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Mês: novembro 2015

Instinto materno

Vendo algumas imagens da tragédia acontecida em Minas Gerais por causa da ganância daqueles que se acham grandes porque estão de posse da maioria do dinheiro em circulação, começo a acionar minha mente inquieta para vários pontos. Muitas pessoas escreveram e escreverão sobre isso, tenho certeza, portanto, não quero entrar nessa concorrência, só deixo bem claro que sempre serei a favor da vida, de qualquer forma de vida, principalmente aquelas que se tornam mais frágeis em decorrência da cobiça..

Muitos fatos me chamaram a atenção neste episódio, mas um deles inspirou esta cônica que deve manter sua fama de abordar assuntos corriqueiros, principalmente aqueles que o resto do mundo não vê… Uma imagem, em especial me fez refletir. Enquanto todos buscavam seres humanos entre o lamaçal (e com razão… é assim mesmo que tem que ser: prioridade para nossos semelhantes) um cachorro tentava correr contra o tempo e a lama para salvar a própria vida, meio indeciso, um pouco olhava para trás, um pouco corria para frente. Com certeza, se seu dono estivesse por perto, tentaria salvá-lo primeiro…

Os animais têm muito a nos ensinar. Isso me remeteu a uma cena que presenciei hoje a tarde na minha residência oficial dos dias de chuva e de sol… Minha cadelinha mestiça, a Nala, teve uma conjunção carnal com meu labrador, o Simba. Desta relação originaram-se sete lindos filhotes. Um morreu no primeiro dia e os outros seis crescem lindos e fortes há quase três meses… Uma cachorrinha ainda não foi adotada, e a mamãe coruja passa a maior parte do tempo tentando protegê-la, apesar de já estar desmamando…

A filhote pretinha, ainda sem nome, mas com vários apelidos carinhosos, mantinha-se num cercadinho aos fundos de minha meia-água própria na companhia de sua mãe que, às vezes pulava o portão para conferir o mundo aqui fora…

Há alguns dias, tenho deixado o portão aberto enquanto estou em casa, mas a pequeninha nunca teve coragem de ultrapassar o limite entre o cercadinho e do resto do mundo. Hoje, resolveu arriscar e eu, como um ser humano que ama os animais, sobretudo cachorros, fiquei a observar da porta. Cada vez que a filhotinha tentava avançar pela escada, sua mãe a reprendia latindo e rosnando, ao que arrisco traduzir: – Não saia daí, lá embaixo pode ser perigoso…

Não sendo obedecida, a Nala começa a cercar a pretinha a fim de que ela não ultrapasse a linha imaginária do perigo. Faz várias tentativas sem sucesso contra a teimosia da mocinha quase rebelde. Então a mamãe coruja toma uma atitude radical: Tenta carregá-la pelo cangote e arrastá-la de volta para o cercadinho. Mas esqueceu que sua filha crescera e não seria possível carregá-la sem machucar…

Uma cadela empurrando o filhote com o focinho, tentando carregá-lo, ou arrastá-lo para um lugar seguro nos ensina mais sobre amor materno do que muitos exemplos de seres humanos desumanizados por aí… Como seria lindo se os humanos seguissem esse exemplo e lutassem pela proteção de seus semelhantes, em vez de tentar destruí-los por se julgarem melhores, ou mais poderosos…

Que mundo é esse em que os cachorros se protegem com todas as forças e as gentes lutam entre si por terras, poder, e o que é pior, por causa de dinheiro? Pedaços de papel que deveriam servir para melhorar a vida das pessoas, mas, ao contrário, são motivos de conflitos… De um lado, armas mortais destroem com atitudes chamadas por alguns de terrorismo… De outro, uma grande empresa, por erro de vistoria e excesso de cobiça, destrói comunidades inteiras, vidas, culturas, histórias, transformando tudo em lama…

Vivemos em comunidade desde os primórdios da humanidade, pois assim, juntos somos mais fortes… Mas a desgraça começou quando passamos a acreditar que uns são melhores que os outros, numa ilusão sem fim que mata, destrói, ameaça, aterroriza, espanta aqueles que são taxados como inferiores… Não entendo essa lógica marginalizadora, excludente e desumana… Prefiro entender a lógica humana e materna da minha cachorrada que a cada dia me ensinam a viver melhor e mais generosamente…

 

 

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Só dá valor quando perde

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Enganou-se redondamente quem pensou que este título aí em cima diz respeito ao amor, ou às relações que os seres humanos insistem em chamar de amor, quando na verdade se tratam de paixões. Quando passam, aí sim podem dar lugar ao amor, ou à repulsa…

Minhas palavras escritas nesta coluna vão tratar de assuntos comerciais pelo ponto de vista do pseudo-beneficiado com essas relações: o consumidor…

Há três anos, cansado da mesmice das programações tendenciosas das redes de TV abertas que se acham poderosas e donas da verdade, resolvi contratar um serviço de TV por assinatura. O fiz de forma legal, pois não teria sentido abrir a boca para falar contra corrupção se instalasse uma TV Gato…

Fui prontamente atendido pelo técnico que veio em minha residência, instalou antena e aparelho receptor muito cordialmente e só se ausentou depois de se certificar que estava tudo funcionando perfeitamente… A partir desse dia, percebi que tinha tomado a decisão correta e na minha pequena tela, passei a ter uma infinidade de opções de entretenimento, informação e tudo o que se possa imaginar ver na TV, mesmo no plano básico que, normalmente só não tem os canais exclusivos de filmes e a poderosa do plimplim que nunca me fez falta alguma… Caro leitor, cara leitora, não é meu objetivo fazer comercial da TV por assinatura, mas trata-se de um avanço na vida intelectual de qualquer pessoa que saiba escolher a boa programação disponível…

E eis que a operadora, de repente, resolve aumentar o valor da parcela sem aviso prévio. Entrei em contato e as justificativas foram infinitas: Que o meu plano cobria isso e aquilo, que tinha passado o tempo de promoção que eu teria desconto de contratasse mais canais… Eu não queria. Só queria ter o mesmo serviço pelo mesmo preço, ou que fosse corrigido proporcionalmente com os índices econômicos… Depois de muito choro, consegui um certo desconto, mas nunca voltou a ser como antes… Além de perceber que o serviço não era tudo aquilo, era só o tempo nublar e o sinal caía… – Instale uma TV gato – Alguém me dizia, alegando que eu me livraria da mensalidade e a qualidade era a mesma… De fato, a TV gato também cai com o mau tempo, com o agravante que é ilegal…

Pelos valores que considerei abusivos e pela baixa qualidade dos serviços, resolvi mudar de operadora. Após instalada a aparelhagem, liguei para a antiga operadora a fim de cancelar o serviço: A Fulana de Tal que me atendeu, me encheu de perguntas querendo que justificasse meu cancelamento. Depois de vários minutos de espera com a orelha e o braço cansados de sustentar o telefone, ela me faz uma proposta: – Se você quiser continuar com nossos serviços, baixamos o valor e oferecemos os canais de filmes grátis por dez meses… – Não, obrigado. Quero cancelar o serviço… Pediu que eu aguardasse e voltou com outra proposta. Desta vez ficava por menos da metade do preço atual e os canais de filmes grátis por um ano… Novamente, minha resposta foi negativa…

Depois de concluída a negociação e marcada a data para a retirada dos aparelhos, minha mente pensante, criativa e, graças a Deus, menos burra com a ausência da TV aberta começa a matutar: Por que eles pensam que todo mundo se vende por causa de canais de filmes?… E o que é pior: Se era possível oferecer o mesmo serviço e canais extras pela metade do preço, porque não o fizeram antes? Esperaram o cliente cancelar para oferecer-lhe vantagens, mesmo sabendo que este era fiel há três anos…

Parece que as prestadoras de serviço prezam pelo lucro acima do bem-estar dos clientes que só são considerados colaboradores quando resolvem “chutar o balde”. É assim em qualquer relação comercial capitalista, onde dificilmente se faz uma negociação que beneficie o usuário. Ainda bem que existem outras opções de TV por assinatura, que fazem parte das escolhas da nossa vida. Merecemos um serviço de qualidade, afinal, estamos pagando por ele…

Há… Ia esquecendo de um detalhe: Nesta nova operadora, o sinal nunca caiu, independente da tempestade… Só espero não ter que esperar três anos para ser considerado cliente vip se por ventura eu resolver cancelar o serviço. Gostaria de ser valorizado antes que ela me perdesse…

Márcio Roberto Goes

www.marciogoes.com

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