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Mês: junho 2011

Matemática do Colombo

Sou professor da rede pública estadual, leciono Língua Portuguesa e
Literatura, pós-graduado. Ainda assim não domino tudo o que diz
respeito à nossa querida Língua, quem dirá alguns conceitos de
matemática. Desta, sei somente o necessário para sobreviver num
mundo onde tudo é cálculo…

Sou um semi-analfabeto matemático assumido, tenho que pensar muito para
resolver uma regra de três, às vezes me pego contando nos dedos nas
operações simples e a álgebra então, continua sendo uma incógnita
em minha vida…

Mas, apesar de tudo, me viro muito bem, dificilmente deixo passar um troco
errado no supermercado, na hora de fechar as médias bimestrais
também não me apuro…

Meu cérebro de memória pouco numérica, porém não entende a
matemática do governo do estado de Santa Catarina: Ele diz não ter
dinheiro o suficiente para pagar o piso salarial do magistério de
acordo com a lei federal e, bem sabemos, nós pagadores de impostos
que estamos diante de uma grande mentira, pois a verba do FUNDEB
existe, mas na minha conta corrente é que não está, sessenta por
cento é destinada aos honorários dos profissionais da educação,
os outros quarenta por cento são para manutenção: Não vejo nem
bons salários, nem boas manutenções pelas escolas onde passo…

Aí o “Colombinho” vem a público dizendo que vai incorporar prêmio
educar, jubilar, abono disso e daquilo para chegar ao valor do piso,
o que, nas minhas contas de matemático meia-boca acaba resultando em
perdas salariais, apesar do salário base aumentar de forma
vergonhosa e estratégica para confundir o cérebro dos menos
atentos…

O vivente fala que vai pagar o piso só para os iniciantes,
desmerecendo toda a carreira dedicada à escola pública dos demais
trabalhadores, depois mostra uma tabela atrás da outra mudando um
número aqui, um algarismo lá, uma porcentagem acolá… Coloca no
base, tira da regência, que aliás é direito adquirido… promete
recuperar a regência ano que vem… Conversa mole que não o deixa
investir mais do que os vinte e dois milhões mensais que diz ter
disponível…

Peraí! E o resto do dinheiro arrecadado pelos nossos impostos sofrivelmente
pagos em tudo o que compramos?… Conferi minha conta no BB e lá,
infelizmente também não está. Mas alguém deve ter visto esse
dinheiro e não quer nos contar… Deve ser muito ocupado para não
perceber que está lidando com o dinheiro do povo e que este deveria
retornar a ele na saúde e na educação, entre outros…

Isso acontece há quase uma década e ninguém percebe, só o governo
federal que negou ajuda: É claro, pois nosso estado tem uma das
maiores arrecadações do país, porque precisaria ajuda do
planalto?… É como um mendigo sair pelas ruas pedindo esmola de
carro zero… Nossos gestores estaduais dizem não ter dinheiro, mas
nunca baixam sua qualidade de vida, continuam com os mesmos
benefícios e regalias de sempre, rindo dos professores que se
obrigam a sobreviver com um salário cada vez mais defasado, um vale
alimentação muito menor que de outros funcionários públicos
estaduais  (Será que eles comem maisque nós?) e um monte de
penduricalhos que agora querem chamar de salário base, tentando nos
fazer acreditar que teremos aumento salarial…

Posso estar errado, por isso consultei uma colega professora de matemática
para que ela me explicasse como é que funcionam os cálculos dessas
gravatas fétidas eleitas por nós… Eis a resposta dela:

Quanto é cinco mais cinco?… Dez!… Quatro mais seis?… Dez!… Sete mais
três?… Dez!… Oito mais dois?… Dez, é claro!… Pois bem, esta
é a matemática do Colombo… Vira e mexe, é a mesma coisa…

Márcio Roberto Goes

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