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A bolsa da Zita

Minha amiga Zita que de longe não é normal (nem de perto), cidadã lebonregense, a pouco chegada em nossa metrópole Caçador de sessenta, setenta ou oitenta mil habitantes (ninguém sabe, nem mesmo o censo), acostumada com a calmaria da cidade vizinha que presenciou in loco todo o desfecho da história do primeiro DNA de vaca feito no Brasil… Esta criatura, andava pela rua, despreocupada, cantarolando uma canção qualquer do Roberto Carlos, carregava consigo uma bolsa destas que toda mulher moderna carrega, porta-trecos e afins. Estranhava o peso demasiado, não sabia se era a bolsa que pesava, ou ela que tinha ficado mais fraca.

Percorria o caminho pela calçada, em plenas duas horas da tarde, natural e anonimamente, quando ao aproximar-se da delegacia encontra um jovem mediano, cabelos e olhos claros, tênis, camiseta colorida, calça jeans, boné virado, aproxima-se sorrateiramente na tentativa de surrupiar a bolsa da minha amiga…

Num ato de desespero, ao sentir as mãos daquele delinquente deslizando de um modo nada carinhoso sobre a alça de seu porta-trecos, mais rápida que o ladrão vespertino, a corajosa Zita desfere-lhe uma bolsada certeira naquela cara sem-vergonha de ladrãozinho meia boca, deixando-o no chão, inconsciente por uma fração de segundos… Recuperando rapidamente os sentidos, porém não totalmente o equilíbrio, o sujeitinho sai, “tastaveando” no meio da rua, atrapalhando o trânsito, enquanto um senhor do outro lado grita: “Pega ladrão!”… E dirigindo-se a Zita que estava em estado de choque: “A senhora está bem?”… “Estou, mas acho que o rapaz não.”…

Passado o pânico, a jovem senhora começou a raciocinar… “Como pude derrubar aquela rapaz só com uma bolsada na cara?”… E conferindo o “porta-trecos três listras”, percebe um corpo estranho em seu interior: uma peça de metal, nada leve, do veículo do seu marido, que deveria ser levada para o conserto e nossa heroína havia esquecido … Era o objeto errado no momento certo…

Passados alguns dias e consultada sobre o sucedido, minha amiga responde indignada:

– Quero matar aquele infeliz!

Claro que se trata de uma hipérbole, uma força de expressão, digamos, uma metáfora. A Zita, pelo que sei, não é assassina (assim espero), porém, a surpresa maior ficou por conta de sua justificativa:

– Com a bolsada na cara daquele sujeito, danifiquei meu celular. Parece que acionou alguma coisa em seu mecanismo que agora, todo dia ele desperta as duas horas da tarde, fazendo-me lembrar do dia em que derrubei um marginal com uma bolsada em frente a delegacia sem precisar chamar a polícia que tava tão perto… Não tem como desprogramar, pois a tela não funciona.

É! Jamais devemos subestimar uma mulher aparentemente indefesa, principalmente quando carrega alguns quilos de metal em sua bolsa…

 

 

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