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Mês: janeiro 2015

Diário de um candidato…

 

Numa noite qualquer do final de junho de 2014,o presidente do partido me liga e me enche de perguntas… Como está a tua situação com a receita federal?… Respondeu algum processo ultimamente?… E o fuscão tá bão?… Após responder a primeira dizendo que está tudo certo, a segunda negativamente e a terceira positivamente, ele me joga a responsabilidade nos ombros. Precisamos de uma liderança popular para ser candidato a deputado estadual aqui em Caçador e o nome mais indicado é o teu…

Na hora não acreditei, pois em 2010 batemos na trave e acabamos sem candidato por aqui. Mesmo assim, depois de muita conversa, coloquei meu nome à disposição do partido e da democracia…

E o resultado veio logo. Meu nome foi aprovado em assembleia na executiva estadual. Uma vitória para o nosso partido em Caçador e para as causas populares… Eu sabia que a peleja não seria fácil, mas como diz o ditado: “Quem tem medo de viver, não nasce”… E resolvi encarar este desafio intensamente como sempre fiz com meus ideais… As pessoas ao meu redor se dividiram entre quem era contra e quem era a favor. Um amigo me chamou em particular e disse que era loucura, que eu jamais ganharia dos candidatos que se dizem poderosos, que eles jogariam sujo, que eu ia me corromper, que isso, que aquilo… Mas não tinha mais jeito, a documentação estava pronta: foto para a urna, histórico para o material de campanha, certidão negativa de protesto, declaração de bens (esta não demorou muito), etc.

Logo recebi apoio dos jovens que sempre amei e encararam este desafio de corpo e alma, de forma despretensiosa e voluntária. Gravamos o jigle no estúdio de um amigo, juntamos violão, acordeon, cajón e vozes depois de compormos a música de campanha em menos de cinco minutos… O resultado foi fantástico e, por onde passava o carro de som, as pessoas se alegravam, dançavam o baião, acenavam com a mão e muitas cantavam juntas o refrão… Me alegrei muito vendo a população cantando junto, não porque esperávamos um grande sucesso musical, mas pelo fato de ter sido composta com honestidade e coração, tentando revelar, em poucas linhas poéticas quais eram nossos ideais, nossas lutas e utopias…

Honestidade e coração… Esta frase foi ouvida, pela primeira vez da boca de nosso colaborador, Alexandre Cachoeira e adotada por nós como lema de campanha… Não sabíamos no que ia dar, mas estas palavras revelavam o que sentíamos falta na política, a honestidade e os sentimentos em favor do povo…

Primeira reunião de campanha. Ali estavam, numa sala, algumas das pessoas mais importantes da minha vida. Lembrei de minha mãe, falecida há dez anos. Imaginei como ela se sentiria orgulhosa ao ver seu filho mais novo candidato a deputado estadual. Tudo o que sou hoje, devo a ela que me ensinou a fé, a ética e a honestidade…

Fizemos uma campanha limpa, “batendo perna” em todos os bairros, conhecendo a realidade e conversando com o povo, esta, aliás, julgo ser a melhor experiência que adquiri na campanha, pois é o povo que tem que dizer do que realmente necessita… Vi a situação caótica dos bairros de Caçador e das cidades vizinhas, revelando que temos muitas autoridades “fazendo” grandes obras que não melhoram em nada a qualidade de vida do povão…

A cada queixa ouvida, eu e minha equipe questionávamos sobre a atuação da associação de moradores no debate e na busca de soluções para os problemas coletivos. Nossa surpresa foi perceber que as comunidades que recebem mais melhorias, são aquelas que têm associação de moradores bem organizada e uma população que questiona e busca soluções… Portanto, só melhoraremos, de fato, a vida do povo se formos conscientes a ponto de debater com as autoridades e ser ouvido por elas no que tange as necessidades da comunidade…

Claro que me apareceram muitas pessoas dispostas a vender o voto, afinal, foram assim acostumadas pela maioria dos candidatos no decorrer da história. Nossa resposta era a seguinte: Se eu trocar seu voto por algum favor, ou benefício, estaremos fazendo algo ilegal e imoral e você estará dando mais um voto de confiança par a corrupção, não tendo direito de cobrar ética dos políticos. Além do mais, as eleições são para escolher nossos representantes no legislativo e no executivo. Um político não deve fazer nada que beneficie a outrem em particular, sua função é trabalhar pelo bem coletivo… Nosso voto deve seguir o mesmo padrão: escolher alguém que trabalhe pelo bem coletivo…

Ao final da campanha 2014, percebe-se que nem sempre o vitorioso é aquele que tem mais votos. Para nossa equipe, a experiência de conhecer a realidade dos invisíveis foi uma grande vitória, pois, quando se faz a opção pelas causas populares, jamais se pesa para continuar a luta…

Márcio Roberto Goes

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Artes e religiões

Uma das melhores coisas que me aconteceu em 2014 foi a ausência da TV aberta em minha residência oficial, principalmente a sonegadora de impostos poderosa do plimplim… Mas confesso que esta ausência não me deixou a par dos exemplos de intolerância religiosa acontecidos na França semana passada… Fiquei sabendo do fato no domingo, assistindo ao Fantástico na casa de um amigo… Tenho minha fé muito sólida, mas sei também que as pessoas ao meu redor têm o direito de acreditar no que quiserem, da maneira que quiserem… Nunca pensei em abusar da fé do povo de qualquer maneira, muito menos em tirar a vida de quem quer que fosse pelo fato de não concordar com suas ideias…

Porém, a grande mídia vem sendo totalmente parcial na divulgação do fato, mostrando somente o lado daqueles que se acham poderosos e por isso, pensam que têm direito sobre as crenças das pessoas que ali vivem… Isso se deve ao fato de os seres humanos se julgarem uns melhores que os outros por causa dos bens, patrimônios, localização geográfica, idioma e crenças… Infelizmente, devemos concordar que não existe um lado certo nestes conflitos, existe sim aqueles que procuram distorcer os fatos e transformar os tiranos em heróis…

Tenho alguns amigos islâmicos que a vida encarregou de afastar com o passar do tempo, mas quero relatar aqui, um fato de 2001, logo depois do famoso 11 de setembro. No dia seguinte, em sala de aula, conversei com uma aluna muçulmana, que aliás, nunca ofereceu perigo algum para a maioria cristã dos seus colegas. Questionada sobre o que ela pensava do fato, sua resposta foi convincente: “Não concordo que devemos tirar a vida dos outros por causa da religião, mas o que dizer de todas as pessoas do meu povo que foram mortas pelos Estados unidos?”… Nem precisa dizer que ela foi aplaudida por toda a turma…

Acredito que as palavras desta adolescente de quinze anos, na época, refletem perfeitamente as guerras declaradas, ou não, por causa das religiões… E se hoje vemos um povo nas ruas fazendo protestos por causa do terrorismo, provavelmente seus líderes que criaram esta situação não o fizeram em missão de paz… Ou será que alguém mata a pessoa que aperta sua mão e respeita suas ideias?

Sou a favor da paz, em todos os sentidos e não quero, com esse texto, defender este, ou aquele… Só gostaria de deixar claro que os engravatados que criaram esta situação continuam aproveitando o luxo de seu cargo, vendo seus subordinados mortos por causa da merda que fizeram no mundo…

O Cartum é uma arte, deve ser respeitada como forma de expressão livre num mundo democrático. O islamismo é uma religião e deve ser respeitada como tal, pois aquilo que para mim é sagrado, para você pode não fazer a menor diferença, mas conto com seu respeito…

Tudo isso seria evitado se houvesse respeito às artes e às religiões…

Márcio Roberto Goes

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