Press "Enter" to skip to content

As voltas que a escola dá

Como já escrevi incontáveis e incansáveis vezes, a escola é um lugar de troca de experiências, foi lá que vivi, ou dei início às grandes transformações da minha vida e na vida de muitos de meus alunos…

Certa vez, quando ainda trabalhava na escola Irmão Leo, uma aluna procurou-me para desabafar. Dizia que sua mãe estava com câncer, esta doença cruel, desumana e, infelizmente, hereditária que assola a humanidade há séculos e ainda não tem cura, a não ser que seja diagnosticada no início… Ouvi atentamente seu relato. Dizia que ela e seu irmão viviam um pelo outro e ambos para dar conforto aos últimos dias de vida de sua mãe… Estava quase desanimando, não sabia mais o que fazer… Arranjei forças na fé que herdei de minha mãe e proferi as as seguintes palavras que vieram lá do fundo do meu coração:

“Querida!… Não desanime!… Com tudo o que tem vivido, dedicado todo o tempo para ajudar seu irmão e sua mãe, você é uma vitoriosa. Comporte-se como tal… Os vitoriosos o são porque nunca desanimam…”

Como resposta, recebi um “abraço de urso” confortador para mim e para ela… Os anos passaram, sua mãe faleceu e nunca mais a vi, até que me convidaram para ajudar num retiro de jovens católicos no centro de formação João Paulo II… A essas alturas, o câncer já tinha levado também minha mãe, recebi muito apoio dos meus amigos, alunos ou não, naquele momento triste vivido por minha família…

Naquele retiro de jovens, não lembrei destes detalhes, só fiquei feliz em ver minha aluna ali, com seu irmão, tocando a vida e se tornando uma liderança no meio em que vivia, participando ativamente do encontro, trocando experiências e testemunhos de vida…

E por falar em testemunho, foi num destes que vivi mais uma grande emoção… Minha querida aluna dirige-se a frente para falar sua experiência de vida. Eu estava no último banco da capela e ouvia atentamente:

“Perdi minha mãe muito cedo… Vivemos eu e meu irmão, que tem suas limitações em virtude das sequelas da poliomielite, um pelo outro… E a pessoa que me deu força para continuar está aqui, lá no último banco… Né professor?…”

Aquela foi uma das poucas situações de minha vida que me deixaram sem jeito… e ela continuou…

“No momento que eu mais precisava, no auge de minha angústia, o meu professor abraçou-me e me disse: “Você é uma vitoriosa. Porte-se como tal.”… Aquelas palavras me acompanham até hoje e me dão força para continuar. Onde quer que eu vá, lembrarei sempre do meu professor e destas palavras que mudaram a minha vida…”

Regados pelas nossas lágrimas e pelos aplausos dos presentes, repetimos aquele abraço confortador que não era mais de professor para aluna, mas de dois grandes amigos. Seu irmão também foi incluído no abraço, com palavras de agradecimento…

Nas voltas que a educação dá, muitas vezes, não nos damos conta da importância que temos na vida dos nosso alunos e o quão transformadora pode ser uma atitude banal, tando para educandos quanto para educadores… Tanto eu quanto minha aluna, não temos mais o colo materno por perto, mas temos o calor confortador de um abraço mútuo que a escola “por acaso” proporcionou…

Márcio Roberto Goes

www.cacador.net

www.portalcacador.com.br

Jornal Informe – O diário Regional

Be First to Comment

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *