatos e ideias que nos cercam, não nos furtam ao direito e à coragem de sermos felizes e fazermos felizes aos que nos cercam&#8230; Existem milhares de atristas neste país com proporções continentais que cantam o amor, a alegria de viver, a valorização dos sentimentos mais puros, a ânsia por dias melhores, as lutas populares&#8230; Porém a eles não é dada a voz dos principais meios de comunicação, pois cantar os valores humanos e morais não dá dinheiro aos já poderosos&#8230;</p><p style="float: left;"><script type="text/javascript"><!--
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<p>A caixinha preta que nos faz economizar cérebro, chamada televisão, não nos permite pensar e analisar o mundo ao nosso redor&#8230; É mais cômodo cantar um refrão pobre, mas que nos faz acreditar na delícia de se pegar outro ser humano do sexo oposto sem compromisso, esquecendo-se que aquele corpo que os olhos enxergam como gostoso, abriga uma criatura divina, um ser humano complexo que vai além da casca, cheio de esperanças e temores, mas que renuncia a tudo isso por uma pegada, um momento, um prazer carnal&#8230;</p>
<p>Tudo isso passa. No final, colhemos o que plantamos. Então, é infinitamente melhor plantar o amor, do contrário “assim você me mata”&#8230; Me mata da pior forma possível: a morte moral&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Márcio Roberto Goes</p>
<p><a href="http://www.portalcacador.com.br">www.portalcacador.com.br</a></p>
<p><a href="http://www.cacador.net">www.cacador.net</a></p>
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		<title>Mulheres &#8211; coreografia</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Feb 2012 03:48:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Márcio Goes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Vídeos]]></category>

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		<description><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.marciogoes.com.br/2012/02/mulheres-coreografia.html' addthis:title='Mulheres &#8211; coreografia '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>Mulheres youtube]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.marciogoes.com.br/2012/02/mulheres-coreografia.html' addthis:title='Mulheres &#8211; coreografia '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div><p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=PQhYkCgzyAg">Mulheres youtube</a></p>
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		<title>Sonhos Azuis &#8211; CAPÍTULO III</title>
		<link>http://www.marciogoes.com.br/2012/01/sonhos-azuis-capitulo-iii.html</link>
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		<pubDate>Tue, 31 Jan 2012 04:30:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Márcio Goes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sonhos Azuis]]></category>

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		<description><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.marciogoes.com.br/2012/01/sonhos-azuis-capitulo-iii.html' addthis:title='Sonhos Azuis &#8211; CAPÍTULO III '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>Leia também capítulos I  e  II &#160; &#160; No caminho para casa, tira o rosário do bolso e começa a rezar, pedindo a Deus que permita que aquele besourinho azul da cor de seus sonhos possa ser seu&#8230; Quase uma obsessão&#8230; Nem olha para os lados, não percebe a presença dos conhecidos: o amigo da loja [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.marciogoes.com.br/2012/01/sonhos-azuis-capitulo-iii.html' addthis:title='Sonhos Azuis &#8211; CAPÍTULO III '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div><p>Leia também capítulos<a title="Sonhos Azuis capítulo 1" href="http://www.marciogoes.com.br/2012/01/1036.html" target="_blank"> I </a> e  <a title="Sonhos Azuis, capítulo  2" href="http://www.marciogoes.com.br/2012/01/sonhos-azuis-capitulo-ii.html" target="_blank">II</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>No caminho para casa, tira o rosário do bolso e começa a rezar, pedindo a Deus que permita que aquele besourinho azul da cor de seus sonhos possa ser seu&#8230; Quase uma obsessão&#8230; Nem olha para os lados, não percebe a presença dos conhecidos: o amigo da loja de instrumentos musicais, na José Boiteux, sempre vendendo a perder de vista para ele, a moça da loja de presentes perto da ponte de madeira, cartão postal da cidade, onde sempre parava para jogar conversa fora, o amigo da agropecuária onde periodicamente levava seu cãozinho para tomar banho, os jovens da revendedora de autopeças, o colega da eletrônica,  a cabeleireira, sempre com o salão cheio, mas nunca se negava a trocar umas palavrinhas com nosso sonhador, o senhor da frutolândia que lá trabalha com sua família, a moça do caixa do supermercado, ex-aluna, as atendentes da padaria da esquina do cemitério, as pessoas sentadas no banco da praça em frente a Paróquia Nossa Senhora Rainha&#8230; Aliás, nem ele lembrou de sentar um pouco naquele banco, bater um bom papo, fazer uma boa leitura, ou simplesmente, descansar a mente&#8230; As crianças esperando o horário da catequese em frente a igreja, os transeuntes&#8230; O corredor no meio do cemitério e a ponte sobre o riacho que dá acesso ao seu bairro, as crianças brincando na rua, a dona Otacília e o seu Juvenal na varanda da casa verdona da esquina, a dona Regina tomando chimarrão perto do muro&#8230;</p>
<p>Nada lhe tirava a atenção dos seus pensamentos sonhadores de sonhos azuis&#8230; Quando caiu em si, estava em casa, com o cachorro no colo, conversando com dona Áurea:</p>
<p>Pois é, mamãe. Acho que meu destino é viver a pé mesmo. Não consigo encontrar um fusca descente e um carro mais caro não tenho condições de pagar.<br />
Calma, piá! &#8211; Dizia ela enquanto ajeitava o café com pão caseiro, margarina e um doce de abóbora feito pelas suas mãos carinhosas e hábeis &#8211; Pra tudo Deus dá um jeito&#8230; Se for da vontade dele, este fusquinha azul é seu.</p>
<p>Prendeu seu amigão na coleira, fazendo-o carinho que foi retribuído com algumas lambidas e o balanço da cauda.</p>
<p>Porque é que as coisas parecem tão difíceis para mim, mamãe?<br />
Não está fácil para ninguém. Tenha certeza que existem muitas outras pessoas em situação pior&#8230; O café tá na mesa!<br />
Eu só queria uma condução&#8230; Será que estou pedindo demais? &#8211; Indagava enquanto se ajeitava na cadeira da cozinha – Se não conseguir comprar um carro, vou gastar este dinheiro do acerto com outra coisa&#8230; Não vejo a hora de terminar a faculdade e me efetivar em alguma escola pública estadual&#8230; O concurso eu já fiz, apesar de me chamarem de louco&#8230;<br />
Louco por que?<br />
Porque fiz a prova do concurso sem concluir a faculdade. &#8211; Dizia, enquanto preparava seu café com quatro colheres de açúcar e trinta por cento de leite&#8230;<br />
Mas você passou, mesmo assim.<br />
Porém, não posso assumir sem diploma. Espero que não me chamem antes de tê-lo em mãos.</p>
<p>Tomava seu café preocupado, o pão descia meio arranhando a garganta, o café não tinha o mesmo gosto&#8230; Tudo parece estranho quando estamos angustiados e dependemos das indecisões da vida&#8230; Todos os seres a nossa volta parecem se comportar diferente, todos parecem nos olhar com outros olhos, nos sentimos nus diante das intempéries. Parece que o mundo todo está nos vendo e nos julgando, nos condenando por darmos tanta importância a coisas tão simples e fugazes segundo o julgamento dos mais céticos&#8230; O raciocínio lógico fica prejudicado e confuso. Não é possível, mesmo com todo o esforço do mundo, perceber que em qualquer situação, ainda existe um lado bom, tudo depende do ponto de vista&#8230;</p>
<p>O restante da tarde, João passa calado, refletindo sobre os problemas cotidianos de um professor não-habilitado, contratado temporariamente que todo final de ano fica desempregado, sem nenhuma perspectiva para o ano seguinte&#8230; Enquanto contempla as hortênsias azuis, da cor de seus sonhos pela janela da cozinha, lembra de quando terminou, com muito custo o ensino médio, magistério&#8230; Emprestou dinheiro para prestar o vestibular, fez a prova e passou&#8230; Começou uma faculdade, mesmo desempregado, porém no mesmo ano que iniciou seus estudos acadêmicos, conseguiu, pela primeira vez, um contrato temporário de professor: Uma vitória em sua vida, pois dali tiraria seu sustento, o de sua mãe e o dinheiro para o curso universitário, tudo mudaria em sua vida, não precisaria mais empreitar terrenos para capinar, calejar as mãos no chão de fábrica de uma indústria madeireira perto de sua casa onde trabalhara por cinco longos anos, nem aguentar a exploração reservada para os funcionários do comércio, que têm hora para começar o dia de trabalho, mas nunca sabem a hora de voltar para casa&#8230; Estava feliz, por ter uma carteira de motorista, o que naquele momento significava um passo para sua liberdade que sempre quis e pela qual, sempre lutou. Porém estava com o coração apertado sem saber o que seria o dia de amanhã&#8230; Estava apaixonado pelo fusquinha azul, mas guardava para si: Tinha medo de ser ridicularizado e humilhado por ter um sonho tão simples, por não sonhar com casa de luxo, ou carro do ano&#8230;<br />
À noite, recolhe-se no quarto mais cedo que de costume e volta a sonhar acordado com seu fusquinha azul: ele e sua namorada imaginária sem rosto passeando pela cidade a bordo daquela simpatia de carro, com as janelas abertas, cantando uma canção qualquer e buzinando para os conhecidos.<br />
Adormece&#8230; preocupado&#8230; porém, otimista, pois sempre exercitou o pensamento positivo em vários momentos de sua vida&#8230; Agora estava sonhando, seu subconsciente o transportara para dentro de seu sonho de consumo: Azul, da cor de todos os seus sonhos, estofado preto, volante esportivo, vidros escuros&#8230; Regulava os espelhos, o banco, passava o cinto de segurança, batia a chave&#8230; Escutava o ronco do motor e sentia o vento pela janela&#8230; Dirigia despreocupadamente&#8230; Estava feliz, sonhava feliz&#8230; Por um momento, num delírio sonhador, seu fusquinha criava asas e voava rumo ao infinito. Lá de cima podia visualizar toda a sua querida cidade: a casa velha de madeira, os túmulos no cemitério, onde também existem diferenças de classes: quanto mais rico o defunto, mais luxuosa sua derradeira morada&#8230; A rodovia, a escola onde trabalha&#8230; O fusquinha subia cada vez mais e, a sua frente, só escuridão. De repente, um raio de luz, não conhecia aquele lugar, apesar da sensação de já ter estado lá em algum momento&#8230; E assim foi a noite toda, passando pelos mais desconhecidos lugares com seu fusquinha azul da cor do céu, da cor do mar, da cor de seus sonhos&#8230;</p>
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		<title>Torneira relapsa</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Jan 2012 03:23:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Márcio Goes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caçador]]></category>
		<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.marciogoes.com.br/2012/01/torneira-relapsa.html' addthis:title='Torneira relapsa '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>&#160; Seja bem-vindo ao meu modesto lar. Ainda não é meu de verdade&#8230; Busco um financiamento para a casa própria&#8230; Mas aqui você encontrará muito calor humano. Pode não ser a casa mais organizada que deve ter visitado, mas sempre tem um bom lugar reservado aos amigos e pessoas de bem&#8230; Já na entrada, encontrará [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.marciogoes.com.br/2012/01/torneira-relapsa.html' addthis:title='Torneira relapsa '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div><p>&nbsp;</p>
<p>Seja bem-vindo ao meu modesto lar. Ainda não é meu de verdade&#8230; Busco um financiamento para a casa própria&#8230; Mas aqui você encontrará muito calor humano. Pode não ser a casa mais organizada que deve ter visitado, mas sempre tem um bom lugar reservado aos amigos e pessoas de bem&#8230;</p>
<p>Já na entrada, encontrará dois seres mais humanos que muitos homo sapiens desumanizados. Meus grandes amigos: um labrador e outro vira-latas que, apesar de terem valores diferentemente estipulados pelo capitalismo selvagem, ocupam lugares idênticos em meu coração, entre nós circula o amor verdadeiro, sem pretensões, sem cobranças, sem limites&#8230; Vez por outra, visto uma roupa sujável e dou um banho em minha alma ao rolar no piso com eles. Meus companheiros ficam felizes e eu também, aliviamos as tensões, eles abanam o rabo e eu alargo o sorriso de orelha a orelha. Às vezes, a namorada mais maravilhosa do mundo chega de supetão e não pensa duas vezes antes de entrar na brincadeira e provar também da sensação de que não é preciso riquezas materiais para o enriquecimento da alma&#8230; Mas peço perdão, neste momento em particular, pelo canil um tanto sujo. Mesmo os melhores amigos do homem produzem dejetos&#8230; A parte sólida foi possível juntar, mas o líquido evaporou e deixou apenas o odor que se reforça nas tardes ensolaradas de verão&#8230;</p>
<p>Depois de passar pela prova de resistência canina, fique a vontade para entrar num lar feliz. Não tire o calçado. Entre, puxe uma cadeira e sente-se. Sinta-se confortável e, por favor, não olhe para a pia, pois toda a louça do café da manhã e do almoço ainda está por lavar&#8230; De onde está sentado, é possível visualizar a lavanderia improvisada anexo à cozinha, lá se vê uma montanha de roupas esperando para serem lavadas. Por gentileza, não repare&#8230;</p>
<p>Se precisar usar o banheiro, por favor, evite fazer o número dois, pois não se pode dar descarga temporariamente e as mãos não poderão ser lavadas&#8230; Não pense que sou relaxado, relapso, ou não tenho asseio pessoal. Minha humilde residência sempre foi muito bem cuidada para que eu e meus visitantes pudéssemos nos sentir bem, confortáveis, com sensação de leveza e limpeza. Mas há dias não é possível, pela constante falta de água&#8230; Sim! O líquido precioso é raro pelas bandas do Martello, mais precisamente no loteamento Morada do Sol. Nunca sabemos se podemos iniciar o banho essencial e diário, sem sermos surpreendidos com o enfraquecimento do chuveiro e a consequente interrupção do processo&#8230; Se deixo para lavar o canil depois, posso não obter resposta alguma ao abrir a torneira&#8230; Após o café, não tinha água, foi assim durante toda a manhã. Após o almoço, mesma situação. A louça ainda espera ser lavada e agora, não existe água potável nem mesmo para oferecer-lhe um cafezinho passado na hora, ou um chimarrão para compartilharmos, na cuia e na bomba, esperanças e temores&#8230; A máquina de lavar roupas também  não consegue cumprir seu papel se não tiver uma ajuda líquida inodora, sem sabor e incolor&#8230;</p>
<p>Amigo visitante, esta situação já se arrasta há meses&#8230; “Estamos fazendo manutenção”, dizem os responsáveis para justificar as constantes interrupções no abastecimento&#8230; Me parece um tanto demorada a tal manutenção, pois moro aqui há cinco meses e a falta de água é constante&#8230; Final do ano passado, compareci a duas solenidades de formatura de ensino médio, numa delas exerci o papel de mestre de cerimônias, na outra, compuseram a mesa de honra as autoridades que contribuem para esta situação humilhante. Em ambas, tive que vestir o terno sobre o banho do dia anterior e deixar a barba por fazer&#8230;</p>
<p>E o pior de tudo é que, a cobrança da tarifa é a mesma. Pagamos pelo vento na torneira, pagamos pelo odor de um canil não higienizado, pagamos pelo spray de ar sobre os cabelos quando tentamos tomar um banho descente. Pagamos pelo descaso dispensado aos moradores dos bairros mais afastados do centro financeiro e comercial, luxuoso, capitalista, chique, privilegiado&#8230; Afinal a elite não pode sofrer a falta do líquido precioso. A ela é permitido esbanjar e o meio ambiente que “sifo”&#8230;</p>
<p>Nossa conta está lá todo mês. Se usamos demais, pagamos mais, se usamos de menos, a taxa não diminui. Não me parece justo pagarmos a mesma taxa por um fornecimento pela metade. Não me parece legítimo sofrermos constantes danos morais e higiênicos, e ainda pagarmos por isso. Não me parece nada legal sermos obrigados a adivinhar os momentos certos para tomar banho, lavar roupa, louça, ou mesmo fazer as refeições&#8230; Não é nada agradável vermos tantas campanhas pela preservação dos recursos naturais, pela economia sustentável, pela coleta seletiva do lixo e, principalmente pelo uso consciente da água, se aqueles que coordenam o processo não têm consciência da importância deste líquido precioso para a vida de todos os seres humanos, sejam eles ricos, ou pobres, do centro, ou da periferia&#8230; Todos precisamos e temos direito à água potável. Nem todos a temos o suficiente para as necessidades básicas diárias, mas todos pagamos como se a tivesse&#8230;</p>
<p>Mas o capitalismo desumano é assim, tira de quem não tem e dá para quem já não sabe onde acumular. Defende a ilegalidade de quem deveria lutar pelo cumprimento da lei e condena sempre o indefeso&#8230; Dá poder a quem já é poderoso e tira os direitos de quem já não os tem&#8230;</p>
<p>Parece que o líquido precioso só está sendo fornecido abundantemente para quem já é nobre&#8230; E o pobre? Que vá tomar banho de rio!&#8230; Ainda assim poderá ser condenado por poluir a água que, depois de tratada, será vergonhosamente negada a ele nas torneiras da vida&#8230;</p>
<p>Márcio Roberto Goes</p>
<p><a href="http://www.portalcacador.com.br">www.portalcacador.com.br</a><br />
<a href="http://www.cacador.net">www.cacador.net</a></p>
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		<title>Sonhos azuis &#8211; Capítulo I</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Jan 2012 21:50:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Márcio Goes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sonhos Azuis]]></category>
		<category><![CDATA[sonhos azuis]]></category>

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		<description><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.marciogoes.com.br/2012/01/1036.html' addthis:title='Sonhos azuis &#8211; Capítulo I '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>(Onde a ficção se confunde com a realidade) - “Não!&#8230; Não é possível!&#8230; Fiz quinze aulas de volante e nunca encostei no cone! Por que, justo no dia do teste eu derrubo a baliza?&#8230; Nem eu mesmo me perdoo por esse vexame&#8230; Não acredito! O que dirão meus amigos, minha família? Como vou dar-lhes a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.marciogoes.com.br/2012/01/1036.html' addthis:title='Sonhos azuis &#8211; Capítulo I '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div><p>(Onde a ficção se confunde com a realidade)</p>
<p>- “Não!&#8230; Não é possível!&#8230; Fiz quinze aulas de volante e nunca encostei no cone! Por que, justo no dia do teste eu derrubo a baliza?&#8230; Nem eu mesmo me perdoo por esse vexame&#8230; Não acredito! O que dirão meus amigos, minha família? Como vou dar-lhes a notícia, já que me saí muito bem em todas as aulas?”&#8230; Assim voltava, reclamando para si mesmo o João que acabara de fazer o teste de volante, e mesmo sem saber, tinha a certeza do resultado. Ficou muito nervoso e teve pouca atenção ao realizar o teste&#8230; acabou reprovando, pois a Autoescola é exigente, afinal, tem o dever de formar bons condutores de veículos automotores. Mas ele precisava tentar novamente para, enfim, realizar um de seus mais sonhados objetivos&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Quinze dias depois, João volta a fazer o teste, após ter realizado mais algumas aulas de volante, desta vez, mais atento&#8230; Conseguiu, enfim a aprovação. Uma vitória, pois antes de começar as aulas na Autoescola, mal sabia colocar a chave na ignição. Sem fazer o mínimo esforço para conter sua alegria, João volta para casa, crendo que seria uma das últimas vezes que voltaria a pé, sorridente e quase saltitante de tanta euforia. Tinha vontade de contar a novidade a cada criatura viva que cruzasse seu caminho. Há dez anos que atingira a maior idade, todo esse tempo esperando pelo tão sonhado dia em que teria sua Carteira Nacional de Habilitação em mãos. Agora era só esperar o prazo legal e retirá-la na autoescola onde realizou as provas teóricas e práticas, após alguns dias de curso. Mais um obstáculo vencido em sua vida, que não fora tão fácil assim até o momento para aquele sonhador que nunca perdera as esperanças de ter uma vida melhor e melhorar também a vida de sua família&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>João&#8230; um nome simples e comum, tanto quanto a “Salve Rainha”. Um jovem João, no meio de tantos outros Joãos&#8230; Silva, sobrenome também comum, advindo de várias árvores genealógicas&#8230; Este é nosso protagonista. Tem muitos sonhos: casar, ter filhos, terminar a faculdade, deixar a vida de peão&#8230; sonhos azuis, da cor do mar, da cor do céu&#8230; Um de seus sonhos está prestes a se realizar: comprar um carro, seu primeiro&#8230; e o mais cogitado é um fusca; pensa que algumas economias sofrivelmente juntadas, sejam o suficiente para a entrada e como seu nome sempre foi limpo, pode financiar o restante em suaves prestações.</p>
<p>Sua mãe, dona Áurea (que significa: da cor do ouro), é a pessoa mais preciosa de sua vida, uma senhora com sessenta e seis anos, amiga da vizinhança e sempre disposta a ajudar no que for preciso&#8230; Em sua casa sempre tem chimarrão quentinho e hospitalidade, o que deixa qualquer visitante bem à vontade&#8230;Mãe de cinco filhos, sendo João o último e único a morar ainda com ela, que no auge dos seus vinte e oito anos nunca se casou.</p>
<p>Nascido na década de setenta, João não teve direito nem mesmo a um berço, dormia na cama de casal entre o pai e a mãe, nunca presenciou sequer um gesto de carinho entre eles, desde que se conhecia por gente&#8230; Seu pai, também João, cujo nome do filho o homenageava, era um carpinteiro de mão cheia, construíra a casa simples de madeira, onde moravam, com as próprias mãos em três etapas, uma delas quando João já tinha seus cinco anos, idade da sua primeira festa de aniversário, dali pra frente, lembra-se mais nitidamente da vida conturbada em família. Certa vez, teve que juntar os cacos de um prato jogado ao chão por seu pai que chegara bêbado e, por algum motivo não se agradara com a comida oferecida carinhosamente por sua mãe. Cresceu vendo um casal derrotado na sua escolha pelo matrimônio. Áurea casou por obrigação, grávida do primeiro filho, então teve mais três e um adotado. Terminou como termina qualquer relacionamento que começa mal: a separação. A senhora guerreira já não aguentava mais viver com um alcoólatra nervoso e violento e João já não suportava tanto sofrimento de sua mãe. Ambos depois de uma briga do casal por causa da bebida, saíram de casa, passaram uma noite na sua madrinha. No dia seguinte, voltaram com novas ideias para lutar pela felicidade e por uma vida mais confortável. Porém, a convivência estava cheia de feridas que, a cada dia sangravam mais. João, o pai, resolve abandonar a família no dia em que João, o filho completava seus dezesseis anos, logo depois de estragar sua festa de aniversário, chegando bêbado. Os convidados, disfarçadamente, saíram um a um&#8230; Naquele momento, João assumia, aos dezesseis anos, o papel de homem da casa e conseguiu, enfim construir, com sua mãe um lar feliz&#8230;</p>
<p>Dona Áurea, como toda mãe preocupada com seu filho, não gostou muito da ideia de comprar um carro. Parecia perigoso, principalmente pelo fato de seu filho nunca ter dirigido sozinho antes. Passava por sua cabeça vários acidentes noticiados na TV, rádio e jornais, envolvendo veículos automotores nas estradas do Brasil:</p>
<p>“Tem certeza que você terá condições de pagar, meu filho?”</p>
<p>“Olha mãe, prefiro pagar um financiamento a continuar gastando dinheiro com transporte para trabalhar e estudar”&#8230;</p>
<p>“Mas, meu filho, carro dá despesa e você ainda tem a faculdade para pagar.”</p>
<p>“Penso que, apesar de tudo, um veículo será muito útil para nós, mamãe. Poderemos ir e vir a hora que quisermos e para onde quisermos, sem compromisso com horário ou passagem, além do mais, já sou bem grandinho e mereço um pouco de conforto.”</p>
<p>Mesmo contrariado, numa sexta-feira, João começa sua busca por várias revendedoras da cidade. Já estava decidido, queria um fusca, carro simpático e apaixonante, além de ter manutenção barata&#8230; Na primeira revendedora, encontra um besourinho branco, ano 94.</p>
<p>“Se você quiser, pode levá-lo para passar o fim de semana com ele, e na segunda-feira, fechamos negócio.” &#8211; Disse simpático e interesseiro, o vendedor.</p>
<p>“Não posso! Minha carteira de motorista não está pronta e ainda me sinto inseguro”</p>
<p>“Onde você mora?”</p>
<p>“Fica um tanto longe.”</p>
<p>“Pode levá-lo! No trajeto até sua casa não tem polícia, principalmente se for pelos bairros, desviando o centro e as rodovias.”</p>
<p>“Obrigado! Prefiro não arriscar, mas daqui a pouco volto com um motorista.”</p>
<p>Teófilo, seu melhor amigo, irmão de coração, inclusive, considerado como filho por dona Áurea, é um jovem que tem muito em comum com o João: Não bebe, não fuma, é caseiro, não gosta de relações fugazes, prefere compromissos sérios&#8230; Um ano e meio mais novo que João, porém com muita experiência ao volante. Seu melhor amigo foi o primeiro a visitar seus pensamentos quando tentou providenciar um motorista. Teófilo (que significa, amigo de Deus), aceita prontamente, volta com João à revendedora e conduz o fusca até sua casa&#8230; Antes resolvem dar uma passeada pelas ruas da cidade, já que ao volante estava agora um motorista de verdade, com carteira e tudo. Durante o trajeto, o fusca apaga duas vezes, numa delas, João precisa descer e empurrar&#8230;</p>
<p>O carro é maravilhoso. Tem tudo o que o João sonhava, menos uma bateria forte. No segundo dia teve que fazê-lo pegar no tranco de novo. Um martírio!&#8230; Se passasse o fim de semana a pé, os transtornos, com certeza, seriam menores. Abandonou aquela condução em frente a sua casa por todo o resto do sábado e durante o domingo.</p>
<p>Na segunda-feira, depois de fazer o carro funcionar na quinta tentativa, em companhia de Teófilo, devolve o fubicão de tração humana ao vendedor, que apressadamente pergunta, já com a nota na mão e pronto para imprimir o boleto:</p>
<p>“E aí, vamos fechar negócio?”</p>
<p>“Não! A ideia de ter um carro que constantemente precisa pegar no tranco, não me agrada. Também não preciso de um poço de óleo em frente à minha casa, que só serve pra bonito, sem realizar sua tarefa principal que é transportar-nos para onde quisermos.”</p>
<p>“Não fique nervoso&#8230; &#8211; prosseguiu o vendedor – Sentimos muito pelos transtornos causados no fim de semana. Podemos resolver todos estes problemas fazendo uma revisão geral&#8230; Ou, se não lhe agrada, temos outros veículos melhores e mais novos&#8230;”</p>
<p>“&#8230; E por consequência, mais caros&#8230; Não! Prefiro ficar a pé e o meu objetivo é um fusca: é mais a minha cara&#8230;”</p>
<p>Procurou por alguns dias em várias revendedoras de Caçador, sem sucesso. Nada lhe agradava&#8230;Um vazava óleo, outro tinha problemas mecânicos, outro estava com estofados em estado lastimável, outro ainda, apresentava uma décima camada de pintura muito meia boca e precária&#8230; Só encontrava bomba: Volante tampinha de margarina com duas voltas e meia de folga, pneus carecas desalinhados e desbalanceados, assoalho podre, lataria pré-histórica, ausência de pedal de acelerador, extintor ou retrovisor, parte elétrica comprometida&#8230; tudo em terrível estado de conservação e superfaturado por seus vendedores&#8230;</p>
<p>Quando estava quase desistindo, distraidamente passa em frente a uma revendedora, que ainda não havia recebido sua visita por pensar que só tinha carros de valores muito altos, a julgar pelo capricho e beleza de sua fachada (um infeliz engano) , onde viu projetado todos os seus sonhos, fato que o fez pensar diferente: Lá estava ele: lindo, inteirão, polido, simpático e sorridente: Um fusca azul, da cor do céu, da cor do mar, da cor de seus sonhos&#8230;</p>
<p>Após alguns segundos, onde o tempo pareceu parar, seus olhos não conseguiam se mover, seu sorriso não deixava de brilhar naquela face sofrida e esperançosa, seus pés já não sentiam o chão&#8230; Estava nas nuvens, flutuando diante de uma máquina simples, de tecnologia alemã, criada para a guerra, que se tornou o carro mais popular do Brasil e quiçá do mundo&#8230; De olhar estático e admirado, o boquiaberto João é surpreendido por um vendedor simpático e disposto a ajudá-lo.</p>
<p>“Em que posso ser útil, senhor?”</p>
<p>“Hã?&#8230; Como?&#8230; Ah! Quanto custa aquele fusca azul?”</p>
<p>“Sinto muito, mas já estamos fechando negócio com ele.”</p>
<p>Por um instante, nosso sonhador de sonhos azuis perdeu o chão, desta vez de desgosto. Sempre andou a pé. Nunca tivera a oportunidade de dirigir seu próprio automóvel para se locomover com mais rapidez e conforto. Finalmente, depois de vinte e oito anos, tem em mãos sua carteira de habilitação, conquistada com muita dedicação e perseverança. Nunca conseguiu economizar o suficiente para realizar seu único sonho de consumo&#8230; Agora que estava prestes a satisfazer seu ego com um carrinho da cor de seus sonhos, é surpreendido com uma resposta negativa que o deixa remoendo de remorso por acreditar numa ilusão fantasiosa, quase uma obsessão&#8230; Pobre João! Era tudo o que sonhara até então&#8230; Sua única pretensão de consumo, razão das suas economias&#8230; Sentiu uma lágrima correndo teimosa e dolorida em seus olhos, mas conteve-se. Baixou a cabeça e dirigiu-se vagarosamente, sem palavras até a saída da revendedora. Quando pode ouvir, de longe o vendedor dizendo:</p>
<p>“Volte amanhã. Se o cliente não fechar negócio hoje a tarde, conforme o prometido, eu seguro o fusca pra você.”</p>
<p>João, então ergue a cabeça de vagar, sem acreditar no que seus ouvidos acabaram de escutar, respira fundo e trêmulo, vira-se desconfiado para trás, perguntando:</p>
<p>“Está falando comigo?”</p>
<p>“Sim!”</p>
<p>“Quer dizer que ainda tenho uma chance?”</p>
<p>“Amanhã, logo cedo.”</p>
<p>“Combinado! Amanhã estarei aqui às oito e meia.”</p>
<p>Nosso sonhador, vê então, ressuscitar seu sonho azul polido, inteirão, de estofado preto e películas cinquenta por cento nos vidros&#8230; Volta para casa com uma esperança renovada em seu peito de sonhador, Queria muito levar seu automóvel, razão de suas economias sofrivelmente juntadas, no dia seguinte&#8230; Porém, com aquele frio na barriga que aperta desde os rins até a garganta, expressando o medo de ouvir outra resposta negativa&#8230; Talvez não suportaria mais um tombo, mas precisava tentar&#8230; era sua última e preciosa chance. Poxa! Todos os seus amigos tinham carro, só ele sempre a pé. Seu sonho era simples: um fusca&#8230; Só um fusquinha&#8230; Não estava exigindo muito da sorte: “Só um fusquinha” &#8211; pensava ele&#8230; “Nada mais que um fusquinha&#8230;”</p>
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		<title>Nostalgia radiofônica</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Jan 2012 11:50:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Márcio Goes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caçador]]></category>
		<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Rádio caçanjurê]]></category>

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		<description><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.marciogoes.com.br/2012/01/nostalgia-radiofonica.html' addthis:title='Nostalgia radiofônica '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>Por conta da divulgação do meu romance de folhetim visitei, esta semana, os estúdios da Rádio Caçanjurê AM e da 92 FM&#8230; A recepção de cara nova, a sala do chefe, agora reciclada, onde no dia nove de setembro de mil novecentos e noventa e seis, às onze horas da manhã, eu recebi a triste [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.marciogoes.com.br/2012/01/nostalgia-radiofonica.html' addthis:title='Nostalgia radiofônica '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div><p>Por conta da divulgação do meu romance de folhetim visitei, esta semana, os estúdios da Rádio <a title="Rádio Caçanjurê AM" href="http://rbvradios.inf.br/am1110/index.php" target="_blank">Caçanjurê AM </a>e da <a title="Rádio 92 FM, Caçador, SC" href="http://rbvradios.inf.br/fm929/2012/" target="_blank">92 FM&#8230;</a></p>
<p>A recepção de cara nova, a sala do chefe, agora reciclada, onde no dia nove de setembro de mil novecentos e noventa e seis, às onze horas da manhã, eu recebi a triste notícia da minha demissão, a nova sala da chefe, outrora um depósito, a manutenção, o atual departamento de jornalismo&#8230; A antiga sala do mestre Joair dos Santos Lima, apesar de um pouco diferente, permanece lá a espera do jornalista mor de Caçador. A impressão que dá é que ele logo volta, vai sentar naquela cadeira, ajeitar os bigodes e fazer jornalismo na velha máquina de escrever&#8230; Voltei no tempo, eu era sonoplasta do jornal, rodava as entrevistas num rolo de fita gigantesco que, às vezes apanhava e distorcia a voz do entrevistado, via através do aquário o seu Joair se segurando pra não rir&#8230; Hoje, o entrevistado sou eu e minha voz é fielmente captada por um aparelho minúsculo nas mãos da comadre Rita Martini, que começou a carreira um pouco antes de mim e ainda permanece lá, com Denilson Araújo, Luiz Roberto Damaceno, contundido, a Anne que sinto não conseguir escrever corretamente seu sobrenome, o Flavinho e, é claro, a Tia Ita que me recebeu com a hospitalidade de sempre e me levou conhecer as novas instalações das emissoras de rádio caçadorenses&#8230;</p>
<p>Na sequência, não tive como deixar de parar na discoteca, repleta de vinil em desuso e, quem diria, cheia de CDs também obsoletos. Novamente, minha criatividade nostálgica desenhou em meu cérebro a imagem daquele operador de som, apelidado por um dos locutores de Garibaldo,  perdido no meio dos bolachões, segurando o disco com a mão até que o locutor anunciasse a música e a agulha, que já estava no ponto, pudesse transitar livremente sobre a superfície do vinil e levasse ao ar o pedido do ouvinte&#8230; Isso até enroscar e o sonoplasta ter que dar uma sopradinha de leve na agulha para que ela pulasse o furo&#8230; Quantas vezes o sopro era mais forte que o necessário e a agulha ia parar na última faixa, obrigando o operador a abrir o microfone e o locutor a improvisar diante da situação quase constrangedora&#8230;</p>
<p>Paramos no estúdio da 92 FM: Tudo diferente, um locutor diante de um computador, cujo monitor de LCD é fixado na parede. Tudo programável, tudo agilizável. Dá até tempo de bater um papinho com a visita, o bloco de comerciais é programado automaticamente. Tem até uma câmera que transmite as imagens em tempo real pela internet&#8230; Me senti no BBB&#8230; Deus me livre! Sem falar na porta de vidro, que deu um designer todo moderno para a emissora&#8230;</p>
<p>E a Caçanjurê? Meu ganha-pão durante três anos de minha vida&#8230; Não está mais lá. Agora, de um lado do aquário, é CPA (centro de produções de áudio), do outro é estúdio reserva&#8230; Retrocesso de tempo em minha mente de novo: Lá estava eu, dez quilos mais magro e catorze anos mais moço, fones nos ouvidos, microfone a frente na mesa redonda, acordando o povo com o “Cheiro de Terra” e tomando chimarrão com o pessoal no Entardecer na Querência. Durante mais de dois anos conversei com os ouvintes dentro de um estúdio isolado acusticamente, tendo um sonoplasta do outro lado do vidro como companhia&#8230; Às vezes, era necessário assumir a técnica também, levava o microfone para o outro lado do aquário e fazia tudo sozinho. Os comerciais eram rodados em três cartucheiras. Os cartuchos utilizados eram de fita K7 que enrolava e desenrolava no mesmo rolo, parando com um bip, que às vezes, vazava no ar, armazenados em uma torre rotatória ao lado da mesa de som. Cada comercial, ou vinheta ocupava um cartucho, portanto, o sonoplasta precisava dar o play em cada comercial separadamente. Um servição que era cumprido agilmente a cada trinta segundos. Por vezes, estava no ar, sozinho, enquanto falava com o povo, puxava um cartucho para a próxima vinheta e sem perceber, a torre toda vinha abaixo. Quem ouvia em casa devia pensar que estava desmoronando a rádio, tamanha era a barulheira&#8230; Mas o ruído maior era a mijada do chefe depois&#8230;</p>
<p>E onde era o CPA, agora funciona o estúdio da Caçanjurê. Lá encontrei meu amigo Flávio Henrique, solitário, sendo ouvido pela cidade inteira. A tecnologia não precisa mais do trabalho do operador&#8230; Tudo me pareceu diferente, novo e de uma estranheza que nos faz pensar o quanto a humanidade evolui sem perceber&#8230; Flavinho está no ar, é o show da manhã&#8230; Sem aviso prévio me chama para bater um papo ao vivo&#8230; Apesar de um pouco enferrujado, consigo dar meu recado&#8230; É preciso muito talento para falar na latinha sem saber quem está ouvindo do outro lado&#8230; Ser radialista é amar a solidão que reúne multidões, é preciso isolar-se fisicamente do mundo ao seu redor para que o resto da população tenha acesso a ele, se torna necessário abdicar a própria liberdade, momentaneamente para que seus ouvintes sejam livres para analisar as informações audíveis através dos amplificadores. É essencial renunciar ao direito de ir e vir, para que sua voz ecoe em todos os cantos da cidade e penetre nos mais diversos e longínquos lares, ganhando também o mundo através da Internet&#8230; Este radialista meia boca que vos escreve tomou outros rumos. Sou imensamente feliz como professor e escritor. Mas, confesso, naquele momento me deu um nó na garganta, uma saudade gigantesca e uma imensurável contrição por não fazer mais parte do mundo fascinante da radiodifusão&#8230;</p>
<p>Mas eu não poderia deixar o recinto sem antes relembrar o cafezinho da tia Ita. As xícaras ainda são as mesmas, o cafezinho continua saboroso e a hospitalidade não se corrompeu com o passar do tempo&#8230;</p>
<p>A Rádio Caçanjurê é patrimônio histórico de nossa querida Caçador, a história dela se confunde com a história de muitos caçadorenses, incluindo este que vos escreve, cujos olhos avermelham-se neste momento e as lágrimas teimam em escorrer pelo rosto, numa homenagem passional e nostálgica deste que, por três anos, fez parte de sua equipe&#8230;</p>
<p style="text-align: right;">Márcio Roberto Goes</p>
<p style="text-align: right;"><a href="http://www.portalcacador.com.br">www.portalcacador.com.br</a><br />
<a href="http://www.cacador.net">www.cacador.net</a></p>
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		<title>Peitão</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Jan 2012 02:53:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Márcio Goes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Utilidade Pública]]></category>
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		<description><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.marciogoes.com.br/2012/01/peitao.html' addthis:title='Peitão '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>&#160; Ela era linda! Corpo perfeito (pelo menos para os pseudo-padrões), rosto bonito, olhos estonteantes&#8230; Mas tinha um defeito, aliás muitos defeitos, como todos os seres humanos os têm. Não podemos escapar deles. Mas imperfeição trata-se de um ponto de vista: o que é defeito para uns, pode ser qualidade para outros&#8230; Como as mulheres [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.marciogoes.com.br/2012/01/peitao.html' addthis:title='Peitão '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div><p>&nbsp;</p>
<p>Ela era linda! Corpo perfeito (pelo menos para os pseudo-padrões), rosto bonito, olhos estonteantes&#8230; Mas tinha um defeito, aliás muitos defeitos, como todos os seres humanos os têm. Não podemos escapar deles. Mas imperfeição trata-se de um ponto de vista: o que é defeito para uns, pode ser qualidade para outros&#8230; Como as mulheres nunca sabem quais são os quesitos considerados qualidades pelos homens de verdade, procuram mascarar aquilo que acreditam ser feio com quilos de maquiagem, roupas que valorizam esta, ou aquela parte do corpo, barriguinha a mostra, bermudas e microssaias menores que o cinto&#8230; Ou seja, procuram mostrar aquilo que desperta os machos e quando não têm, preferem mascarar, ocultar a essência&#8230; Os principais defeitos dela eram: orgulho, sentimento que nos faz ver os outros de cima para baixo e a vaidade excessiva, que nos deixa irremediavelmente descontentes com aquilo que somos e aquilo que temos. Estes, juntos, dão origem a um terceiro, muito querido pelo capitalismo, aliás, criado por ele: o consumismo&#8230;</p>
<p>A menina bonita contemplava seu lindo corpo nu no espelho, enxergando aquilo que ninguém mais via ao seu redor, mesmo quando estava quase devidamente vestida: uma celulite aqui, uma estria ali, uma pintinha indesejada acolá&#8230; De repente, seus olhos param naquele lugar que nos alimenta nos primeiros meses de nossa vida terrena, algo divino, capaz de fazer um bebê com cara de joelho virar o xodó da família através do leite materno&#8230; Mas ela não via todas essas vantagens, só percebia seus seios muito pequenos&#8230; “Os homens não gostam”, pensava ela acariciando os mamilos. Estava depressiva, percebia-se feia, descontente&#8230; Seu corpo não era perfeito. Não se sentia feliz. Os homens jamais quereriam namorá-la, ou simplesmente pegá-la daquele jeito&#8230; A jovem linda, então chorou de desgosto por não poder agradar aos olhos e às mãos de seus possíveis pretendentes. Precisava estufar mais o sutiã e as mãos do ficante. Necessitava chamar a atenção para os desejos mais promíscuos dos homens ao seu redor. Queria ser sexy&#8230; gostosa&#8230; Não bastava um rosto bonito, um corpo (agora quase) perfeito&#8230; Queria mais&#8230; Queria ser desejada pelos homens mais pegadores, mas para isso era preciso ter peitos maiores&#8230; Só queria ser linda o suficiente para não perder nenhuma chance com o sexo oposto&#8230;</p>
<p>Depois da sessão depressão, a garota que já agradava aos olhos alheios, se vê tomada pelo orgulho, vaidade e consumismo. Envolvida por estes sentimentos, procura então um médico a fim de melhorar a autoestima e turbinar seus peitos&#8230; Consulta feita, cirurgia marcada&#8230; a solução para todos os seus problemas estava a um passo de se realizar&#8230; Um ato cirúrgico e duas próteses de silicone seriam o suficiente para que os machos mudassem o conceito sobre aquela fêmea infeliz até então&#8230;</p>
<p>Depois da cirurgia, o pós-operatório que quanto maior o avanço da medicina, menor é seu tempo&#8230; Processo feito, recuperação sofrivelmente vencida. Novamente, encontra-se nua no espelho, contempla aquela obra magnífica da ciência que transformou duas laranjinhas em melões suculentos e chamativos&#8230; Agora estava linda, gostosa, apetitosa, nutritiva: Uma cavalona!&#8230; Seus seios pareciam ter sido esculpidos no torno, de tão perfeitos&#8230; Precisava divulgar o resultado com urgência. Foi às compras: mais decotes, menos sutiã, mostrava quase tudo, deixava um pouco para as mentes criativas masculinas imaginarem, mas se desse mole, certamente comprovariam in loco&#8230; Nunca pegou tanto, nunca foi tão pegada&#8230; Estava feliz&#8230; Sempre tinha companhia&#8230; Todos os machos queriam acariciar seus peitos, sonhavam em cair de boca naqueles melões simétricos, durinhos, empinados, sempre olhando o infinito. Ela era agora uma mulher de peito&#8230; Havia satisfeito seus mais profundos desejos sexuais e os dos seus parceiros também, não queria mais nada além de curtir a vida&#8230;</p>
<p>E eis que vieram os sintomas: a ardência nos seios perfeitos, a febre, a infecção&#8230; O médico de novo, os exames e a constatação: seu sonho de um corpo perfeito se rompeu. Os melões não eram tão perfeitos assim, tinham um grave defeito de fábrica que jamais seria considerado virtude por alguém: silicone industrial, de qualidade contestável, impróprio para o uso no corpo humano&#8230; A indústria fez o mesmo que aquela mulher para esconder seus defeitos: mascarou, maquiou, enganou&#8230; Agora ela era a vítima. Outra vez na mesa de cirurgia. Era preciso retirar, urgentemente os peitões tão sonhados por ela para que não causasse maiores danos. A recuperação foi muito mais dolorosa&#8230; Onde estavam agora aqueles que caíram de boca nos seus melões artificiais?&#8230; Por onde andavam os homens que lhe fizeram companhia e trocaram prazeres carnais? O que seria dela agora, sem seu atrativo principal?&#8230;</p>
<p>Seu maior erro foi achar que, chamando a atenção para o sexo, seria feliz&#8230; Só queria ser popular&#8230; E conseguiu! É capa de jornal! Teve implantada uma prótese da empresa que agora está proibida de comercializar seus produtos no Brasil&#8230; Mas todos daqueles que usufruíram de seus dotes corporais, agora somem. A eles não interessa a fama, o que importa é que, em algum momento de suas vidas, puderam se gabar  que pegaram uma mulher gostosa&#8230;</p>
<p>Ela vive a amargura da derrota e do abandono. O corpo é só a casca&#8230; “O essencial é invisível aos olhos”, dizia a raposa ao pequeno príncipe na obra de Exupery&#8230; Ela cuidou demais da casca e esqueceu-se da essência&#8230; Mascarou a realidade a fim de escondê-la. Mas a realidade agora é outra, está mutilada, em nome da vaidade e do consumismo&#8230;</p>
<p>Um homem de verdade, olharia sim para seus peitões, mas quando seus desejos descessem dos olhos para a genitália, passariam, inevitavelmente pela avaliação do coração. Este não julga somente o que vê, mas pesa muito o que sente. Portanto, minhas queridas, se quiserem um príncipe encantado, é necessário ter comportamentos e sentimentos de princesa, do contrário terão companhia na balada e na cama, mas ficarão solitárias nas intempéries da vida, principalmente quando a casca for danificada&#8230;</p>
<p>Pena que ainda não inventaram uma prótese que aumente o coração, a fim de podermos ver melhor aquilo que os olhos não enxergam&#8230;</p>
<p style="text-align: right;">Márcio Roberto Goes</p>
<p style="text-align: right;"><a href="http://www.portalcacador.com.br">www.portalcacador.com.br</a></p>
<p style="text-align: right;"><a href="http://www.cacador.net">www.cacador.net</a></p>
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		<title>Sonhos azuis &#8211; Apresentação&#8230;</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Jan 2012 19:00:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Márcio Goes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sonhos Azuis]]></category>

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		<description><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.marciogoes.com.br/2012/01/sonhos-azuis-apresentacao.html' addthis:title='Sonhos azuis &#8211; Apresentação&#8230; '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>Ainda na faculdade de Letras, tive conhecimento dos romances de folhetins do século dezenove, que são considerados os avós das novelas de hoje, progrediram para as radionovelas e, finalmente, as telenovelas tão conhecidas pelo povo brasileiro. Naquela época, sem rádio, TV, telefone e, muito menos internet, a distração das mulheres ricas eram os folhetins, distribuídos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.marciogoes.com.br/2012/01/sonhos-azuis-apresentacao.html' addthis:title='Sonhos azuis &#8211; Apresentação&#8230; '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div><p>Ainda na faculdade de Letras, tive conhecimento dos romances de folhetins do século dezenove, que são considerados os avós das novelas de hoje, progrediram para as radionovelas e, finalmente, as telenovelas tão conhecidas pelo povo brasileiro.</p>
<p>Naquela época, sem rádio, TV, telefone e, muito menos internet, a distração das mulheres ricas eram os folhetins, distribuídos diária, ou semanalmente para assinantes e, se reunidos os capítulos, formavam um romance completo. Foi o que aconteceu com “Dom Casmurro” de Machado de Assis, publicado primeiramente em folhetins, depois como livro e, já no século vinte e um, torna-se minissérie na rede Globo, com o título “Capitu”&#8230; Assim como ele, o pai da verdadeira Literatura prosaica brasileira, José de Alencar, também começou publicando folhetins que serviam, inclusive para reunir as famílias. Como nem todos sabiam ler na época, uma pessoa lia e os outros escutavam atentos. Mas a grande diferença dos romances de folhetins para as novelas atuais é que havia uma interação entre os familiares, além de provocar a criatividade e a análise dos fatos pelos leitores e ouvintes que, desprovidos de imagens, formavam por si os conceitos, subsidiados tão somente pelas descrições subjetivas do autor que não tinha nada mais que palavras para expressar suas ideias&#8230;</p>
<p>Me encantei pelos tais romances de folhetins e desde então tento encontrar uma maneira de ressuscitar esta ideia no século vinte e um. Mas como chamar atenção para um folhetim semanal impresso se existe a concorrência desleal das mídias eletrônicas que chamam muito mais a atenção, são muito mais fascinantes e ecologicamente corretas que um caderninho de papel-jornal, cujo destino será forrar o chão de um carro recém-lavado, embrulhar bananas, ou pior, servir de privada para algum cãozinho de estimação?&#8230; A solução estava diante dos meus olhos e, com um clic, entendi tudo&#8230; O folhetim do século vinte e um não pode ter outro formato que não seja o digital. É claro! A união do arcaico com o moderno. Está aí uma oportunidade de ajudar o povo a começar a gostar de ler. Mas eu precisava de parceria para realizar o projeto e encontrei as portas escancaradas do <a title="Portal Caçador" href="http://www.portalcacador.com.br/" target="_blank">Portal Caçador</a>, que sempre acreditou na minha obra e nunca me furtou o direito à liberdade de expressão&#8230;</p>
<p>Portanto, estamos preparando o primeiro romance de folhetim caçadorense do século vinte e um: Sonhos azuis.</p>
<p>Escrevi este romance a partir de uma crônica “Joãos e Marias” que deu origem a seu protagonista “João dos Sonhos Azuis”: um cara pacato, de hábitos simples que, como a maioria do povo caçadorense e brasileiro, sonha com coisas simples, um casamento perfeito, uma vida em família, um carro, uma casa própria, um grande amor&#8230;</p>
<p>Ao contrário dos folhetins do século dezenove, “Sonhos azuis” se identifica com o povão, que vive as intempéries do cotidiano. O escrevi e estarei revisando cada capítulo antes da publicação, com linguagem simples e acessível, descrevendo uma realidade comum à maioria dos leitores deste portal, sempre analisando os fatos de forma filosófica e humana e, é claro descrevendo os encontros e desencontros de mais uma história de amor. Tenho certeza que muitas pessoas vão se identificar com os personagens desta história simples, com poucas células dramáticas, mas preparada com muito carinho e amor que tenho pelas letras e pela educação pública, cujos alunos são a razão do meu trabalho e da minha obra literária. Gostaria de ser o primeiro de muitos, pois vejo uma carência de material literário da nossa terra para ser estudado e analisado em sala de aula&#8230;</p>
<p>Agradeço imensamente este portal que, comigo aceitou o desafio de transformar um cronista semanal em romancista. Tenho certeza que, quem gosta de ler, terá uma oportunidade de viver comigo as emoções deste romance que mistura ficção com as realidades da vida moderna e, quem não gosta, poderá desenvolver o gosto pela leitura, já que é de linguagem simples e acessível. Peço a todos que lerem e gostarem, que repassem o link a fim de divulgar os valores da nossa querida terra. São repassadas tantas porcarias nos e-mails e redes sociais. Por que não encaminhar literatura para sua lista de amigos? Tenho certeza que surtirá efeito muito maior que aquelas correntes sem noção que recebemos todos os dias&#8230;</p>
<p>Márcio Roberto Goes</p>
<p><a href="http://www.portalcacador.com.br/index.php?ap=3&amp;colunista=11&amp;titulo=Folhetim">http://www.portalcacador.com.br/index.php?ap=3&amp;colunista=11&amp;titulo=Folhetim</a> &#8211; Sonhos Azuis &#8211; Em breve o 1º Capítulo.</p>
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		<title>Palavras que provocam</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Jan 2012 23:37:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Márcio Goes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caçador]]></category>
		<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[palavras]]></category>
		<category><![CDATA[protesto]]></category>

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		<description><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.marciogoes.com.br/2012/01/palavras-que-provocam.html' addthis:title='Palavras que provocam '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>Depois de “O grande condutor”, lá se vão seis anos de publicações semanais nos jornais impressos e sites de notícias caçadorenses, além do meu blog&#8230; Por conta disso, nunca ganhei dinheiro, só o reconhecimento do público em inúmeros e-mails, mensagens, recados e até conversas ao vivo, nas ruas, supermercados e comércio em geral, além, é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.marciogoes.com.br/2012/01/palavras-que-provocam.html' addthis:title='Palavras que provocam '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div><p>Depois de “O grande condutor”, lá se vão seis anos de publicações semanais nos jornais impressos e sites de notícias caçadorenses, além do meu blog&#8230; Por conta disso, nunca ganhei dinheiro, só o reconhecimento do público em inúmeros e-mails, mensagens, recados e até conversas ao vivo, nas ruas, supermercados e comércio em geral, além, é claro dos maravilhosos testemunhos de meus alunos&#8230;</p>
<p>Quando sou derrubado pelo abraço de um estudante, isso se transforma em crônica e o protagonista da cena fica perplexo ao ver seu nome publicado no texto deste que vos escreve, estou sendo recompensado pela minha obra&#8230; Quando uma aluna chora ao ler “As hortênsias” e, a partir do texto, toma uma nova postura de vida diante de sua mãe, sinto-me honrado em saber que minhas palavras ajudaram a mudar a vida de uma adolescente&#8230; Da mesma forma, me sinto feliz ao ver que, uma ex aluna, estagiária do curso de Letras, ao trabalhar crônicas em uma aula cedida por mim, lê para os alunos e se emociona com as palavras do “Porco com batatas”&#8230;</p>
<p>Também sinto-me realizado ao ver que, minhas palavras de protesto surtem efeito, ainda que discreto, mesmo quando, ironicamente, não tenho “nada a declarar”, fato que custou o cancelamento da parceria com o jornal impresso&#8230; Apesar de ser penalizado, algumas vezes, ainda assim meu coração me diz para não parar de emprestar a voz aos injustiçados&#8230;</p>
<p>Nestes seis anos, aprendi que as palavras têm força e sempre provocam uma reação, seja ela negativa, ou positiva. Em qualquer dos casos, é gratificante ser causa da inquietação que quebra a inércia do conformismo&#8230;</p>
<p>Ao dizer que a nossa educação é de vitrine, os manequins se puseram contra&#8230; Ao colocar-me metaforicamente na cadeira do dragão, os carrascos se posicionaram na defensiva&#8230; Ao reclamar quando chamado de vadio por alguém que dependeu de nossa classe para ser o que é, reclamava em nome de todo o professorado que sofria e sofre todos os tipos de discriminação e, por vezes não é respeitado nem mesmo como ser humano&#8230; Por fim, ao descrever a “Escola dos meus sonhos”, recebo inúmeras manifestações em favor de minhas ideias, o que prova que este sonho não é só meu&#8230; Porém os manequins querem manter a vitrine e os carrascos continuar pondo o professor na cadeira do dragão, para que ele confesse o que não fez, ou simplesmente relaxe e feche os olhos para a realidade, anestesiando-se e esquecendo a luta por melhores condições do magistério público&#8230; Enfim, querem nos fazer acreditar nos sonhos capitalistas e corruptos das autoridades em detrimento aos nossos&#8230;</p>
<p>Apesar de tudo, o bom mesmo, é fazer protesto rindo: Muitas pessoas, até hoje me falam da “Bolacha recheada”, do “Psicólogo de ratos”, da “Batata assassina”, dos já esquecidos “Buracossaulos Rex”, da distração diante do cortejo fúnebre, ou das vassourinhas encantadas que se desencantaram ao se deparar com uma escola pública.</p>
<p>Portanto, as publicações destes seis anos se confundem com minha própria vida, já que a crônica é subjetiva e, como tal, depende muito da vivência de quem escreve&#8230; Tentaram e tentam a cada dia calar minha voz cada vez que minhas palavras não agradam aos poderosos&#8230; Eles esquecem que o poder deles só é realidade porque foi emanado do povo (pelo menos é o que diz a constituição federal)&#8230; Mas “não dá nada”, como dizia minha mãe: “Deus tem mais pra dar do que o encardido pra tirar”&#8230;</p>
<p style="text-align: right;">Márcio Roberto Goes</p>
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		<title>DORMIR TRISTE NÃO BASTA</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Jan 2012 04:31:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Márcio Goes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.marciogoes.com.br/2012/01/dormir-triste-nao-basta.html' addthis:title='DORMIR TRISTE NÃO BASTA '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>Pelo amigo enganado Pelo pobre massacrado Por aquele injustiçado Pelo justo condenado Pelo desacreditado Porém, bem aventurado Hoje vou dormir mais triste Pela paz tão desejada Quase nunca cultivada Pela luta derrotada Pela vitória adiada Pela guerra declarada Hoje vou dormir mais triste Mas, só dormir triste não basta Se ainda uso da mentira Pra [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.marciogoes.com.br/2012/01/dormir-triste-nao-basta.html' addthis:title='DORMIR TRISTE NÃO BASTA '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div><p style="text-align: center;">Pelo amigo enganado</p>
<p style="text-align: center;">Pelo pobre massacrado</p>
<p style="text-align: center;">Por aquele injustiçado</p>
<p style="text-align: center;">Pelo justo condenado</p>
<p style="text-align: center;">Pelo desacreditado</p>
<p style="text-align: center;">Porém, bem aventurado</p>
<p style="text-align: center;">Hoje vou dormir mais triste</p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;">Pela paz tão desejada</p>
<p style="text-align: center;">Quase nunca cultivada</p>
<p style="text-align: center;">Pela luta derrotada</p>
<p style="text-align: center;">Pela vitória adiada</p>
<p style="text-align: center;">Pela guerra declarada</p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;">Hoje vou dormir mais triste</p>
<p style="text-align: center;">Mas, só dormir triste não basta</p>
<p style="text-align: center;">Se ainda uso da mentira</p>
<p style="text-align: center;">Pra enganar o meu irmão</p>
<p style="text-align: center;">Se não luto por justiça</p>
<p style="text-align: center;">Se não cultivo a união</p>
<p style="text-align: center;">Se massacro, se critico</p>
<p style="text-align: center;">Se pra paz eu digo não</p>
<p style="text-align: center;">Hoje vou dormir mais triste</p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;">Hoje vou dormir mais triste</p>
<p style="text-align: center;">Mas dormir triste não basta</p>
<p style="text-align: center;">Se não faço a minha parte</p>
<p style="text-align: center;">Por um futuro melhor</p>
<p style="text-align: center;">Hoje vou dormir mais triste<br />
Porém, dormir triste não basta&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;">Márcio Roberto Goes</p>
<img src="http://www.marciogoes.com.br/?ak_action=api_record_view&id=1015&type=feed" alt="" />]]></content:encoded>
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