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A cobra e as capivaras

 

Foto: Márcio Roberto Goes 03/01/2010

 

 

 

 

Certo dia, escrevi nesta mesma coluna, sobre a matança desenfreada das capivaras, às margens do Rio do Peixe… Lastimável!… E parece que a caça irresponsável continua em nome do conforto humano, como se a carne fosse a única forma de suprir as necessidades básicas de uma pessoa faminta, ou de render lucro irracional em cima do óleo produzido por este pobre mamífero indefeso…
 

 

Infelizmente, o Rio do Peixe que passa nos bairros, não recebe o mesmo trato do Rio do Peixe que passa no centro, onde tem direito a ruas asfaltadas, arborização, ciclovia, tudo para agradar os “nobres” da beira do rio, que agora está mais precioso com a presença de um Parque Central por perto… Já, o mesmo rio, quando passa nos bairros menos abastados, recebe, nada mais que o descaso e o abandono. E como se não bastasse, ainda tem suas capivaras cruelmente assassinadas sem uma razão convincente nem direito de defesa, pois todo ser humano ridículo e limitado, sente-se poderoso com uma arma na mão…

Estou passando alguns dias destas férias em Cascavel, oeste do Paraná… Não gosto nem um pouco de comparações, ainda mais quando, com elas, descobrimos nossa inferioridade diante do objeto comparado, mas as circunstâncias obrigam meu cérebro irrequieto e indignado a orientar meus dedos para digitarem estas palavras comparativas, a cerca de quatrocentos quilômetros de minha terra natal:

Nesta cidade, que tem nome de cobra e é vinte e cinco anos mais nova que Caçador, conheci o “Lago”, uma espécie de Parque Central cascavelense, mas não é um parque, nem fica no centro. Como o próprio nome já diz, tudo gira em torno de um lago, cujas margens são rodeadas por quatro quilômetros e meio de pista para caminhada, debaixo de belas árvores, acompanhada pela sinfonia doce dos pássaros…

 

 

 

Muita coisa chamou minha atenção: o pessoal gente boa me cumprimentando cordialmente, mesmo sem nunca ter me visto, a natureza cativante, as redondezas do lago bem cuidadas, tudo isso mantendo certa semelhança com a terra que me viu nascer, contudo com uma grande diferença: Durante a caminhada, frequentemente encontramos famílias inteiras de capivaras se alimentando às margens do lago, tomando banho de lama e até “lagarteando” ao sol… Estavam seguras, em perfeita harmonia com a natureza e os seres humanos ali presentes. Consegui até fotografá-las com pose de artista, sem medo nem receio algum e em nenhum momento passou pela minha massa encefálica criativa e pacífica, a ideia de disparar um tiro sobre elas para alimentar-me de sua carne que não conheço, nem quero conhecer o sabor, ou ganhar dinheiro com seu óleo precioso…

Foi preciso eu sair de uma cidade chamada Caçador e conhecer outra com nome de cobra peçonhenta para perceber o quanto o ser humano é egoísta a ponto de tirar a vida de outro mamífero de forma irresponsável, alterando o ciclo natural da vida só para manter sua ganância e seu paladar…

Infelizmente, o fato de uma cidade chamada “Caçador” honrar seu nome, não agrada nada a mim e, principalmente, às capivaras da beira, há tempos esquecida, do rio só porque não passa no “centrão”, onde tudo merece atenção, inclusive os animais… racionais ou não…

Márcio Roberto Goes

 

 

 

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