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Mês: outubro 2012

Amados amigos

Este texto pode parecer só mais um de tantos que já escrevi… Mas é especial e único, pois é remetido a grandes amigos, aqueles que têm um cantinho todo especial e exclusivo no meu coração: Meus queridos e amados alunos de ensino médio da Escola Estadual de Educação Básica Wanda Krieger Gomes…

Quando resolvi ser professor, já ao optar pelo magistério no ensino médio durante a década de 1990, aceitei tal desafio com uma condição: Que eu pudesse ser, no mínimo, amigo dos meus alunos… Há doze anos atuo como professor na rede pública estadual e, por alguns momentos também na municipal… Em toda escola que passei, deixei nascer grandes amizades que até hoje estão vivas e presentes em minha vida. Porém, a paixão avassaladora pela educação nasceu mesmo ao me deparar com uma escola que, apesar de já estar há alguns anos em funcionamento, não tinha sede própria. O prédio foi inaugurado no dia 26 de fevereiro de 2006, desde então sou professor efetivo do querido Wandão; o abacatão do Martello que agora apagou-se com tinta marfim, cobrindo obras de arte e sonhos dos nossos alunos brilhantes, meus grandes amigos…

Meus queridos, vocês são a personificação da “Escola dos meus sonhos”… Foi com vocês que aprendi, mesmo contrariando as estatísticas, que é possível uma educação diferente, dinâmica e humana na nossa escola… Na companhia de alguns de vocês, passei por várias escolas da região proferindo palestras, falando, ouvindo, cantando e encantando no melhor lugar do mundo para se conhecer pessoas: A escola pública… Fomos até cantar na rádio e no Festival da canção: Lá, não tinha diferença entre professor e aluno, éramos iguais, torcíamos um pelo outro e comemoramos juntos nosso esforço que, infelizmente, não rendeu a classificação… Mas valeu pela experiência que eu gostaria de repetir em breve…

Mas o antagonismo sempre está presente na vida dos sonhadores, por isso, tive que lutar muito para conquistar espaço e a confiança das pessoas que estiveram presentes nas minhas vitórias e derrotas e esta luta, quase solitária, por uma escola mais humana me rendeu algo que antes julgava ser frescura da cabeça das pessoas: O estresse… Este vilão lento e silencioso que, aos poucos toma conta da vida de quem não se conforma com tudo o que vem de cima… Quisera eu ser apático, obediente, conformado… Mas não sou assim, tenho sangue nas veias e um coração no peito que bate constantemente clamando por dias melhores, por uma atenção maior das autoridades para nossa querida educação pública, por uma união maior de alunos, professores, pais e comunidade…

É claro que, com tantas frustrações, além do estresse, tinha que ter um quadro depressivo… “Você não está bem”: Ouvi esta frase do diretor, da Bruninha, de alguns alunos e professores, de parentes e amigos… Enfim, a gota d’água que me levou ao psiquiatra. O diagnóstico: TAG, Transtorno de ansiedade generalizada… Graças a este antagonista, estou afastado do meu mundo… Por um tempo, preciso cuidar da saúde… Infelizmente o lugar onde eu mais gosto de estar é também aquele que mais afeta para o agravamento do TAG…

Portanto, queridos, não os vejo todos os dias, não temos mais longas conversas sobre tudo que remete ao estudo das linguagens, não cantamos mais em espanhol… Mas os tenho em meu coração passional e, em breve, voltarei renovado… Quero agradecer imensamente cada palavra, cada gesto de apoio que venho recebendo de todos vocês. É por vocês que o “professor maluco” continua vivo…

O vilão do TAG será sepultado junto com todas as frustrações de uma educação que só é prioridade no palanque eleitoral… Afinal, a luta continua e conto com a ajuda de vocês nesta batalha…

Márcio Roberto Goes

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Reticências

 

 

… Alguém já pensou começar um texto assim…? Com reticências?…

Eu já… Aliás, as reticências são uma constante nos meus escritos… Elas são minha salvação quando não consigo concluir uma ideia, quando preciso seguir o pensamento e me faltam palavras, quando tenho a intenção de fazer o leitor continuar pensando e analisando o assunto, ou para ficar bonitinho mesmo… Eu acho que fica… Será?…

A exclamação indica surpresa, admiração, grito, raiva, espanto… Portanto é muito seletiva… Um sinal de pontuação com capacidade limitada. Não me serve para expressar o que sinto agora… Céus!…

A interrogação vem de dentro, do íntimo: Inter-rogar é rogar algo lá do âmago, do fundo dos pensamentos e do coração. É pedir, perguntar, indagar… Também não tem serventia quando a liberdade de expressão se torna uma necessidade maior que a dúvida… Não acha?

Os dois pontos servem só para dizer que, depois deles, haverá uma explicação de algo que já foi citado. Ou seja, é um sinal quase redundante, pleonásmico: algo que expressa uma repetição, intencional, ou não…

Portanto, estes três pontinhos chamados reticências funcionam como um curinga, nos salvando nos momentos mais absurdos e perigosos das produções de texto. Penso que sejam a mais completa expressão do nada e do tudo ao mesmo tempo… E mesmo assim não merecem uma tecla exclusiva: para construí-lo, é necessário digitar três vezes o ponto final…

Penso que as reticências sejam um bom exemplo do que é a vida… Não temos exclusividade no teclado da existência humana, precisamos nos construir a cada dia, buscar e arriscar novas combinações e, quando encontramos a combinação perfeita, devemos aproveitá-la, mas não é um ponto final, nem uma vírgula. Não há tempo para paradas, a não ser com o intuito de rever as combinações e procurar aprimorá-las… Afinal, a vida continua e sempre encontraremos novas reticências que nos farão continuar mesmo quando parecer o fim…

Márcio Roberto Goes

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