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Mês: maio 2012

Escritor visita escola de Taquara Verde

Neste dia 31 de maio, a partir das 14h, o escritor e professor caçadorense, Márcio Goes estará fazendo uma visita à Escola Thomás Gonçalves Padilha no distrito de Taquara verde, proferindo uma palestra sobre sua obra, com ênfase na crônica, gênero contemplado, numa das categorias das olimpíadas da Língua POrtuguesa 2012. Acompanham-no três alunos da Escola Wanda Krieger Gomes, onde leciona no bairro Martello para troca de experiências…
Esta é a primeira de várias visitas do escritor abordando este tema. já estão previstas visitas na escola Graciosa Copetti Pereira, Alcides Tombini, E Hilda Granneman de Souza (CAIC)…

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Sonhos Azuis – CAPÍTULO XIX

Numa segunda-feira de meados do mês de outubro, Adam como sempre, entra na revendedora ainda cedo cheio de galanteios para o lado de Iracema:

Como passou a noite, meu amor?

Por favor! Precisamos maneirar… Estamos dando muito na vista. Meu marido está desconfiando…

Aquele professorzinho tolo… Desconfiado?… Não acredito! Ele é mais burro do que uma porta!

Olha como fala do meu marido!

Desculpe, queridinha! Não quero ser responsável por um rompimento entre os dois pombinhos que se amam…

Tudo bem! Precisamos ter mais cuidado… Só isso!

Isso quer dizer o quê?

Que não podemos mais fazer hora extra… Que não podemos mais, de repente fechar as portas e as cortinas do estabelecimento para fazer amor… Que não consigo mais arranjar desculpas para nos encontrarmos no final de semana… Chegará um dia que esta situação ficará insuportável…

Como faço para te ver, então?

De vez em quando, podemos deixar teu irmão cuidando da loja para sairmos. O que acha?…

Meu irmão não trabalharia comigo… Mas de vez em quando é possível…

No início da tarde, o empresário safado e corrupto, chega a Iracema com uma ideia ousada:

Já sei!… Vamos viajar…

Você pirou de vez… E o João não vai desconfiar?… Ele é burro, mas nem tanto!…

Claro que não! Para todos os efeitos, você viajará sozinha até a capital para um curso de vendas oferecido pela empresa.

Não cola! Ele sabe que esta é uma microempresa e não tem como bancar cursos fora da cidade para seus funcionários…

Vá para casa arrumar suas coisas que no fim da tarde vamos viajar…

Quem cuida da loja?…

Meu irmão!…

E se meu marido aparecer por aqui?…

Meu irmão dirá que eu dei uma saída…

E se ele quiser esperar?…

Meu maninho querido dirá que eu vou demorar…

Não sei não!

Por favor!… é nossa única chance de ficarmos juntos por uns dias, sem preocupação com outros problemas.

Não pode ser semana que vem?

Então, amanhã… Bem cedo!

Tudo bem! Espero não me arrepender disso…

Não se arrependerá!…
João foi buscá-la no trabalho naquele dia. Sentia o coração apertado… Parece que previa cada minuto de seu sofrimento futuro… Não sabia explicar, mas estava sentindo uma agonia que corroía seu peito… Estacionou seu Celestino em frente a revendedora e entrou… Percebeu algo estranho no Adam e na Iracema, mas manifestou com o silêncio de sempre. Ainda na porta, ouviu Adam:

Boa tarde, João. Preciso que você libere Iracema para fazer uma viagem até a capital para fazer um curso de vendas.

Para quando?

Ela vai amanhã e volta em uma semana…

Uma semana?…

Sim!

Por que não avisaram antes?

Recebemos o email agora… É importante mandarmos um representante para que nossa empresa ganhe prestígio e melhores negócios com as concessionárias… Além de render um aumento de salário para sua esposa…

Bem… Se é para o bem dela e se ela quiser.. Quem sou eu para contrariar?… Às vezes eu também faço cursos fora da cidade e ela não reclama…
Passaram parte da noite arrumando as bagagens da índia linda e safada… O coração de nosso sonhador permanecia angustiado, porém o silêncio continuava sendo sua maior reação… Estava sonhando… Não queria acordar… Estava vivendo… Não queria desfalecer novamente na solidão, ainda que isso lhe custasse aquela humilhação que todas as evidências apontavam, porém seu coração permanecia imperceptível, ou tentando ser indiferente…

O restante da noite foi extremamente longa… Sua mente alimentava pensamentos nada agradáveis… Por que esta viagem agora?… Porque justamente a sua querida esposa?… Porque não vai o próprio Adam que é o dono do capital?… O que seria de sua mulher longe dele?… O que seria dele longe dela?… Algumas vezes ele precisou viajar para estudar, mas agora era diferente: Ele fica e ela vai… Nunca havia passado por esta situação… Por um instante, arrependeu-se de tê-la liberado, mas agora já havia dado sua palavra… Além do mais, seu profundo senso de justiça percebia naquela situação a oportunidade de provar que em seu casamento ambos têm direitos e deveres iguais, sem machismos ou feminismos…

Naquela noite, João dos sonhos azuis teve de tudo, menos sonhos…

 

 

 

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Sonhos azuis – CAPÍTULO XVIII

 

No começo tudo é algodão doce, depois, com a convivência, começam as desavenças. Um conhece os segredos, as qualidades, os defeitos e, por consequência, os pontos fracos do outro…

Num domingo, João descontraído assistia ao Esquenta na rede Globo: Regina Casé chamou umas mulatas para mostrarem samba no pé, em trajes menores, aqueles usuais das escolas de samba. Como já assistia ao programa, não teve nenhuma reação, continuou fitando a telinha da poderosa do “Plim! Plim!”, sem maiores preocupações… Reação de verdade teve a Iracema quando adentrou a sala e viu seu marido olhando aquilo na televisão:
Quer dizer que você assiste a este programa só para ver essas muié pelada?

João conteve sua ira súbita, própria de quem leva a fama sem merecer e respondeu educadamente:
Não meu amor, estou já há algum tempo assistindo TV…

Ela continuou reclamando. O jeito foi mudar de canal…

O que está acontecendo? – Pensava nosso sonhador de sonhos azuis – Não era assim há algum tempo…

Parecia que estava tudo bem, que seriam um casal perfeito, sem brigas, desavenças e controvérsias. Mas o tempo, ainda que curto prova mutas coisas aos seres humanos apaixonados, inclusive o fato de as paixões serem passageiras… Feliz de quem consegue substituir a paixão pelo amor…

Já não pareciam tão felizes nossos pombinhos dos sonhos azuis… Ao saírem de carro, Iracema cuidava cada olhar do João quando parava nas esquinas… Ele olhava para a direita, olhava para a esquerda e, se passasse uma mulher bonita, mesmo que ele não olhasse com segundas intenções, estava feita a encrenca. Iracema não esquecia o fato por muito tempo… A primeira dama dos sonhos azuis desconfiava de tudo o que se relacionava ao seu marido. Nos pensamentos de Cema, quando ele se vestia bem, era para ver uma suposta amante, se precisava sair sem ela, estava evitando. Se era educado com suas amigas, estava dando mole… João esquecera então o que era dar um abraço apertado em alguém que não fosse sua mulher… Mudou o jeito de se vestir, começou a controlar as palavras, já não se divertia mais na presença dos amigos, não contava piadas, não cantava… Seus sonhos azuis foram escurecendo, tudo pela sua amada que lhe controlava os horários, o perfume, a hora de ver TV, ou navegar na Internet… Quando ele se demorava no computador, sua mulher já queria justificativas, quando se atrasava um pouco para voltar do trabalho, a desconfiança se fazia presente…

Ele tentava ser agradável com as pessoas, cumprimentá-las despreocupadamente nas ruas, buzinar para os conhecidos, sorrir e abraçar ao encontrar-se com grandes amigos, mas tudo ia acontecendo com uma frequência e intensidade cada vez menores, em prol de uma tentativa para manter um casamento feliz…

Apesar de tudo, mantinha-se fiel a sua moreníssima de olhos negros, recusava os assédios e se afastava de mulheres que pudessem revelar qualquer intenção que despertasse desconfiança de sua amada…

João era outra pessoa: Sorria diferente, falava diferente, caminhava diferente, se vestia diferente… Tudo minunciosamente fiscalizado pela sua índia amada e idolatrada…

Mas o casamento se mantinha intacto, em nome da moral e dos bons costumes…
www.marciogoes.com.br
www.portalcacador.com.br

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Sonhos Azuis – CAPÍTULO XVII

 

Bom-dia, Iracema!

Bom-dia, Adam!… Sabe que até foi uma boa ideia você me convocar para trabalhar durante minha licença. Assim não preciso passar muito tempo naquela casa monótona…

Ué? Já está cansando da vida de casada?… Hoje ainda é segunda-feira, apenas dois dias depois do seu casamento! Aliás, você estava linda!…

Obrigado!… Depois que te conheci, qualquer outro homem se torna cansativo…

Cuidado! Não me tente!…
Adam aproxima-se com intensão de abraçá-la e roubar-lhe um beijo, A moreninha safada desvia o rosto:
Só porque casou, não quer mais me beijar?

Agora não dá… É muto arriscado… Alguém pode entrar e nos surpreender.

Está a fim de fazer umas horas extras hoje?

Não! Estou de licença… Lembra? É melhor nos cuidarmos um pouco por uns dias.

Acho que não vou aguentar esperar muito tempo!…
Assim falando, Adam fecha a porta do escritório e todas as cortinas,para preparar o ninho da sacanagem ali mesmo no local de trabalho…

Nosso João dos chifres azuis dorme até tarde naquele dia… Ao contrário de Iracema, o seu marido gozou os oito dias de licença garantidos a um funcionário público… Passa o restinho da manhã vistoriando e guardando alguns presentes de casamento que ainda estavam embrulhados. Prepara um almoço especial para seu amorzinho que chegaria faminta do trabalho: “Pobre Iracema – Pensava ele – Nem mesmo casando consegue folgar daquele trabalho quase escravo da revendedora…”

Enquanto cozinha, recorda, como num flashback, alguns dos momentos vividos com sua amada Iracema… A primeira vez que a viu, tímida, na revendedora… O primeiro encontro… O primeiro beijo… a primeira vez que fizeram amor a bordo do fusquinha da cor de seus sonhos… O noivado… A convivência… O casamento…

De repente, lembra-se do acontecido na lua de mel. A pergunta inquietante permanecia em sua mente: “Como é que ela já conhecia o motel?”… Será que ele tinha sido traído pelo grande amor de sua vida?… Na certa ela havia estado lá antes de o conhecer… É uma hipótese… Como saber? Só perguntando. Foi o que fez, durante o almoço, criou coragem e perguntou para sua amada:
Você já conhecia aquele motel em que passamos a noite de núpcias?

Não! Porque essa pergunta agora?

Não lembra do comentário que você fez na entrada?
Iracema estava ciente de que havia falado demais, mas fingiu que não lembrou:
Não! O que foi que eu disse?

Você disse que os quartos daquele motel eram ruinzinhos demais, por isso deveríamos escolher uma suíte… lembra agora?
A morena dos olhos negros buscava uma saída para aquela situação:
Mas em todo motel a suíte é melhor que o quarto… Aliás, em qualquer lugar uma suíte é melhor que um quarto… Pelo menos eu acho que sim…

Você falou com a convicção de quem já conhecia o lugar…

Por que isso agora?… Nós sempre nos demos tão bem!… Vai começar a complicar agora que estamos casados?
João calou-se, mas seus sentimentos não poderiam jamais esquecer aquele pequeno detalhe. Depois que percebeu o comportamento contrastante da Iracema, suas suspeitas voltaram com mais forças: “Essa mulher tá me traindo” – pensava ele enquanto terminava seu almoço…

A tarde foi levá-la para o trabalho e ficou observando de longe qualquer atitude suspeita… após meia hora de espera, sem ver nenhum movimento estranho, volta para casa cuidar da baixela. No final do expediente, vai buscá-la calado, porém desconfiado… Por muito tempo, nosso sonhador guardou este sentimento, quase imperceptível por sua esposa e, às vezes repetia os mesmos questionamentos, buscando uma confissão forçada da traição. Quase sempre terminava em discussão… Quase sempre, quem cedia era o João…

Pobre sonhador de sonhos azuis… Não sabia que seu anjinho moreno dos olhos negros, da cor de seus pesadelos havia desenterrado seu passado e seria ele a próxima vítima descartável das suas garras… Estava cego de amor… Seus olhos percebiam todas as evidências, mas seu coração se negava a aceitar… Estava vivendo um sonho, não queria torná-lo um pesadelo… não queria despertar para a realidade… Mesmo inconscientemente ele escolhia o conformismo: Era mais cômodo, evitava novos e maiores atritos entre um jovem casal…

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Talentos da Escola – Douglas Alves

Minha Historia de Amor

 

(Para Gabrielle Chostak)

Te conheci na escola e la, já se revelou um sentimento que após um certo tempo, tomou conta de mim.

No tempo em questão era um sentimento bobo, um sentimento de criança, você não me dava bola, nunca me deu razão para levar esse pequeno sentimento à frente. Um dia tomei coragem e resolvi ir até sua casa para ver se conseguia, ao menos, um beijo seu. Não consegui. Dias depois seus pais vieram até minha casa tomar satisfação. Perguntaram a mim, porque fui até lá, disse que fui porque gostava de você, e na presença de nossos pais falei que queria te namorar. Seus pais, na hora, já falaram não, porque éramos apenas crianças e que eu poderia te namorar só quando estivéssemos mais velhos…

Três anos se passaram e eu, caminhando com alguns amigos, te encontrei e um deles, sem saber que eu já a conhecia pediu a você se queria ficar com ele. Você não quis, então em um gesto de coragem também lhe pedi o mesmo, você falou que não podia, mas eu insisti e me coloquei a sua frente e ali demos nosso primeiro beijo…

Depois disso não a vi mais…

Meses depois, começaram as aulas. Sabendo que você iria estudar na mesma escola que eu, já fui pensando em você. Ao ver você chegar lá, despertou em mim, aquilo que havia sentido por você tempos atrás. Só que foi diferente: o sentimento veio mais forte, no começo uma paixão, coisa que achei que iria dar e passar, eu estava errado. Por quê? Porque dessa vez não passou. Novamente pedi para ficar com você, novamente você não quis e eu, como não desisto fácil, continuei a tentar e tentar mas não queria mais só um beijo, agora queria o seu amor…

Demorou muito tempo pra conseguir conquistar você, mas mesmo assim não desisti. Confesso que muitas vezes me decepcionei com o que ouvi de você, mais já era tarde, aquele sentimento de criança tinha virado paixão, da paixão se tornou um grande amor, você ainda não querendo ter nada comigo chegou e falou. – Isso não irá acontecer eu gosto de outra pessoa. Foi a primeira vez…

Primeira vez que chorei por você, não chorei de raiva, chorei porque estava triste, chorei por naquele momento ter um amor não correspondido. Depois disso, eu só andava triste sem ânimo pra nada, você acabou percebendo isto, e resolveu me dar essa chance. Ai que aconteceu nosso segundo beijo. Nós dois estávamos com a boca seca, sem saber se seria apenas mais um beijo entre tantos que já havíamos dado.

Depois disso começamos a “ficar”. Não era nada sério, mas pra mim, já estava de bom tamanho. Um dia achei que tudo iria acabar, vi que você não estava tão envolvida nisso quanto eu, então, enquanto me afogava em pranto perguntando a Deus porque não foi como eu quis, um lindo amor entre duas pessoas, mas logo depois, você se deu conta de que havia perdido um grande amor.

Depois de tudo isso, aí começamos a namorar, percebi que ainda você não me amava tanto quanto eu a amo, mas, poucos dias depois, deu-se conta de que era isso o que queria e que estava ao lado da pessoa que ama. Hoje estamos juntos, dois meses e meio de namoro, após esse tempo que estou ao seu lado, vejo que minha vida não teria o mesmo sentido sem você comigo e que não sei… não sei mais viver sem você.

 

 Douglas Alves.

1º ano 03 – Ensino médio integral
EEEB Wanda Krieger Gomes
Professor orientador: Márcio Roberto Goes
Caçador, SC

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