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Mês: setembro 2015

Desabafo de um professor imperfeito

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Em todas as profissões existem pessoas dedicadas e outras, nem tanto… Existem profissionais comprometidos com o ser humano ao redor e outros preocupados só com o contracheque… Com o magistério não poderia ser diferente… Fazemos o que podemos em sala de aula para manter a qualidade de educação que as autoridades tanto confabulam, debatem, mas raramente sentem o chão de uma escola para conhecer os verdadeiros anseios da educação pública…

Nós que estamos na linha de frente, sabemos muito bem o que é lidar com o ser humano nas suas mais variadas situações, tentando tratá-lo com o respeito, dedicação e amor que merece e, esperando que assim seja retribuído… Mas nem sempre acontece: Constantemente, sofremos duras críticas em nosso trabalho, normalmente vindas de pessoas que não estão por dentro do que está acontecendo… São os juízes da educação pública, têm solução para tudo, desde que eles não precisem arregaçar as mangas, afinal, sua função é só julgar aquilo que “tá todo mundo comentando”…

Ainda assim, a sala de aula continua sendo, a meu ver, o melhor lugar do mundo para se conhecer pessoas fantásticas, mesmo diante da perfeição cobrada de seres imperfeitos por outros seres imperfeitos, mas que se julgam melhores por causa dos títulos que carregam… De que valem os títulos de um professor diante da imperfeição daqueles que cobram dele a perfeição absoluta?

Professor deve ser exemplo de moral, ética, cidadania, exatidão, pontualidade, empenho, dedicação, enfim, alguém sobrenatural, diante da humanidade cheia de defeitos… Infelizmente, acho que não tenho cumprido todos estes requisitos, afinal sou um bocó que busca melhorar a cada dia, mesmo que, às vezes o faça a passos de tartaruga, já que muitos obstáculos procuram empurrar o profissional de educação para baixo, desmotivando, condenando, xingando e deseducando…

Quando investimos nosso conhecimento, empenho, tempo e dedicação num projeto e o fazemos com o coração, certamente teremos bons resultados, mas fica difícil continuar a caminhada quando as imperfeições do nosso modesto trabalho são amplamente divulgadas e os acertos ignorados…

Buscamos melhorar o ser humano que está diante de nós na sala de aula, para tanto é necessário, primeiramente, buscar melhorias para nós mesmos… Até que ponto somos perfeitos no mesmo nível que cobramos dos nossos alunos e colegas?… Nosso nível de empenho é o mesmo que esperamos de educandos e educadores ao nosso redor?… Ou refletimos nos outros nossos desafetos? Afinal, medimos as pessoas ao nosso redor com as nossas medidas…

Amados alunos, queridos colegas, respeitáveis gestores, perdoem este professor meia boca… Perdoem a falta de perfeição neste profissional que só busca uma escola mais humana, aberta ao debate e a discussão da aplicabilidade de tudo aquilo que se “ensina”…

Por fim, perdoem pelos títulos que carrego, de uma utilidade tão inútil que não servem nem mesmo como parâmetro para uma maior valorização moral e financeira da profissão, aliás, de nada adiantam os diplomas se não percebemos que pertencem a um ser humano imperfeito…

Márcio Roberto Goes

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Ainda somos os mesmos

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Cresci assistindo uma TV em preto e branco, de válvula… Era preciso ligá-la ao meio dia para poder assistir a novela das oito, precisava esperar as válvulas esquentarem até aparecer a imagem… Muitos anos depois, eu, o filho mais novo da família, consegui comprar uma pequena TV em cores para assistirmos juntos ao final da copa de 94. Assistimos ao tetra em cores, apesar de meio desfocada, pois não deu tempo de regular a antena.

Pois bem, muito tempo se passou e descobri que a poderosa do “plimplim” não passa de um canal de televisão parcial e tendencioso que tenta, constantemente fazer uma lavagem cerebral no povo através de uma programação aparentemente inocente. Resolvi investir numa TV por assinatura e, uma das melhores coisas que me aconteceu foi a ausência daquele globinho girando no centro da tela em minha vida… Descobri que existe programação de qualidade na TV, mas é preciso procurar e investir, do contrário, ficaremos bitolados nas telenovelas, programas sensacionalistas de auditório que exploram as desgraças e desafetos do povo, telejornais que espalham o ódio e o gosto por más notícias e reality-shows que só nos tornam fiscais da vida alheia….

E eis que, dia desses, na casa de um amigo, encontro a TV ligada na poderosa do “plimplim”. Senti algo estranho, tudo muito amarelo com tons de marrom, parecia algum filme de época com efeitos de imagem envelhecida… Porém, não passava de uma novela das nove, sem conteúdo, moral e, agora, sem cor… Cadê as cores da TV?… Voltamos à década de 50 quando tudo tinha que ser ao vivo e sem cores…

Outro exemplo que comprova o título acima é a música: Com o passar dos tempos, muita tecnologia foi aplicada para melhorar a qualidade de mixagem das músicas que ouvimos no rádio, ou nos aplicativos que rodam MP3. Tonico e Tinoco se viravam com quatro canais “meia boca” para gravar suas modas de viola que faziam e fazem muito sucesso até hoje. Não podiam errar, pois precisariam retomar a gravação do início, os instrumentos eram totalmente acústicos e a captação era feita enfiando um microfone na boca do violão e da viola… Bateria nem pensar, a percussão era feita com um pandeirinho, ou quando muito um bumbo leguero… Hoje, a tecnologia é tão avançada que basta gravar a fala que o sistema mesmo acha o tom, ritmo, melodia, harmonia para encaixar na música…

No entanto, existem muitos artistas aderindo às gravações acústicas novamente, trocando a guitarra pelo violão, a bateria pelo cajón, o baixo elétrico pelo acústico e o teclado pelo piano. Prova de que ainda existe qualidade na nossa música, pois as gravações acústicas exigem muito mais afinação, ritmo e melodia que as eletrônicas, apesar de usufruírem também de todo o aparato tecnológico do momento. Confesso que acho o som acústico muito mais agradável aos ouvidos do que o eletrônico, mas me parece uma regressão no conceito de mixagem…

Além do mais, encontramos poucas composições inéditas que realmente toquem o coração da maneira como só a música toca. Existe uma grande leva de regravações, músicas antigas com roupagem nova e, nossos jovens nem sonham que estão ouvindo um som que, originalmente pode ter mais que o triplo de sua idade…

O mundo gira, a vida passa, os tempos mudam, mas muitas coisas continuam iguais, apesar de sempre acharmos que o nosso tempo é que era bom. Não podemos evitar a vinda do novo, nem podemos nos dar ao luxo de excluir o passado. Mas podemos mesclar o conhecimento e experiências adquiridas com os novos conceitos de música, de arte e até de convivência… Afinal, como diria Elis Regina: “Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”…

Márcio Roberto Goes

www.marciogoes.com.br

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