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A ESPERANÇA É A ÚLTIMA QUE MORRE

PUBLICADO EM: 02/11/2006
JORNAL INFORME

Dizem que eu “ando mais que notícia ruim” e “sou mais conhecido que feijão preto”… Não acho tudo isso, mas na medida do possível, faço o que posso para ser agradável, porém, sou gente, e gente tem ocilações de humor pertinentes a qualquer ser humano… Pois bem: É verdade que ando por quase toda a cidade, visto que trabalho a oito quilômetros de minha residência, mesmo não tendo direito a transporte coletivo gratuito (apesar de monopolizado) como a maioria dos trabalhadores (talvez por ser funcionário público), vou ao trabalho ora com transporte particular, ora com veículo próprio, gastando nosso combustível auto-suficiente…

Numa dessas minhas andanças, meu amor pela educação e a equipe pedagógica me permitiram conhecer a Escola Municipal Esperança, situada no bairro Santa Terezinha: longínquo, esquecido e abandonado pelo poder público, com pouquíssimo saneamento básico e moradias em estado lastimável… Foi lá que conversei com a diretora Ivonete D’agostini e com sua equipe de apoio que me relataram o seguinte fato:
Uma das professoras percebeu que uma de suas alunas baixara consideravelmente o rendimento escolar… ao averiguar o fato, descobriu-se que a criança estava há quatro dias quase sem comer, tendo como única refeição: a merenda escolar… é claro que nenhuma criança aprende direito mal alimentada. A equipe pedagógica comovida, resolveu conhecer sua família, instalada em baixo de uma lona sustentada por uma parede emprestada, tendo como assoalho a terra vermelha do meio-oeste catarinense que quando chove, transforma-se em lama, molhando e sujando a cama das crianças (cama???… um colchão, em estado deprimente!!!). Além disso, sua irmãzinha, recentemente tinha sido picada no rosto por uma aranha, ferimento que se agravava a cada dia, e seu pai estava há algum tempo desempregado, como sua mãe.
Mais do que depressa, a equipe pedagógica da escola, correu atrás de recursos, mesmo não sendo esse o papel da escola, afinal, seja de quem for a culpa, é inadmissível deixar uma família decair dessa maneira, não dando às suas crianças o direito à vidadigna, à alimentação e à moradia… Infelizmente, ao consultar os órgãos competentes, foram surpreendidos por uma série de burocracias que exigiam até o endereço, constando nome da rua e número da casa… (que casa??? Não sabia que barraco de lona também era obrigado a ser numerado!!!)…
Sem retorno dos órgãos públicos, a escola procurou outras entidades, e recebeu apoio do Lions Centro, que atendeu prontamente a solicitação, disponibilizando a esta família: cesta básica, uma casinha de madeira, que está longe de ser o ideal, mas melhorou consideravelmente as condições desta família, tratamento para a criança ferida e um emprego para o pai, na colheita da maçã, em Fraiburgo… Depois desta, não reclamo mais da distância do meu trabalho, pois não há emprego em Caçador, mesmo que temporário, para os caçadorenses mais humildes, que são obrigados a enfrentar um transporte precário, apesar de gratuito para trabalharem na cidade vizinha…
Enfim, a escola fez aquilo que não era seu papel: assistência social, mechendo com todos os recursos possíveis para resolver um, de muitos problemas que enfrenta a periferia de nossa cidade… Que isto sirva de exemplo para outras entidades, principalmente as públicas, para diminuir a burocracia e aumentar o leque de atenção à população bairrista e plebéia, maior responsável pela eleição daqueles que prometeram melhorar sua vida.
Bonito exemplo de comprometimento com a comunidade foi dado por uma istituição que tem por objetivo levar o conhecimento à população. A escola Municipal Esperança, fez mais do que isso, levou um pouco de cidadania para a família de sua aluna.
Dizem que a esperança é a última que morre, neste caso ela continua viva, graças a uma equipe de profissionais e a uma entidade filantrópica, que comoveram-se e abriram seu coração para as causas populares…
Márcio Roberto Goes
Ainda esperançoso

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