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A IGNORÂNCIA DO BESOURO


30/05/2007
CAÇADOR ONLINE
02/06/2007
JORNAL INFORME

Imagine que você tem a difícil missão de fazer um objeto quase esférico levantar vôo… Algo como fazer um fusca voar… Impossível! não é?

Claro, não existe aerodinâmica o suficiente para fazer um fusca planar, aliás, nenhum automóvel tem: apesar de alguns motoristas insistirem nessa idéia absurda acelerando inconstantemente seus carros potentes, porém não voadores: Conseguem, algumas vezes voar com suas máquinas por alguns segundos, o problema é a aterrissagem nada confortável.
Pois bem. Imaginemos um besouro: tem gente que até tem medo deste bichinho cascudo, nojento e voador… Isso mesmo: voador… e ele é quase redondo, igual ao fusca, parecido com os automóveis mais modernos e construídos com tecnologia de ponta para percorrer maiores distâncias terrestres em menor tempo e com o maior conforto possível.
Porque o besouro voa? … Se dependesse de mim, ele nunca sairia do chão, pois quando bate suas asas, deixando-as ultrapassar a barreira do exoesqueleto, faz um ruído impertinente o suficiente para tirar a paz e o sossego de qualquer ambiente familiar distinto e amigável, sem falar nos gritos das moças desesperadas, quando ele resolve aterrissar em seus cabelos preparados com xampus e condicionadores compostos por cento e não sei quantas proteínas e vitaminas, que deixam suas mechas mais brilhosas e cheirosas e tudo o que menos desejam são as garras desagradáveis deste inseto.
Mas o que faz um besouro voar?… Ninguém lhe deu este direito, pois ele não tem nenhuma aerodinâmica, sofre constantemente quando encontra-se de pernas para o ar tentando voltar a sua posição normal, além de não ter noção do perigo ao arremessar-se contra as luzes de um poste…
A triste e cruel verdade é que o besouro não foi feito para voar: ele voa de teimoso mesmo, ou melhor, de ingênuo… e de uma ingenuidade tamanha que não o deixa perceber seu maior defeito.
Mas se ele não foi feito para voar, então porque ele voa?… A resposta é muito simples e elementar: Por que ninguém foi ousado o suficiente para dizer-lhe que não pode, e mesmo que tentassem dizer a verdade, nada mudaria, afinal ele não ouve nada mesmo…
Quem dera se todos os seres humanos tivessem a ignorância do besouro e criassem um bloqueio para as expressões: “você não pode” e “você não consegue”. Creio que a maioria de nossos fracassos devem-se a nossos ouvidos que insistem em nos trair acreditando nesta falta de capacidade que o mundo insiste em alimentar na sociedade.
O besouro incomoda porque voa quando a maioria pensa que ele não deveria fazê-lo, pois é insuportável vê-lo nas alturas, mesmo sofrível e ruidosamente enquanto rastejamos como cobras traiçoeiras no nosso mundinho de terra seca com nossos problemas e depressões do mundo moderno que nos empurra cada vez mais para o abismo intelectual.
Infelizmente, propaga-se o amor ao caos. Devemos marchar até onde o mercado de trabalho exige, e na direção que ele quiser. O capitalismo não nos permite voar, e quando alguém tenta, é tratado a chineladas, como o besouro, pois seu vôo barulhento incomoda àqueles que adoram rastejar nos seus problemas, em silêncio e propagando a divulgação fétida da pseudo-felicidade em que se encontram.
Ah! Quem dera tivéssemos a surdez e a ignorância do besouro, sem medo de fazer barulho nas alturas… sem medo do esforço que isso pudesse exigir… sem medo das reclamações daqueles que rastejam em busca de vítimas para seus desafetos… Sem medo de ser feliz e fazer felizes aqueles que se encontram ao nosso redor… sem medo de ser besouro.

Márcio Roberto Goes
Quase tão ignorante quanto o besouro…

4 Comments

  1. Calma lá, Jackie Chan
    Calma lá, Jackie Chan 23 de Maio de 2016

    O cara só estava fazendo poesia e já vem um retardado querer fazer antítese.
    Já que é pra ser assim.. bem..
    É impossível reproduzir matematicamente o voo do besouro. É como se as asas dele batessem num compasso diferente de todos aqueles que conhecemos. Pode-se até explicar que ele voa por causa disso e daquilo, mas não se pode é fazer um projeto de um robô idêntico à um besouro voar.

  2. Regis O.
    Regis O. 30 de agosto de 2011

    Bonita a mensagem de auto-ajuda…
    Mas só para ilustrar cientificamente essa pagina, o fato é que o besouro voa não porque ninguém disse pra ele não voar, ele voa pois ele evoluiu dessa forma, sob leis naturais e evolucionarias da qual pouco sabemos ainda.
    E claro, ele possui aerodinâmica sim, não aparentemente, mas se você estudá-lo entenderá.

    Aqui tem uma explicação:

    Muitas pessoas possuem dúvidas sobre coisas esquisitas que vêem na Natureza, onde algumas são realmente bizarras! O mais comum é alguém perguntar como um besouro pode voar, se isso viola algo hermético chamado “Leis da Aerodinâmica”, o que impediria o nosso amiguinho hexápode de conseguir realizar tal feito. Além disso, sabe-se que as suas (do besouro) asas são finas, o que impossibilitaria que seu corpo pesado conseguisse se sustentar no ar. Muitos então partem pra falácia do Apelo à Ignorância alegando que já que não se sabe porque isso é possível que alguma força misteriosa ou design “inteligente” seria a causa disso. Mas não é. E se não é, como os besouros conseguem voar, então? Hora de abrir o Livro dos Por quês!

    Muito bem, quando nos deparamos com questões problemáticas como essa do besouro, há dois métodos que devemos seguir para que possamos responder a esta questão: 1) O mais fácil (alguém deu essa capacidade ao besouro por vias mágicas); 2) O modo mais difícil (estudar, pesquisar e observar o mundo natural, sem ideias pré-concebidas).

    O item número (1) é tentador, pois mexe com a preguiça mental, já que, para algumas pessoas, o ato de pensar é extremamente trabalhoso. Para essas pessoas, pensar dói! Para os que não sofrem desse mal, o método (2) vem a calhar, embora demore para chegar à conclusão final, às vezes.

    Bem, voltando ao cerne do artigo, não há nada de milagroso no fato de besouros poderem voar. pelo contrário. A causa do mistério é o fato de se fazer duas observações distintas: o besouro andando numa folha, todo fechadinho, e depois observando voar, sem saber como fica a configuração do seu corpo. O mecanismo que permite que os referidos insetos voem não é apenas um único par asa, como os pombos,mas sim dois pares, movidos por um poderoso sistema muscular. O primeiro par de asas são chamados “élitros” e estão situados na parte superior. Tais asas são bastante duras e funcionam como uma espécie de invólucro quando estão fechadas; por isso, parece que eles só têm apenas asas finas, pois os élitros fechados parecem formar uma carapaça (e de certa maneira formam).

    O segundo par de asas ficam protegidos pelos élitros. Este segundo par é um tanto diferente, pois é membranoso e sustentado por várias nervuras. É este par de asas que vemos bater e pensamos que é são as únicas asas que o cascudão possui, quando não é bem assim.

    Os élitros não funcionam bem como uma asa, pois devido à sua constituição, é muito difícil que eles fiquem “batendo”, logo, servem para direcionar o voo, além de dar equilíbrio ao funcionar como um parapente. Ao dar início ao voo, o besouro abre os élitros e toma impulso com as pernas, isto é, o voo começa da mesma maneira que um salto de asa delta, onde o besouro sai planando por um tempo até que as asas membranosas comecem a bater. Como besouros não são tão idiotas quanto a gente pensa, eles aproveitam as correntes aéreas para voar mais rápido, pois vento de cauda é muito eficaz para impulsionar, mesmo não tendo cauda.

    Quando você vê o besouro subindo numa árvore, obviamente, nunca pensaria que ele possui aerodinãmica suficiente para voar. Claro, ele não possui… nessa configuração. Quando ele toma impulso e começa seu voo, com os élitros abertos e as asas membranosas batendo, o cascudão de tanque de guerra vira um bimotor.
    Isso é aerodinâmico o suficiente?

    Dessa forma, podemos ver que sim, nossos amigos coleópteros possuem aerodinâmica e, não, não existe esta baboseira de “Leis da Aerodinâmica”. O que existe são as Leis do Movimento, propostas por um certo inglês temperamental de nome Isaac Newton, mas que podem ser aplicadas a qualquer corpo em movimento – não exclusivamente a objetos em voo – e que foram estudadas em um ensino médio decente. Portanto, não há mistério nenhum sobre o voo do besouro. O que existe é uma tendência a implicar dificuldade em tudo, preguiça para descobrir o que está acontecendo, culminando em atribuir a entidades místicas um evento que pode ser simples e facilmente explicado por pura observação e estudo do objeto em questão.

    O universo é imenso, é tudo o que existe.Então, somos parte do tudo. Cada um é um, cada estrela é uma estrela, completamente diferente entre sí mas basicamente a mesma coisa. Então, descubra isso e será capaz de qualquer coisa que você desejar.
    abraço!

  3. Anderson Henrique
    Anderson Henrique 29 de julho de 2010

    A verdade é tão simples, que preferimos não enxergar, quando você quer algo que parece impossível a grande maioria ti orienta a não ir, e quando você vai e consegue o que parecia impossível, ai as barreiras começam a serem quebradas e bater asa e ir mais longe já não parecera ser impossível, e ate aqueles que não acreditavam, passam acreditar no impossível.

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