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Analisando letras – Michel Teló (sim, é possível!). – Por Alexandre Cachoeira

Hoje vamos analisar um “clássico” da “música sertaneja”… Trata-se da música Humilde Residência, do Michel Teló. Essa música, em particular, me chamou muito a atenção, não somente porque acaba com a imagem da mulher como a conhecemos, mas também pelo fato de as mulheres do Brasil inteiro estarem cantando e dançando esse “hino”, composto especialmente para elas… É mais uma homenagem da celebridade do momento, Michel Teló.

Vamos seguir com nossa análise dividindo a letra em três partes. Eis a primeira:

Vou te esperar aqui,

Mas vê se atende o telefone mesmo se for a cobrar

Hoje eu não vou sair

Porque meu carro tá quebrado,

Eu não tô podendo gastar

Quando chegar aqui,

Me dê um grito lá na frente,

Eu vou correndo te buscar

Não tem ninguém aqui,

Mas vou deixar a luz acesa

Essa parte da música é a menos agressiva, mas já nos dá uma dica sobre a estirpe do personagem que está querendo “se dar bem”. Já direi o porquê. Antes de qualquer coisa, é bom ressaltar que o compositor não foi de todo tolo. Pelo menos, não sei se de propósito ou por sorte mesmo, ele não cometeu o erro de dizer que o personagem é humilde ou simples, como em outros “hinos” que estaremos analisando, porque humildade e simplicidade não tem nada a ver com poder aquisitivo.

Feita a primeira análise, vamos à segunda parte:

 

Já te passei meu celular e o endereço

Naquele dia em que te vi sair de casa.

Eu tô ligado que você sempre me deu uma moral

Até dizia que me amava

Agora tá mudada, se formou na faculdade

No meu cursinho eu não cheguei nem na metade

Você tá muito diferente

Eu vou atrás, você na frente,

Tô louco pra te pegar

Essa é a melhor parte, pois é aqui que ficam evidentes os “esculachos” com as mulheres. Pelo menos as mulheres sérias se sentiriam “esculachadas” com tais insultos, mascarados por uma melodia dançante e um sorrisinho malicioso no rosto do cantor, mas enfim, vamos à análise.

Já “de sola” o personagem coloca “Eu tô ligado que você sempre me deu uma moral, até dizia que me amava”. Aqui fica evidente o machismo fundamental da música, esse trecho da letra diz, nada menos, que a referida mulher sempre “comeu na palma da mão” do personagem, em outras palavras, sempre “pagou pau” e o personagem, por sua vez, sempre a esnobou.

Agora vem a parte mais engraçada, pelo menos para quem parou pra pensar: “Agora tá mudada, se formou na faculdade, no meu cursinho eu não cheguei nem na metade, você tá muito diferente eu vou atrás, você na frente, tô louco pra te pegar”. Aqui está revelada a identidade do personagem. Uma pessoa sem dinheiro? Talvez, mas isso não importa. O que realmente se destaca aqui, é o fato de que o personagem principal, o esnobe, que tem a mulher nas mãos, é uma pessoa sem nenhuma perspectiva de vida e sem nenhum respeito pelo caráter da mulher. Isso fica claro em “no meu cursinho eu não cheguei nem na metade”, posto que a mulher já é formada na faculdade, e também em “você tá muito diferente, eu vou atrás, você na frente, tô louco pra te pegar”, pois é aqui que o personagem expressa o quanto é interesseiro e utilitarista.

Note que antes o personagem não se importava com a mulher, mas agora que ela “tá mudada e se formou na faculdade” a história muda. Mas ele continua não se importando, pois alguém que “está louco te pegar” não está nem aí pra quem você é de verdade… Sendo a “gostosa” do momento, está valendo… Isso torna o imbecil popular entre os outros imbecis, não homens, imbecis mesmo.

Feita a análise principal do texto, vamos ao refrão para fechar com chave de ouro:

Vou te esperar

Na minha humilde residência

Pra gente fazer amor

Mas eu te peço só um pouquinho de paciência,

A cama tá quebrada e não tem cobertor

Perto das outras partes da música, o refrão é só a mesma ideia trocada em miúdos. O personagem vai esperar a mulher em casa, o que significa que ela vai até ele, por que não se dá o valor, e não se importa com o fato de o personagem tê-la esnobado até aquele momento. Mas o refrão tem seu ponto forte, é aqui a “mulher” se transforma em “piriguete”.

Outra curiosidade, apesar de conhecer vários pontos de distribuição, eu não conheço nenhuma “fábrica” de amor… Mas já que até as crianças estão cantando isso, não é prudente falar em transa ou ato sexual (certo?).

Finalizamos a análise da música humilde residência, do Michel Teló, esperando que você, mulher, pare de “viajar” com essas músicas, tudo bem que gosto não se discute, mas penso que ninguém, gosta de ser ofendido dessa maneira. O problema, é que a maioria das mulheres está sendo a mulher da música… Por favor, acordem.

Fica aqui o apelo. Ouvir, cantar e dançar as coreografias idiotas de músicas como essa, é identificar-se com a letra, com a música em si. Mulheres, se vocês analisarem essas músicas antes de sair por aí divulgando esse tipo de ideia, vão perceber o quanto isso é ridículo.

Ainda há esperança para o nosso país, contribua, não faça do Brasil um país de Tolos.

Alexandre Cachoeira
Acadêmico do curso de História
Uniarp – Universidade do Alto-vale do Rio do Peixe
Caçador, SC

 

 

 

 

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