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Mês: setembro 2012

Uma meia-água é uma residência. Muitas pessoas vivem assim e nem por isso são menos gente, nem por isso deixam de ter conforto e um lar feliz. Aliás, a felicidade não se mede pelo tamanho da casa, pela qualidade das paredes, forro, ou telhado… Para ser feliz é necessário sê-lo, simples assim, como diria meu amigo Facebook

Pois bem. Estou de casa nova; uma meia-água, com paredes de madeira, carentes de uma reforma já iniciada com minhas próprias mãos, pondo em prática os conhecimentos repassados a mim por um finado carpinteiro que eu chamo de pai… No caminho, obriguei-me a deixar metade dos móveis, visto que não caberiam numa residência de vinte e cinco metros quadrados…

Aprendi que quanto mais coisas temos, menos necessitamos delas, que aquilo que sobra para mim faz falta para outra pessoa e, sobretudo, que a generosidade é a mais importante qualidade dos seres humanos… Fui generoso com muita gente doando os móveis que, aparentemente, me sobraram e muitas pessoas foram extremamente generosas comigo: Ganhei um jogo de cozinha de tamanho proporcional à minha nova casa, o meu ficou na casa antiga para ajudar outra pessoa, tive a ajuda incondicional da companheira para todas as horas, a namorada mais maravilhosa do mundo, minha polaquinha e escritora preferida: a Bruninha que não se importa em arregaçar as mangas, cerrar e pregar comigo… Sofreu até um acidente, acrescentando um coágulo de sangue a seu polegar da mão esquerda por conta de um vento que bateu no prego fazendo-a errar a martelada…

Outras pessoas também foram solícitas doando a mão de obra: O Paulinho que ajudou no assoalho e o Max na retirada de entulhos… Recebi muita ajuda num dos momentos mais importantes da minha vida: Finalmente, a casa própria… Uma meia-água, mas é própria. O meu aluguel “deixou a vida para entrar para a história”*… Agora posso bater no peito e dizer: Este lugar é meu! Devo explorá-lo do jeito que quiser, fazer o que bem entender sem me importar com nenhum locador chato e irritante pedindo meu dinheiro a cada fim de mês… Perdão, leitor! De repente me encarnou o espírito capitalista… Deus que me perdoe!… Na verdade, com exceção de um, não tenho queixa dos proprietários das quatro casas onde morei nestes três anos de aluguel…

Depois de trinta e cinco anos, após perder pai e mãe, um jovem resolve abandonar a casa de seus pais falecidos para que todos os cinco irmãos estejam em igualdade de condições para receber a herança. Inicia-se então um longo processo de inventário e o filho derradeiro fica por três anos pagando aluguel até que a vida lhe proporciona uma oportunidade única de ter a casa própria no bairro Martello escolhido por ele para firmar residência e construir uma vida feliz…

Prazer! Este jovem sou eu e depois de tanto tempo, conquisto o sonho de muitos brasileiros: a casa própria… E não precisei de nenhum programa de financiamento, apesar de acertar o pagamento em suaves prestações… Lembrei-me das olimpíadas da Língua Portuguesa com o tema: “o lugar onde vivo”… Vivo num lugar maravilhoso: vinte e cinco metros quadrados num terreno que fica no maior bairro da cidade, cheio de amores e desamores, tempos e contratempos, qualidades e defeitos inerentes a qualquer outro. Mas é o melhor lugar do mundo, só pelo fato de ser o meu lugar…

*Frase do presidente Getulio Vargas na sua carta de despedida antes do suicídio.

Márcio Roberto Goes

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