Press "Enter" to skip to content

Mês: julho 2012

Abandono

 

Fonte: http://lafora.com.br/2007/12/guerrilha-contra-abandono-de-caes/
Fonte: http://lafora.com.br/2007/12/guerrilha-contra-abandono-de-caes/

 

No Martellão tem muitas subidas e descidas, algumas pavimentadas com asfalto casquinha, outras nem brita… Numa delas, a Silvio Gioppo, principal e mais íngreme, se vê de tudo…

Dia desses, com meu azulão 96, parava eu na padaria para fazer um lanche, meus olhos castanhos, míopes e ceratocônicos não puderam deixar de testemunhar uma cena terrivelmente triste e desumana: Um carro, não me pergunte qual, nem prestei atenção a este detalhe, não lembro cor, marca, nem modelo, subia o morro acelerando tudo, parecendo querer fugir de alguém, ou de uma situação… O motor era bom, subia em alta velocidade sem reclamar…

Logo atrás, um cão, aparentemente sem raça definida, preto com alguns detalhes brancos, parecia bem cuidado de pelos grandes e macios, também corria tudo que podia seguindo o automóvel dos humanos desumanizados… Pela metade do morro suas pernas não aguentaram o tranco, foi diminuindo a velocidade e se distanciando cada vez mais do carro…

Típica cena de abandono de animais. Já tinha visto outras, mas não no meio da civilização… Quem são os seres humanos, chamados racionais, capazes de cometer tamanha crueldade com aquele que é o melhor amigo da humanidade?… Certamente trata-se de um descendente muito distante do homo sapiens que ainda não aprendeu a amar. Pois a vida – qualquer vida – não pode ser medida como se fosse uma mercadoria que, quando perde a utilidade, deve ser descartada… O cachorro é um amigo que continua nos amando, mesmo depois de o furtarmos de sua mãe, prendermos cruelmente numa corrente privando-o da liberdade em nome da nossa… E até maltratando-o quando não faz o que queremos…

O cãozinho ficou lá, como que esperando o retorno daqueles que, cruelmente o entregaram ao acaso… Seus olhos pareciam buscar no horizonte um pingo de consideração por tudo aquilo que foi e que fez na vida das pessoas que o adotaram para depois abandonar…

Pobre cãozinho, mal sabe ele que os seres humanos são assim mesmo: Usam, abusam de outras vidas e, depois que não os serve mais, entregam ao abandono…

 

Márcio Roberto Goes
www.portalcacador.com.br
www.cacador.net

Leave a Comment

Sonhos azuis – Último capítulo

Do fundo do meu coração, agradeço a cada um dos 16000 leitores assíduos deste site e do Portal Caçador que acompanharam cada capítulo desta que é a primeira trama prosaica de um cronista que resolveu dar uma de romancista… Gostei da ideia e, com certeza, teremos um novo romance de folhetim com minha assinatura, em breve… Semana que vem, uma jovem escritora, que além de namorada é uma companheira para todas as horas e compartilha comigo a paixão pela escrita, vai revelar seu talento aqui neste portal com o romance Mariah, de autoria de Bruna Tainara Bialeski que faz uma participação especialíssima neste último capítulo…
Mais uma vez, obrigado por valorizarem minha obra e espero que gostem do final desta trama escrita e revisada com o coração de um sonhador que tentou projetar aqui muitos dos sonhos das pessoas ao seu redor…
Com vocês, o último capítulo!

CAPÍTULO XXIV

Adam não aceitou Iracema em sua casa, preferiu pagar um hotel. E ela, por sua vez, foi parar num prostíbulo, obrigada a vender o corpo para sobreviver… João, naquele mesmo dia, registrou, na delegacia o abandono de lar e trocou as fechaduras das portas externas para garantir que Iracema não entrasse lá enquanto ele não estivesse em casa… Não se sabe de onde garrou coragem para tomar tais atitudes, visto que sempre fora pacato, mas as intempéries da vida ensinam o ser humano a ser duro consigo mesmo em alguns momentos…
Naquela noite, João quase não dormiu… Já fazia uma semana que dormia sozinho, mas a situação agora era diferente, aquela cama parecia ter triplicado o tamanho e a frieza. A solidão não dava tréguas e o travesseiro encharcava com suas lágrimas de dor e indignação… Assim foi durante três noites.
Na sexta-feira pela manhã, ao chegar na escola, João visualiza, vindo ao seu encontro, sua aluna mais querida, com um sorriso terno e protetor atípico de uma jovem de ensino médio… Não se sabe porquê, nosso sonhador presta atenção nos olhos da Roseli:
Bom-dia, querida! Seus olhos são verdes?
Sim, sempre foram, professor…
Outro dia, quando você me esperava no fusca eles estavam azuis. Percebi quando você levantou a cabeça e me abraçou…
Quando eu choro eles ficam azuis…
Interessante! Nunca tinha visto nada parecido…

João não queria admitir, mas sabia que sua aluna estava chorando por causa dele. No fundo, ela sabia que seu professor preferido ia sofrer e, antes de qualquer coisa, Roseli pergunta:

E aí, sua mulher já voltou?
Ex-mulher…
O que houve?
Ela me abandonou. Disse que tem outro…

E os olhos de sua aluna mais querida ficaram azuis, da cor de seus sonhos, da cor do céu, da cor do seu fusquinha e de suas esperanças meio apagadas pelos atropelos que a vida lhe proporcionou nos últimos dias… Os dois se abraçaram, choraram juntos meio sem saber os motivos um do outro para tantas lágrimas. Por alguns minutos, assim ficaram, sem se importar com o mundo ao redor… Chamaram a atenção de todos, mas ninguém conseguiria tirar a atenção de um pelo outro…
Um sentimento muito forte tomou conta do coração de nosso sonhador. Não sabia a razão, mas sentia uma imensa tranquilidade nos braços de sua aluna mais querida. Não queria largá-la. Queria tornar eterno aquele momento. Sua mente e seu coração provaram, ao mesmo tempo uma série de sentimentos contraditórios, mas que o faziam sentir-se bem, de uma maneira que há muito tempo não sentia…
Lá por meados da terceira aula, alguém bate à porta da sala de aula, no meio de uma oração coordenada assindética recém escrita e explicada pelo sonhador de sonhos azuis… Ao abrir a porta, se depara com uma aluna que trazia em mãos um papel manuscrito, devidamente dobrado e lacrado:

Mandaram entregar pra você, professor…
Quem mandou?
Alguém que gosta muito de você.

Não poderia lê-la de imediato. Estava trabalhando. Segurou-a com as duas mãos por um momento, levando-a até o peito e depois guardou-a, cuidadosamente no bolso do jaleco… Já suspeitava o conteúdo e a remetente…

Obrigado! Em casa eu leio…
Ela quer a resposta…
Segunda. Pode ser?
Tá…

Trabalhou o resto da manhã ansioso e, ao meio dia, a primeira coisa que fez ao chegar em casa foi ler, atenciosamente a carta enquanto esquentava o almoço no micro-ondas. Conheceu a letra e as palavras comumente usadas nas produções de texto de sua aluna mais querida no conteúdo daquele manuscrito:

 

*“Hoje vi o meu professor mais querido triste, sem ânimo para nada. Não vi aquele sorriso lindo, nem ouvi sua voz inconfundível. Sei bem que não é um dia bom para você, mas eu precisava que este dia chegasse para te dizer algo muito importante.
Desde a primeira vez que te vi e ouvi, senti meu coração acelerar, não sabia porque, não tinha ideia que o carinho que sentia por você se transformaria nisso: Amor. Na verdade era só paixão, e eu achei que fosse passar. Mas infelizmente, ou felizmente, não passou. Presto atenção em cada gesto seu, cada palavra pronunciada por sua boca. Sua voz é a mais suave que já ouvi, seu abraço é o mais apertado e caloroso, logo se percebe que não é difícil se apaixonar por alguém assim. Ao vê-lo triste e magoado, me senti na obrigação de lhe contar isso, quem sabe um dia eu tenha a chance que sempre esperei de te fazer feliz. Só não havia contado antes, porque você era comprometido, e não queria atrapalhar seu relacionamento. Mas agora, sei que posso ao menos tentar tirar essa dor de dentro do seu coração. Sei que deve ser estranho ouvir isso de uma aluna de primeiro ano de ensino médio, com apenas quinze anos, uma “menina de bosta”. Mas uma menina que jamais faria você passar por isso novamente. João…Você é o homem mais incrível que já conheci. Deve ser por isso que amo tanto você…”
“Não acredito!”… Pensava ele…
Ela sempre escreve textos maravilhosos falando de amor e das coisas do coração – Falava baixinho enquanto lia – Mas nunca pensei que o destinatário fosse eu..

Agora tudo fazia sentido: Os abraços demorados as carícias discretas, os olhares que sempre o buscavam durante as aulas, a preocupação com a vida sentimental de um professor… Mas, apesar de Roseli mexer com seus sentimentos há muito tempo, preferiu ignorar as palavras daquela carta corajosa e reveladora. Foi com o coração doído que disse a ela na segunda-feira:

Não dá!
Mas porquê? Você está livre agora…
Sou professor e você é aluna. Temos que manter a relação profissional. Acho que você está confundindo as coisas. A diferença de idade é muito grande. Haverá sérios conflitos de gerações, vamos nos complicar aqui na escola além de não haver aprovação por parte das pessoas ao nosso redor e das nossas famílias.

 

Roseli não desejaria sua dor a ninguém naquele momento… Seu mundo caíra e parecia que não havia possibilidades de levantar novamente. Estava loucamente apaixonada. Finalmente teve coragem de se revelar e foi duramente rejeitada…
João sabia que estava machucando um coração puro, mas não queria viver o mesmo tormento que teve com Iracema. No entanto, por alguns dias prestou mais atenção na sua aluna mais querida e percebeu que havia uma diferença monstruosa nos pensamentos e atitudes dela comparados com as meninas da mesma idade na escola. A viu com outros olhos. Era uma mulher, linda por dentro e por fora, sempre sorridente, alegrava o ambiente por onde passava, mostrava-se generosa e atenciosa com ele, mesmo depois de tê-la magoado…
Um dia, na primeira aula, João a encontra triste no seu lugar:

O que houve, querida?… Seus olhos estão azuis… Você chorou?…
Ainda pergunta?… Não esperava que fosse assim. Queria que você me desse uma chance de fazê-lo feliz como a outra não fez…

Os olhos cor de mel de nosso sonhador também encheram-se de lágrimas, mas conteve-se antes que elas escorressem para o mundo exterior:

Precisamos conversar – Disse, após recuperar os sentidos – mas tem que ser fora daqui…

Marcaram um encontro no parque central no domingo a tarde… Garoava. Recebeu sua aluna mais querida no fusquinha que os levou até um lugar mais sossegado, onde o amor tomou conta. Um abraço apertado, troca de olhares, palavras sinceras e bonitas… Um sentimento puro e mútuo tomou conta dos dois corações.. E, finalmente, o beijo… Meio tímido, demorado e maravilhoso como nenhum outro na vida de ambos…
Naquele momento, João dos sonhos azuis volta a ser o que era na sua essência: um sonhador… Fita os olhos de sua aluna ainda mais querida e vê renascer do fundo do seu baú de sonhos azuis aquele jovem sonhador que há muito tempo esteve adormecido para a vida… E volta a sorrir… E volta a viver… E volta a sonhar… Sonhos azuis da cor do céu, da cor de seu fusquinha, da cor do amor… Sonhos azuis…

 

* Trecho da obra de Bruna Tainara Bialeski

 

 

FIM

Leave a Comment

Dor filosófica

Um bom professor deve estar sempre ao lado de seus alunos… Um bom professor o é dentro e fora de sala de aula, não faz distinção de cor, sexo, idade, raça… Um bom professor é, como diz a canção “A chave de toda conquista”…

Esforço-me a cada dia para ser este bom professor… Esforço-me diuturnamente para não decepcionar meus queridos e amados alunos, tanto no quesito formação pessoal, como na humildade, pois um professor, apesar de seus títulos, não passa de mais um ser humano limitado diante dos seus alunos…

Às vezes aprendemos muito mais do que ensinamos com os estudantes e com qualquer pessoa que nos rodeia. Queremos ser mestres para os outros, mas constantemente deixamos de ser mestres para nós mesmos e raramente permitimos que os outros nos ensinem os diferentes saberes da vida…

Acreditando no trabalho com seres humanos sedentos de saber, organizamos uma caminhada de nove quilômetros até a comunidade do Castelhano. Não muita gente: eu e mais quatro alunos nos dignamos a acordar às cinco da manhã, no feriado de Corpus Christi, encostar o carro e partir com a força dos pés que caminharam sobre um chão com temperatura negativa durante quase duas horas…

No caminho, muitos flagrantes de atentado à sustentabilidade: garrafas pet, plásticos de toda espécie, metais, tudo perfeitamente reciclável, jogado de forma relapsa às margens da rodovia. Uma lição negativa de que a sustentabilidade ainda parece uma teoria para um mundo que já está vivendo, na prática, as consequências das atitudes antiecológicas de nossos antepassados…

A caminhada foi tranquila, arriscamos até um pouco de corrida… O mais arcaico presente era eu, portanto, o mais vulnerável aos efeitos do amarelão na certidão de nascimento… Passaram-se dois dias e fomos, a mesma equipe, cantar na Rádio Caçanjurê. Muita gente ouviu, muita gente gostou, muita gente nem tanto. Mas o importante é que estávamos lá abrindo o gogó para milhares de pessoas, apesar de trancados num estúdio com isolamento acústico… Cantamos tranquilamente, voltamos felizes com o estrelato fugaz que nos traz motivação para continuar a caminhada e acreditar em nossos talentos…

Os alunos deixaram o professor passional e andarilho cheio de orgulho… O professor fez seus educandos acreditarem que ele também é gente, imperfeito, desafinado, cheio de defeitos, mas esforçado o suficiente para ter coragem de soltar a voz ao vivo abraçado ao violão sem medo de mostrar o pouco que sabe e compartilhar com quem quer que aprecie suas artes…

Manhã de domingo. Ao acordar, tento levantar-me da cama normalmente. Impossível! De repente, uma dor insuportável nas costas… O que é isso? Dormi bem e acordei um trapo… Meu Deus… O que fazer agora?… Pra quem mora sozinho, nestes momentos é melhor suportar a dor e vencê-la, do contrário o sofrimento será muito maior e mais solitário… Todos os meus movimentos, a partir daquele momento, deveriam ser friamente calculados, pois se houvesse um erro seria muito sofrido repeti-lo… Mais tarde, em consulta ao médico de plantão, depois de duas horas e meia esperando acompanhado pela namorada mais maravilhosa do mundo, ouvi o diagnóstico do plantonista: Foi a caminhada… E a dor só apareceu três dias depois… São coisas que o tempo se encarrega de nos apresentar: a cada instante, uma nova dor e uma situação nova para enfrentá-la: Fatos que só acontecem para quem está vivo…

À noite, já no conforto do meu lar, converso, por MSN, com um grande amigo meu, cadeirante que não tem domínio sobre os próprios movimentos por conta de uma paralisia cerebral que sofreu durante o parto, portanto ele também não fala. Só consegue se comunicar através da linguagem escrita, mesmo assim de forma demorada e muito sofrida… A ele me queixo das dores nas costas… Ele me conforta dizendo que logo passa…

Mas o que foi que eu fiz?… Queixar-me de dores nas costas para alguém nesta situação é até um pecado… Naquele momento, senti uma vergonha imensa de mim mesmo, como nunca sentira antes… Quem sou eu para me queixar de dores causadas por uma longa caminhada?… Devo agradecer pelo fato de ter saúde o suficiente para percorrer o trajeto tranquilamente e só sentir dores três dias depois…

Lembrei do meu amigo Gabriel e tantos outros conhecidos que têm suas limitações, vencem barreiras, preconceitos e limites com um sorriso nos lábios e uma gigantesca força de vontade no coração… Recordei-me de todas as pessoas imperfeitas dentro de sua perfeição, que passam todos os dias pela minha vida… Percebi, sobretudo, que também sou limitado, tenho deficiências e, nem por isso me torno um ser humano incompleto… Preciso de óculos para enxergar um mundo de cores e formas que, muita gente vê perfeitamente a olho nu, mas conheço muitas pessoas que não enxergam o mesmo mundo nem com auxílio de lentes corretivas e, nem por isso deixam de ser felizes aguçando os outros sentidos…

Não são nossas limitações que nos tornam imperfeitos e sim a maneira como as encaramos… Enquanto a queixa diária for uma constante, estaremos reforçando o problema e nos distanciando da sua solução…

Então, tudo o que eu preciso é fazer o tratamento medicamentoso com disciplina, levantar a cabeça e seguir em frente com ou sem dores… Afinal, a dor nada mais é que um sinal alerta nos mostrando o quanto somos vulneráveis às imperfeições que, por muitas vezes discriminamos em nossos semelhantes… Quando os seres humanos reconhecerem estas imperfeições e acreditarem-se mais iguais e menos superiores, quem sabe teremos um mundo mais igualitário com justiça e dignidade para todos…

 

Márcio Roberto Goes
www.portalcacador.com.br
www.cacador.net

1 Comment

O TRISTE FIM DE UMA SOMBRINHA

Texto de Márcio Roberto Goes que compõe a antologia Fantasiando, Página 79

 

Era uma vez, uma sombrinha, dessas que a gente compra em qualquer loja de um real. Uma sombrinha “made in Taiwan” azul estampada com lindas rosas amarelas, pequena a ponto de fechada caber na bolsa e grande a ponto de aberta servir de proteção contra o sol ou a chuva. Uma sombrinha bonita, mas simples… tão simples que chega a ser frágil, de uma fragilidade tão grande que tem até medo de ir à escola, tanto é que só frequenta as aulas nos dias de chuva.
Foi num desses dias de chuva que ela preparou-se para ir à aula: seu lugar já estava reservado na bolsa, envolvida numa sacola amarela de supermercado, ao lado do estojo em forma de guaxinim, também made in Taiwan, com dois zíperes: um para lápis, caneta, borracha e apontador; outro para o corretivo e o celular que é a ferramenta básica dos alunos na escola moderna, destinado a tocar justamente no ápice daquele problema matemático envolvendo álgebra, no meio do segundo argumento daquela brilhante e agradabilíssima dissertação argumentativa, ou no terceiro elemento dos não-metais da tabela periódica, mais conhecida do que a “Salve Rainha”, porém, mais difícil do que contar estrelas ao meio dia. Junto com a sombrinha e o guaxinim, transporta-se um caderno universitário com Tiago Lacerda na capa, adesivos que dizem tudo mas não falam nada na contracapa e no seu interior, entre uma matéria e outra, o autógrafo dos “amigos” com recados simpáticos que arrancam suspiros da menina apaixonada… Tudo isso, dividindo espaço com os trabalhos de biologia e química a serem entregues e ainda por terminar, o rascunho da cola da prova de português, além de um CD do Luan Santana… Uma bolsa típica de uma adolescente de 1º ano de ensino médio.
Porém, nossa protagonista fica por pouco tempo nesse ambiente agradável e caloroso, logo ela é aberta para proteger alguém da chuva. No caminho, retém a água e a joga para os lados com aquela classe que só os “guardachuváceos” sabem fazer, sem deixar cair nenhum pingo na jovem estudante. Ao chegar à escola, está molhada demais para voltar a fazer companhia ao guaxinim e ao Tiago Lacerda. Continua aberta, desta vez parada na última carteira da fila da parede.
No entanto, seu sossego dura pouco: chega a professora de português, decidida há apenas duas semanas a aplicar prova naquela turma, naquele dia, naquela hora, e incomoda-se com a presença daquela sombrinha. É necessário fechá-la para aproveitar melhor o espaço da sala, contudo foi fechada com tamanha agressividade que chegou a quebrar (até hoje ninguém provou, mas como o objeto apareceu quebrado, a professora deve ser condenada).
Por fim, lá está ela, pobre sombrinha… destruída, dilacerada, estraçalhada… tão inútil quanto o boné do colega ao lado, o chicle de bola da menina da frente ou o piercing adolescente e rebelde da fila da janela… Nunca mais encontrar-se-á novamente com o guaxinim ou com o Tiago Lacerda, nunca mais ouvirá “Ai se eu te pego” no celular a seu lado… Sombrinha miserável, agora não passa de um monte de arames com um tecido florido que cheira queijo vencido.
Toda a turma se comove a ponto de clamar por justiça e acusam a professora, tendo como advogada a mãe da aluna dona da falecida sombrinha. Justiça seja feita! Não podemos permitir que professoras malucas continuem destruindo sombrinhas made in Taiwan por aí, à luz do dia sem que haja uma punição severa e exemplar.
Ao final da aula sobram apenas papéis no chão, chiclete por baixo das carteiras e em cima desenhos altamente artísticos, pano, vassoura, balde e uma servente que despreocupadamente joga a sombrinha para a sua derradeira morada: o lixo… A essas alturas, pela lógica dos fatos, posso até visualizar, no lixeiro uma coroa de flores com a seguinte frase escrita em letras douradas numa faixa roxa:
Aqui jaz uma sombrinha azul estampada com lindas rosas amarelas. Eternas saudades.
Assinado: O Guaxinim.
Márcio Roberto Goes
Com profundas condolências.

Leave a Comment

Projeto integração interescolar

Ha cerca de um mês a escola Estadual Wanda Krieger Gomes está realizando o projeto integração, envolvendo as quatro escolas municipais do bairro Martello: Morada do Sol, Maria Luiza Barbosa, Esperança e Hilda Granemann de Souza, nas dependências do CAIC.

Primeiramente, os alunos e professores dos primeiros anos do ensino médio

integral da escola Wanda Krieger Giomes fizeram uma visita às demais escolas a fim de realizar um diagnóstico, conhecerem as turmas de quartos e quintos anos e conversarem com seus respectivos professores sobre a dinâmica dos trabalhos e propostas de assuntos a serem abordados pelos jovens do ensino médio integral com as crianças do ensino fundamental…

Após, retornaram para sala de aula a fim de preparar o regresso às escolas municipais e, nesta

semana, estão realizando a integração.


Segundo a avaliação dos professores envolvidos, o trabalho tem sido de grande valia tanto para os adolescentes de ensino médio, como para as crianças das escolas visitadas. Todos os trabalhos t

ranscorreram na mais perfeita normalidade com aceitação altamente positiva dos alunos e comunidade…
Neste dia 13, sexta-feira, o encerramento será nas dependências da EEEB Wanda Krieger Gomes com dois momentos de socialização dos trabalhos: às 10h.00min e às 15h.00min. Neste ato, os alunos das quatro turmas de ensino médio integral envolvidas estarão mostrando um pouco dos trabalhos realizados, já que cada turma visitou uma escola diferente, portanto se fez necessário um momento de socialização para que haja maior interação entre os trabalhos desenvolvidos e se faça as devidas avaliações por parte dos professores que coordenaram o projeto…

 


Leave a Comment