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Mês: Abril 2018

A fantástica fábrica de gênios

Fui desafiado por uma turma de segundo ano de ensino médio a fazer, em sala de aula, a mesma atividade que propus a eles: uma crônica. Desafio aceito e lá vai minha produção de texto para a avaliação da turma… Tenho que caprichar… Os avaliadores são muito exigentes…

Quando digo que o melhor lugar do mundo para se conhecer pessoas fantásticas é a sala de aula, pode acreditar que é de coração e resultado de uma vivência de quase dezoito anos com essas pessoinhas maravilhosas chamadas alunos…

Durante esse tempo, já tenho visto e vivenciado de tudo: muros caindo, alunos evoluindo e caindo também, formaturas, escola velha com cara de nova, escola nova com cara de velha, educação de vitrine, educação real, aluno de vitrine, auno real… Amizades se fazendo e desfazendo, profissionais, nascendo e crescendo, conhecimento crescendo e evoluindo… Pessoas mudando…

Me afastei por um tempo para assumir um cargo administrativo. Uma ótima experiência que, aliás, penso que deveria ser vivida por todos os professores antes de criticar qualquer atitude da direção… Mas voltei a esta fantástica fábrica de gênios, afinal nada se compara ao cotidiano da sala de aula… Observar os gênios em ação na pessoa dos alunos é, de fato, uma experiência, no mínimo, fantasticamente fantástica (Perdoem-me o pleonasmo proposital)…

Certo dia, fui filmado, tentando mostrar a performance de um mestre-sala de escola de samba que se desdobra em oito pernas com passos rápidos e frenéticos, enquanto a porta-bandeira desliza suavemente pela avenida. No mínimo, me parece um tanto desigual… Minha coreografia ficou horrível, mas dizem que o vídeo bombou… Kkkkkkk… Pena que ninguém compartilhou comigo… Mimimimi… No princípio, quando soube da notícia, fiquei um tanto zangado, mas depois encarei o fato como uma prova de que o professor é um ser humano e, às vezes, também pode extrapolar, quebrando a rotina no intervalo…

Para retribuir a homenagem, resolvi também começar a prestar mais atenção nos queridos alunos à minha volta. Um, em especial, me remete aos meus tempos de escola. Me identifiquei com o senso de humor da criatura. Às vezes, quando não estamos diante de uma explicação que exija maior atenção, somos surpreendidos por algum refrão de alguma canção do passado (ou não), na voz deste nosso gênio acompanhado pelos colegas mais próximos… Às vezes, até me incomoda, mas quando percebo que a turma, apesar disso, consegue render no caminho do conhecimento, até acho graça… Penso que nossos alunos estão no caminho dos gênios. Basta identificarmos, procurarmos potencializar e intensificar os fatos e ideias positivas no ambiente…

Nosso protagonista, o Lucas, tem provado a cada dia, estar traçando este caminho. Em cada palavra com tom humorístico, sarcástico e , às vezes irônico, se esconde uma experiência de vida. Em cada análise crítica, revela-se um jovem formador de opinião que tem consciência da própria imperfeição, mas busca a atenção dos demais, mostrando a coragem de ser diferente…

E o mais incrível é que o restante da turma segue este padrão de busca da genialidade. Pessoas que enxergam na vida cotidiana, detalhes e fatos que sempre merecem ser retratados de forma subjetiva…

Na real, estou rodeado de gênios cronistas em potencial. Como não percebi esse negócio do troço do treco da bagaça antes?

Márcio Roberto Goes

 

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Em defesa de Tomé

E jesus apareceu, ressurreto aos apóstolos que estavam trancafiados todos no mesmo lugar, cheios de medo e insegurança… Mas Tomé não estava lá… Onde estava?… Sei lá… Poderia estar em qualquer lugar, menos ali escondido… Certamente, Tomé foi o único que não se amedrontou diante do golpe que culminou na execução de seu mestre… Os outros, ao contrário, se fecharam a queixarem-se: – Jesus morreu… Mataram nosso mestre… Está tudo acabado… E agora?… – Talvez, Tomé possa ter feito os mesmos questionamentos em sua mente e em seu coração, mas em vez de ficar se lamentando, preferiu sair da zona de conforto e continuar a luta por justiça iniciada por Jesus… Naquele momento é que se poderia saber se os ensinamentos do messias tiveram alguma valia para seus apóstolos… “Só se sabe quando o discípulo realmente aprendeu, na ausência do seu mestre”…

Mesmo assim, jesus saúda seus amigos medrosos com a paz e dá a eles autoridade sobre seus liderados… E Tomé?… Certamente recebeu esta autoridade depois, com maior merecimento… Não é possível que o Cristo, filho de Deus, tenha esperado justamente o momento em que um apóstolo estava ausente para aparecer aos outros… Acredito que esse, condenado por tantos como incrédulo não tenha ficado por muito tempo com aqueles “cheios de fé”. É fácil ter fé trancado num quarto sem conhecer a realidade ao seu redor… É mais cômodo, não exige compromisso, não exige ação… É só acreditar nas sombras da parede refletidas pela entrada da caverna (Platão)…

Ao saber do acontecido, Tomé diz claramente que só acreditaria se encostasse nas feridas de Jesus… O que muitos chamam de falta de fé, pode-se entender também como prudência, pois frequentemente acontece de se esperar um milagre sem fazer o mínimo de esforço para alcançá-lo… Mas Deus é bom e o filho dele também. Por isso apareceu primeiro para os medrosos de plantão e mesmo assim não tomaram coragem de sair dali para continuar sua a obra…

Uma semana depois, Jesus aparece novamente aos apóstolos… O detalhe é que eles continuavam lá, fechados, com medo, mas desta vez, Tomé estava presente, no mesmo instante caiu de joelhos, dizendo: – Meu Senhor e meu Deus!… Ao passo que Jesus respondeu: Você acreditou porque viu. Feliz quem acredita sem ver… Não se tratava de uma comparação com os outros discípulos, pois todos também acreditaram ao vê-lo na semana anterior e, mesmo assim, permaneceram confortavelmente trancafiados em sua fé… Desta forma, não faz sentido chamarmos o pobre Tomé de incrédulo, pois os outros também creram nas mesmas condições que ele. A única diferença é que ele viu depois…

Sejamos, pois, sensatos na nossa fé, assim como Tomé. Pois não é possível ter fé sem contestação, sem serviço, sem partilha, sem luta pelos desfavorecidos… Deus se alegra com os louvores, mas se alegra muito mais com a capacidade de seu povo transformar a realidade através da partilha…

Márcio Roberto Goes

www.marciogoes.com.br

www.radiomartelo.com

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