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Ainda somos os mesmos

evolucao-da-televisao

Cresci assistindo uma TV em preto e branco, de válvula… Era preciso ligá-la ao meio dia para poder assistir a novela das oito, precisava esperar as válvulas esquentarem até aparecer a imagem… Muitos anos depois, eu, o filho mais novo da família, consegui comprar uma pequena TV em cores para assistirmos juntos ao final da copa de 94. Assistimos ao tetra em cores, apesar de meio desfocada, pois não deu tempo de regular a antena.

Pois bem, muito tempo se passou e descobri que a poderosa do “plimplim” não passa de um canal de televisão parcial e tendencioso que tenta, constantemente fazer uma lavagem cerebral no povo através de uma programação aparentemente inocente. Resolvi investir numa TV por assinatura e, uma das melhores coisas que me aconteceu foi a ausência daquele globinho girando no centro da tela em minha vida… Descobri que existe programação de qualidade na TV, mas é preciso procurar e investir, do contrário, ficaremos bitolados nas telenovelas, programas sensacionalistas de auditório que exploram as desgraças e desafetos do povo, telejornais que espalham o ódio e o gosto por más notícias e reality-shows que só nos tornam fiscais da vida alheia….

E eis que, dia desses, na casa de um amigo, encontro a TV ligada na poderosa do “plimplim”. Senti algo estranho, tudo muito amarelo com tons de marrom, parecia algum filme de época com efeitos de imagem envelhecida… Porém, não passava de uma novela das nove, sem conteúdo, moral e, agora, sem cor… Cadê as cores da TV?… Voltamos à década de 50 quando tudo tinha que ser ao vivo e sem cores…

Outro exemplo que comprova o título acima é a música: Com o passar dos tempos, muita tecnologia foi aplicada para melhorar a qualidade de mixagem das músicas que ouvimos no rádio, ou nos aplicativos que rodam MP3. Tonico e Tinoco se viravam com quatro canais “meia boca” para gravar suas modas de viola que faziam e fazem muito sucesso até hoje. Não podiam errar, pois precisariam retomar a gravação do início, os instrumentos eram totalmente acústicos e a captação era feita enfiando um microfone na boca do violão e da viola… Bateria nem pensar, a percussão era feita com um pandeirinho, ou quando muito um bumbo leguero… Hoje, a tecnologia é tão avançada que basta gravar a fala que o sistema mesmo acha o tom, ritmo, melodia, harmonia para encaixar na música…

No entanto, existem muitos artistas aderindo às gravações acústicas novamente, trocando a guitarra pelo violão, a bateria pelo cajón, o baixo elétrico pelo acústico e o teclado pelo piano. Prova de que ainda existe qualidade na nossa música, pois as gravações acústicas exigem muito mais afinação, ritmo e melodia que as eletrônicas, apesar de usufruírem também de todo o aparato tecnológico do momento. Confesso que acho o som acústico muito mais agradável aos ouvidos do que o eletrônico, mas me parece uma regressão no conceito de mixagem…

Além do mais, encontramos poucas composições inéditas que realmente toquem o coração da maneira como só a música toca. Existe uma grande leva de regravações, músicas antigas com roupagem nova e, nossos jovens nem sonham que estão ouvindo um som que, originalmente pode ter mais que o triplo de sua idade…

O mundo gira, a vida passa, os tempos mudam, mas muitas coisas continuam iguais, apesar de sempre acharmos que o nosso tempo é que era bom. Não podemos evitar a vinda do novo, nem podemos nos dar ao luxo de excluir o passado. Mas podemos mesclar o conhecimento e experiências adquiridas com os novos conceitos de música, de arte e até de convivência… Afinal, como diria Elis Regina: “Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”…

Márcio Roberto Goes

www.marciogoes.com.br

www.radioativacacador.com.br

www.cacador.net

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