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A segunda é melhor que a primeira

Tive a honra e o prazer de, pela segunda vez, participar do Festival Caçanjurê da Canção… E, pela segunda vez, obviamente, não fui classificado para a finalíssima. Perdi com honra, pois o nível de qualidade dos meus oponentes era extremamente bom… Uma organização fantástica e um empenho fenomenal dos meus amigos da Rádio Caçanjurê que, pelo sétimo ano, dão uma oportunidade ímpar aos músicos de Caçador e região mostrarem seus talentos e soltarem a voz…

Na primeira noite, eu estava lá, aguardando minha vez que, por sorte (ou azar), era a última. Me acompanhavam dois alunos que me deixaram orgulhoso e emocionado com suas canções. Cantaram antes de mim e foram receber o último participante na escada do palco com abraços calorosos e votos de boa sorte. Repetiram a atitude do professor que também foi encontrá-los após a apresentação deles com um abraço ao pé da escada… O discípulo sempre carrega características do mestre…

Meus queridos e amados alunos cantores me fizeram sentir orgulho, mais uma vez, pela profissão que um dia abracei. Não os ensinei a cantar, nem a tocar violão, mas lá no palco estava um pouco de mim na décima e décima terceira apresentações. Enquanto cantavam, meu coração “latejava” como na canção do Daniel comoventemente interpretada pelo Douglas, minha mente criava asas com o “pássaro de fogo” da Paula Fernandes, lindamente cantado pela Taiane. Um orgulho para o mestre que vê seus discípulos o superando…

E na minha viagem mental passava pelo cotidiano da nossa escola, a descoberta dos talentos durante as aulas, o desafio de se inscrever para o festival, participar do programa “Talentos da nossa terra”, rever o amigo Luiz Damaceno, gravar as próprias vozes, fazer cinco cópias cifradas da música… Os ensaios com a banda e, finalmente o show… Nenhum de nós foi classificado, mas estávamos lá, no dia seguinte, aplaudindo os dez melhores e prestigiando os talentos musicais, priorizando, é claro, os artistas de nossa terra que, com empenho, humildade, dedicação e superação, deram o melhor de si, passando pelas Evidências, Ave Maria no Sertão, Caçador de corações, Comitiva Esperança, brilhantemente defendida pelo carteiro Camuzzatto e muitas outras canções que abrilhantaram a festa da fogueira e do quentão…

Se dependesse da música para sobreviver, talvez estivesse em pior situação do que ganhando o pão de cada dia lecionando, mas meus alunos foram aconselhados por mim a não desistirem e não deixarem que ninguém os fizesse desanimar na difícil escalada do sucesso…

Depois de tantas alegrias, tive a desonra e o desprazer de, pela primeira vez, assistir a um rodeio Cowtry… Um século de enrolação para esperar o tal locutor famoso que tem no sobrenome artístico, o nome do estado vizinho, aí mais um tempão rasgando seda com a politicagem eleitoreira que gosta de usar números para confundir a mente do povão: É um mostrando aprovação de não sei quantos mil para que o outro aplique não sei no que, não sei quando e não sei onde… E o outro, por sua vez faz um pronunciamento curto e sem segundas intenções para que se cumpra o verdadeiro papel da festa…

Após todas as formalidades, a oração: Chapéu na mão, concentração: pedem a proteção divina para que possam abusar da vida que Deus lhes deu e explorar a vida de outros animais a fim de se fazer o pior espetáculo criado pelas mentes humanas: o show da exploração dos animais por puro divertimento… Eu torci o tempo inteiro pelo touro… Imagine você numa arena cheia de bovinos na plateia esperando que um boi aguente oito segundos em suas costas com você pulando e rebolando… Estranho!… Cruel!!!… Desumano!… Pois é isso que penso do rodeio. Me perdoem os que apreciam esta exploração de vidas chamada de esporte. São palavras minhas, escritas com o coração de um ser humano que não acha certo pensarmos que somos superiores a ponto de usar a vida de outro animal em prol de um divertimento de nossos semelhantes… Sem falar na zoeira o tempo inteiro…

Rodeio: Este foi o primeiro e será o último que assisti por livre iniciativa… Neste caso, a primeira vez que vi um rodeio foi milhares de vezes pior que a segunda vez no festival da canção…

Márcio Roberto Goes

www.portalcacador.com.br

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