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Mês: fevereiro 2013

Visita equina

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Sexta-feira, três e pouco da tarde… Deitado no sofá que também serve de porta-trecos e afins, na estreita sala da minha meia-água própria, estava este que vos escreve, despreocupadamente assistindo ao último capítulo da novela “Da cor do pecado”, no “Vale a pena ver de novo” da poderosa do plim plim… Dia de folga, sem aulas, nem horas-atividade, fazendo algo totalmente inútil, porém reparador… Com o tempo, a gente aprende que, coisas inúteis têm uma utilidade imensa quando nos fazer esquecer um pouco das coisas úteis…

 

De repente, meu labrador, melhor amigo, filho adotivo que acumula o cargo de cão de guarda começa a latir retumbante e incessantemente, atrapalhando desumanamente minha hora de fazer coisas inúteis para me sentir mais útil… O simba não late à toa, portanto, alguma coisa de errado devia estar acontecendo lá fora… Mas o sofá de fabricação própria estava tão cômodo que resolvi deixá-lo gastar um pouco mais do seu latim vulgar… A ele juntou-se a goeluda da Nala, com seu latido desesperado, mostrando que a coisa era realmente séria… Minha cadelinha, apesar de escandalosa, característica de muitas fêmeas das mais diversas espécies, só estranha o que é realmente estranho…

 

Ah! Como é bom sentir preguiça sem culpa! Mas tive que vencê-la e espichar o pescoço até a janela, abrir a basculante e ver, no meu quintal, pastando tranquilamente, um cavalo… “Um cavalo…” Falei baixinho e voltei a deitar… Um cavalo???… Levantei mais do que de pressa para me certificar que meus olhos astigmáticos e ceratocônicos não estavam me enganando… Era um cavalo mesmo, branco… Só me faltava encilhá-lo e sair em busca da princesa…. Esqueci do final da novela e fui, gentilmente receber o visitante… A casa fica nos fundos do terreno, então ele tinha uma vasta área de mato para devastar e defecar, não necessariamente nesta mesma ordem… Ao me aproximar, a ilustre visita me deu as costas, ameaçando um coice… Afastei-me, temendo por minhas costelas, mas foi possível observar que não era ele, era ela… Deixei a égua branca faminta curtir sua TPM em paz e voltei a deitar no sofá feito de chapa reciclada da campanha eleitoral passada e assistir ao último capítulo da novelinha, cujos capítulos anteriores não havia acompanhado assiduamente…

Novamente, Nala e Simba começam sua sinfonia… Meu Deus! O que foi agora?… Gritei de forma inútil, já que não havia outro ser humano em casa além deste que vos digita estas palavras. Mas não dá nada, pois era minha hora das coisas inúteis, esta atitude se inclui no pacote… E, pela janela reparei que chegaram mais dois ilustres visitantes para o banquete de capim fresco… Um cavalo, que preferi não conferir de perto seu gênero e um potro, ambos marrons… Deu a entender, de longe, que se tratava de uma família: papai, mamãe e filhinho… Ai que lindinho!…

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E assim foi o resto da tarde… De vez em quando, meus cães se tocavam das presenças estranhas e abriam os queixos só para não perderem o costume… Já estava escurecendo quando me preparei para trabalhar novamente… Havia acabado o momento das coisas inúteis e, em breve eu estaria novamente no melhor lugar do mundo para se conhecer pessoas: a sala de aula… Pedi desculpas à família que me visitava e desejei que ficassem à vontade, mas não poderia acompanhá-los no jantar…

 

No caminho até a escola pensava: Isso é um bom sinal. Meu terreno é aberto, até o momento não foi feita a cerca que afasta os seres humanos de outros semelhantes, e ainda não tive nenhum problema por causa disso, apesar das inúmeras críticas àquele bairro… Porém, sempre recebo a visita de animais: gatos, cães de rua e da vizinhança que escapam e se sentem acolhidos ali, galos e galinhas, pássaros de todas as espécies e agora, cavalos… Qualquer pessoa ficaria irritada culpando os donos dos animais por estarem soltos ali. Mas meu coração passional agradece por poder receber estes seres irracionais que têm muito a ensinar a nós, que nos achamos racionais pelo fato de podermos dominar outros animais e os próprios seres humanos…

Márcio Roberto Goes
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O que serei?

aaaaaaaaaa

“É carnaval e você pode ser o que quiser”…

Vi isso num comercial de TV… É claro, numa propaganda de cerveja, que tenta convencer o consumidor que bebida alcoólica pode fazer algum bem… Pelo que sei, não existem níveis seguros para se consumir álcool…

Resolvi viajar na minha imaginação e brincar de ser o que quiser neste carnaval… Que tal um camaleão? Seria uma boa ideia, já que eu não gosto de carnaval, pelo menos não naquilo que virou esta festa no Brasil… O camaleão muda de cor, conforme o ambiente e passa desapercebido. Penso que seria bom estar invisível, ou disfarçado durante esses três dias de folia… Porém, perderia minha personalidade ao assumir a cor dos outros… Melhor não.

Ou, quem sabe, um espelho… Talvez eu conseguisse refletir a imagem real das pessoas que se iludem com uma diversão profana e vã… Porém seria inútil, pois bêbado não se percebe, nem mesmo diante de um espelho…

Ou ainda, um cupido, pra ver se consigo flexar novamente o coração humano com o amor verdadeiro… Infelizmente, acho que não sortirá grande efeito, pois quem procura amor puro e verdadeiro, raramente frequenta os eventos carnavalísticos. Seria o mesmo que jogar um copo de água limpa dentro de um balde de água suja. A pureza seria diluída pela tamanha podridão já existente…

Sei lá… Quem sabe eu poderia ser um cachorro, assim teria a oportunidade de ser humilde, sincero, amoroso e fiel sem passar pelo ridículo do julgamento das pessoas ao meu redor… Má ideia, pois o cão é o primeiro que apanha dos desavisados e o último a ser socorrido…

Posso ser um computador nas mãos de um cronista que não gosta de carnaval e expressa isso nas suas palavras, habilmente digitadas com quase todos os dedos e publica na Web… Isso me parece familiar!… Ou melhor, posso ser o próprio escritor que desperdiça sua noite de sábado de carnaval para sentar-se ao computador e escrever…

Quem sabe, sou um professor que não tem medo nem vergonha de amar seus alunos e expressar a indignação contra uma festa que lhe dá mais três dias de folga antes da volta às aulas… Não! Seria muita pretensão minha querer ter a profissão mais maravilhosa e gratificante do mundo, porém menos valorizada por parte daqueles que estão na cadeira de quem pensa que manda em nosso país…

Não me resta outra saída. Neste carnaval, serei um urso e vou hibernar preguiçosamente até que o inverno da alma termine e os seres humanos acordem, comigo, finalmente para a vida!

Tá aí… Gostei dessa última opção!…

 

Márcio Roberto Goes

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