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Abutres de plantão

Publicado em:
06/06/2008 – www.cacador.net
07/06/2008 – Jornal Informe

A vida tem me reservado cada surpresa, que se fosse escrever tudo daria um romance: Algumas delas são boas, outras, nem tanto, como esta que há algum tempo se repete, vem indignando-me profundamente e desafiando meu pobre cérebro mortal em busca de alguma explicação, fazendo-me pensar a que ponto chega o ser humano tentando obedecer à lei do menor esforço e querendo levar vantagem em tudo… Aliás, os meus colegas homo-sapiens se esquecem que ao levarem vantagem em alguma coisa, cria-se um semelhante em desvantagem.

Quando iniciei o curso de Letras, há alguns anos atrás, alguém me procurou para oferecer-me sua “ingênua” prestação de serviços: o mercenário em questão aproveitava-se da preguiça de alguns estudantes para fazer seus trabalhos acadêmicos, inclusive TCC (trabalho de conclusão de curso), cobrando altas cifras pelo produto… Serviço completo, dentro da metodologia e tudo… Um espetáculo que permitia a qualquer um assinar o atestado de corrupto-mor antes mesmo de entrar no mercado de trabalho. Minha resposta foi curta e grossa: -“Sinto muito, mas jamais serei seu cliente” – por dois motivos: Primeiramente porque meu salário no momento era curto demais para gastar com a minha preguiça e financiar a corrupção, e em segundo lugar, minha mãe sempre me ensinou a fazer as coisas do jeito certo, para que ninguém tenha “uma vírgula” a argumentar contra.

Quatro anos depois, tenho um diploma na parede me garantindo uma abreviatura que se resume em mais quatro letrinhas no início do meu nome: Prof. … Pode não ser grande coisa, mas o diploma é meu: conquistei-o com muita garra e dedicação, como a maioria dos acadêmicos que passam por “maus bocados” para concluir enfim a faculdade.

Não satisfeito, matriculei-me num curso de pós-graduação Lato sensu, e “pedalei” para fugir dos “financiadores de preguiça de plantão”. Meu Deus!… Será que tenho cara de quem não tem capacidade suficiente para produzir uma monografia?… Acaso meu semblante revela algum tipo de preguiça crônica para a leitura, pesquisa e escrita?… Não!… Acho que se trata mesmo é de abutres de plantão esperando a carniça da imoralidade e da corrupção que fede de longe, inclusive no meio acadêmico. Mais tarde descobri que isto é um fato que ocorre com muita freqüência nas universidades de todo o Brasil.

Um dia, alguém me ligou – não lembro o nome, mas nem faria questão – pedindo-me que lhe fizesse um trabalho de faculdade. Pagava bem!… Outra vez, obriguei-me a esquecer da educação que recebi na infância e dei-lhe um sermão inesquecível sobre imoralidade e corrupção… Sempre oriento meus alunos que corrupção, além de imoral, é crime e que eles devem valorizar seus talentos e fortalezas, investindo no conhecimento… Isso requer muito empenho por parte do estudante e não de terceiros. Desta forma, que moral teria um professor vendendo trabalhos prontos para financiar o ócio improdutivo?

Se continuar assim, criar-se-ão monstros profissionais, que futuramente estarão por aí, falsificando documentos, desenvolvendo estratégias para pular etapas nas mais variadas situações da vida e obedecendo cegamente à lei do menor esforço. E o pior, muitos destes monstros estarão no poder, financiando sua própria preguiça com dinheiro público. Parece mentira, mas não é!

2 Comments

  1. Fatima Pereira
    Fatima Pereira 7 de junho de 2008

    É isso ai amigo, felizes nós que tivemos a sorte de ter acesso e gosto por livros. Hoje é tudo comodo, a dita internet, tambem ajuda, mas se colocarmos as coisas na balança ele mais atrapalha, parabéns, e BOMBA, para os amigos de abutres.Se tivermos mais Marcios por ai, a coisa mudava, então fica o desafio para a comunidade estudantil, ler um livrinho por mês, tente…..

  2. alisson
    alisson 7 de junho de 2008

    na europa os vendedores de frutas, as deixam na beira da estrada, não ficam lá o tempo todo, ficam as frutas e uma caixinha pra quem quizer comprar, depositar o valor correspondentes e levar as frutas que desejarem.

    Bom isso no brasil é impossível…

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