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Mês: novembro 2018

Síndrome do Já Passei

Em todo ano letivo, sobretudo agora que não existem mais exames finais nas escolas estaduais de Santa Catarina, acontece um fenômeno que atinge uma parte considerável dos alunos, principalmente aqueles que se acostumaram a valorizar muito mais os números do que o conhecimento real. Trata-se da Síndrome do “Já Passei”.

Entre os principais grupos de risco estão os inteligentes, porém preguiçosos, os que tentam levar vantagem de todas as situações e os que procuram a evolução só por mérito…

Tem uma frase, não lembro o autor, que diz: “Os preguiçosos revolucionam o mundo”… De fato, somente alguém extremamente preguiçoso para inventar algo como o controle remoto que celebra a lei do menor esforço e maior conforto… Mas os preguiçosos que fazem parte de um dos grupos de risco da síndrome não buscam evolução, tampouco procuram melhorar a vida das pessoas ao seu redor. São preguiçosos que vencem a preguiça só até que se tenha alcançado níveis satisfatórios de evolução, revelados, nem sempre de forma justa, através da média bimestral.

Outro grupo de risco é composto por aqueles que tentam levar vantagem em tudo. Buscam sempre uma recompensa muito maior que seu verdadeiro esforço e sempre reclamam da nota quando a comparam com a do outro. Afinal, se sua nota é menor, se sente injustiçado e não reconhece o esforço de seu colega com nota, numericamente maior. Mas, quando sua nota é alta, não chama de injustiça o fato de seu colega, mesmo se esforçando, ter alcançado uma nota menor…

O terceiro dos principais grupos de risco é aquele que está em constante busca por méritos, gosta de ser enxergado e citado entre os melhores, seu único objetivo, como nos outros grupos de risco, é passar de ano. Não se importa com o futuro, quer ser aprovado, mesmo que seu conhecimento não esteja completo para aquele ciclo…

Em todos os casos, esta perigosa síndrome só ataca aqueles alunos, matematicamente aprovados antecipadamente, ou seja, aqueles que atingiram os 24 pontos no terceiro bimestre. Os principais sintomas são: falta de vontade de ir à escola, soberba, indisposição para ouvir explicações com atenção e entregar os trabalhos, e desejo irresistível de atrapalhar a aula, afinal já está aprovado e não importa que o restante da turma queira participar…

As vítimas da síndrome do “Já Passei” ignoram que o conhecimento é um processo contínuo e que vai precisar do conteúdo do quarto bimestre como pré-requisito para o ano letivo seguinte, além de não perceberem que a nota do último bimestre fará parte de seu histórico escolar na versão detalhada. Possivelmente, quando for procurar um emprego, terá seu documento submetido à análise e será questionado sobre as razões que o levaram a decair bruscamente na última nota. A justificativa será pelo fato de ter sido aprovado por antecipação… Certamente, o empregador, não vai contratar alguém que desiste do processo quando cumpre a primeira meta…

O tratamento é simples: Manter o nível de esforço, doses diárias de generosidade com aqueles que ainda não alcançaram a média, além de uma boa injeção de respeito pelos profissionais da escola e colegas, reconhecendo que todos fazem parte do seu crescimento pessoal e profissional.

Afinal, quem sobe as escadas da vida sozinho, quando se desequilibrar e cair, não encontrará ninguém para segurá-lo. Porém, quando se procura o crescimento coletivo, ninguém cai, pois um segura o outro nos eventuais tropeços da escalada…

A origem principal da síndrome do “Já Passei” é o egoísmo e a cura é a generosidade…

Márcio Roberto Goes

www.marciogoes.com.br

www.radiomartelo.com

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