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Mês: outubro 2015

Todos somos árvores

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Era um brotinho gerado por uma semente que caiu levada pelo vento. Sonhava em crescer, fazer sombra, dar frutos, acolher todo ser que se aproximasse com o carinho e o abraço que só a natureza pode dar… Era um brotinho sonhador. Os mais velhos o incentivavam a crescer em sabedoria e graça, não desprezar qualquer forma de vida que se aproximasse, servir de fuga para as espécies mais frágeis, trampolim para macacos apaixonados e brincalhões, alimento e palco para a passarada mostrar suas lindas canções…

O brotinho cresceu, engrossou o tronco e a cobiça dos seres humanos. Estava viçoso, colossal, tinha grandes galhadas que reuniam a sinfonia dos pássaros toda manhã… Era aquilo que sonhara, estava feliz por poder contribuir com a harmonia da natureza ao seu redor… Quantos namoros começaram debaixo de sua sombra… Quantas crianças brincaram no estágio da vida real ao seu redor… Quantos animais foram acolhidos por aquela árvore de tronco forte e galhos extensos…

Um dia, ouviu-se distante, um barulho de civilização… Motores que roncavam durante o dia e silenciavam durante a noite em busca de progresso… Dia a dia, o ruído se aproximava e nossa árvore protagonista ficava aflita, pois via, de sua copa, muitas amigas sucumbirem, tombarem, renderem-se ao poder imponente da civilização humana desumanizada…

E chegou a sua vez… Como chega a vez de todos, queira, ou não… Sentiu a dor doída da serra da ganância humana… Tentava manter o equilíbrio, mas o corte, cada vez mais profundo a obrigava a se inclinar… Resistiu, mas teve que tombar… Porém, como toda árvore, apesar de parecermorta, continuava viva e, lá do chão, castigo de quem ousa crescer e engrossar os troncos mais do que os outros, ela ainda sonhava…

Até mesmo as árvores cortadas sonham… Queria continuar sendo útil,,, Quem sabe assoalho, forro, ou paredes para abrigar uma família de humanos, quem sabe transformar-se-ia numa casinha de cachorro para dar um teto ao melhor amigo do homem que a derrubou. Poderia reviver em móveis e utensílios… Poderia ainda ser processada, acrescentada a um monte de produtos químicos e se tornar papel, levando conhecimento e informação a todos os seres racionais… De alguma forma, queria ser útil. Mesmo sabendo que serviria para sempre àqueles que lhe furtaram seus sonhos mais sublimes…

Uma árvore tem sua missão dada pelo criador. Ela fica lá, paradinha, a mercê do vento… Mas sua presença é de fundamental importância para o ecossistema. Seus galhos e seu tronco cumprem com louvor seu papel, apesar de ninguém reconhecer da forma merecida… Mas ela é tão generosa que, mesmo depois de tirada de seu ambiente, ainda se dedica para melhorar a vida dos seres ao seu redor… Mesmo tombada, uma árvore não deixa de servir…

Márcio Roberto Goes

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Conversa ao Leo

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Me deixa muito feliz o fato de ser convidado a visitar as escolas da região por conta da minha modesta obra literária que, aliás está longe de ser uma grande obra, mas está muito próxima de quem lê.

Esta semana estive na Escola Irmão Leo, onde trabalhei por cinco anos. Nostalgia total ao adentrar seus portões e ver os jovens circulando pelos corredores da linha de produção de gênios: A Escola… Lá estava eu, diante de duas turmas de ensino médio Inovador. Até aí, nenhuma novidade, já que trabalho com o inovador no Wandão. A diferença é que eu não estava lá para lecionar e sim para ajudá-los a querer e gostar de escrever crônicas, este estilo literário feito para quem quer gostar de ler e escrever…

Fui muito bem recebido. Me encantou falar para os jovens e, principalmente ouvi-los, conhecer um pouco da realidade, dos anseios, esperanças e temores de uma galera que, normalmente não é considerada pelas pessoas de maior destaque na sociedade, haja vista as manchetes em todas as mídias, destacando somente notícias negativas sobre juventude…

Enfim, mostrei minha apresentação de slides como de praxe, desta feita sozinho, pois meus jovens companheiros do Wandão não puderam me dar a honra da companhia. Mas minha maior surpresa foi o carinho dos presentes… Muitos alunos se dedicaram para desenhar, colorir e recortar uma frota de fusquinhas, sabendo do meu amor por este carro, só para me presentear e, com certeza, arrancaram sorrisos deste que vos escreve. Trata-se do presente mais criativo que já recebi, além de uma cesta com sabonetes artesanais decorada com papel reciclado produzidos pelos estudantes e uma obra de arte: textos da aluna Pollyana, uma jovem e surpreendente poetiza, escritos de próprio punho por ela e encadernados exclusivamente para este escriba…

Queridos jovens, obrigado pelas surpresas e pela pipoca saboreada entre amigos. Enquanto houver um jovem que lê, forma opinião e escreve motivado por meus textos, continuarei escrevendo…

Márcio Roberto Goes

 

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