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Mês: agosto 2010

Carta resposta do eleitor

Fonte: brejonewsnoticias.blogspot.com
Fonte: brejonewsnoticias.blogspot.com

 

Senhor candidato:

Hoje, num acaso do destino, vi aquela foto que você pagou mil e duzentos reais para publicar na capa do jornal e imediatamente lembrei que lhe devo profundos agradecimentos por tudo o que tem feito por mim e por minha família… Não quero que pense que sou ingrato com sua generosa pessoa, mas existem alguns pontos a destacar no que diz respeito às suas praticas eleitorais:

Aquela cesta básica que apareceu ocasionalmente em minha varanda na calada da noite anterior ao dia das eleições, acompanhada do seu “santinho”, foi muito útil para matar nossa fome por alguns dias, porém, vejo que, nestes quatro anos, vossa senhoria não tem feito nada em favor de outros tantos famintos de nossa região a espera de uma providência que vise a solução definitiva de um problema coletivo… Penso que minha família vale muito mais que alguns quilos de alimento e me pareceu um desaforo trocar nosso voto por comida não-perecível que faz perecer nossa moral e ética…

Da mesma forma, agradeço aquela nota de cem reais entregue a um familiar meu por um de seus cabos eleitorais, anexada à “colinha” com seu número, porém lamento dizer-lhe que durou pouco e não teve muita serventia, como acontece com tudo o que é sujo e ilegal. Esse dinheiro poderia ser melhor usado por vossa senhoria, já que suas promessas eram mirabolantes e creio piamente não ter sido o único favorecido com tamanha generosidade…

Ah!… Quase ia me esquecendo da ordem de combustível daquele posto, cujo dono também é do seu partido, ajudando a manchar ainda mais aquela sigla. Foi muito útil, pude rodar vários quilômetros, porém, pesquisei seu passado e não encontrei lá nenhum projeto da vossa pessoa em favor de um transporte público de qualidade e acessível aos trabalhadores menos abastados…

Recordo-me também das tantas obras faraônicas e vazias, das quais o senhor tanto se gaba e diz que “fez isso e fez aquilo”, desmerecendo os trabalhadores que deram seu suor para que a edificação fosse erguida… Porém, percebo que tais ações não passam de vitrines eleitorais, pois o material utilizado é de péssima qualidade e as obras, apesar de recentes, encontram-se com sérios problemas estruturais, além do mais, quase todas as empreiteiras envolvidas superfaturaram a obra e, mesmo assim, faliram vergonhosamente. Confesso que minha inteligência miserável deste cérebro de proletariado não foi suficiente para entender tal relação de negócios…

Agora, você visita novamente minha casa, dá tapinhas em minhas costas, pega minhas crianças no colo, gruda em meu peito um boton com sua foto editada por algum programa usado por algum marqueteiro e pede, descaradamente o meu voto de novo.

Infelizmente, preciso ser sincero com vossa excelência: Você não terá a honra do meu voto novamente, também não vou aceitar seus agradinhos e gentilezas. Tudo isso em nome de minha dignidade, pois sou um ser humano e mereço ser tratado como tal. Não sou mercadoria que se compra ou se vende em troca de benefícios momentâneos. Tenho valor muito maior que uma cesta básica ou uma ordem de combustível. Preciso, ou melhor, todos nós precisamos de um retorno muito maior para o nosso voto. Queremos propostas para solucionar os problemas sociais criados por este capitalismo selvagem defendido por toda a sua equipe. Estamos cansados desta política suja que só fortalece quem já é forte e o povo continua esquecido. Sua compra de votos só vai criar mais problemas para nós, pra você e, principalmente para nossa Pátria amada, mãe gentil.

Perdi, totalmente minha confiança na vossa pessoa e você perdeu, para sempre, o meu voto, pois nestes quatro anos aprendi o verdadeiro significado de algumas palavras como: corrupção, ética e dignidade…

Mil perdões, senhor candidato!

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Equipe de mudança

Fonte: www.educacional.com.br
Fonte: www.educacional.com.br

 

Sabemos, o professor que é realmente educador, obriga-se a aprender de tudo um pouco e exerce várias profissões dentro da educação. Tem professor que é psicólogo, marceneiro, contorcionista (para poder se virar com o pouco material dispensado à escola pública), palhaço (tentando chamar a atenção de um público, muitas vezes, desinteressado com aquilo que quer e precisa mostrar) e o mais frequente: artista… Essa é uma característica inerente a quase todos os educadores, pois um professor de verdade, precisa ser criativo e usar de todas as artes para fazer da escola um ambiente agradável…

Fora da escola também encontramos vários educadores que exercem os mais diversos tipos de profissão secundária, ou “bico” mesmo para ajudar no orçamento: Vendedor de artigos importados (muamba mesmo), produtos de limpeza e de beleza, produtor de áudio, artesão, montador de móveis, fotógrafo, e tantos outros ofícios dignos de quem estudou para ser mestre, mas é remunerado com aprendiz e quase sempre está na última opção dos gestores públicos no que tange a valorização profissional e remuneração…

Mas o Wandão até nisso inovou totalmente. Temos uma equipe de mudança. Quando sabemos de um colega, amigo, ou conhecido que está prestes a mudar de endereço, lá estamos nós, prontos a ajudar despretensiosamente e gratuitamente, só pelo prazer de reunir a equipe para ajudar uma família que precisa carregar seus móveis e utensílios para um novo lar…

Nosso diferencial é o bom humor, que nos faz trabalhar um ou dois dias inteiros numa mudança sem sentir o cansaço típico de quem carrega peso durante muito tempo… Além do mais, temos um profundo respeito pelos pertences de outrem, inclusive chamando pelo nome. Compomos até uma musiquinha para chamar os móveis: No início, a equipe está com todo gás e canta em auto e bom tom: Fogão! Ta… na… na!… Balcão! Ta… na… na!… Cama box! Ta… na… na!… Mas com o passar do tempo e vendo um a um os móveis subirem no caminhão “saltando a veia do pescoço” de tanto fazermos força, o ritmo fica cada vez mais lento e o ânimo também não é mais o mesmo: G e l a d e i r a ! Ta… … … na… … … na… … … na! Porém, quando vemos descer o derradeiro dos móveis, nossos ânimos se renovam e cantamos mais forte batendo palmas: Uhú!… Fogão a lenha!… Ta… na… na!… Aêêê!!!…

O importante nisso tudo é a convivência e a amizade que brotou no momento em que nos efetivamos numa escola cujo prédio próprio acabara de ser construído e com o passar do tempo acolhemos os contratados temporários como membros da família, formando um círculo de amizade tão grande que a cada ano que passa, dificilmente muda um professor ACT, fazendo-nos sentir todos iguais… Infelizmente, nas várias escolas por onde passei, vi em muitas delas, um terrível apartheid, entre efetivos e ACTs, chegando ao cúmulo dos efetivos terem o direito exclusivo ao sofazinho confortável da sala dos professores enquanto os contratados deveriam se contentar com as cadeiras duras de madeira, sendo olhados dos pés a cabeça com ar de superioridade daqueles que compõem o corpo docente efetivo…

Mas o Wanda foge a regra fétida e selvagem do jogo de poder. Lá temos uma família que trabalha e se diverte sempre unida. Quando existe um fio de discórdia, ou intriga, logo se dissolve, pois não há mal que resista a união, e se precisar, estamos abertos às mudanças, tanto no real, como no abstrato, tanto no físico, quanto no psicológico…

www.marciogoes.com.br

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Calculadora fictícia

 Às vezes, me enoja ver e ouvir algumas barbaridades na gestão da educação pública, principalmente em nosso estado que vive um momento cheio de construções de cascas de escola, entregues praticamente vazias, apesar de agradáveis àqueles que olham de fora, pois quem observa com mais atenção, vai perceber muitos problemas estruturais nestes prédios faraônicos que revelam, unicamente, uma educação de vitrine…

Uma coisa boa, porém, foi a terceirização da merenda, principalmente para a empresa que assumiu o serviço, mas isso é assunto para um novo texto… A frase que mais ouço dos alunos é esta: “Que bom que o governo está dando merenda boa!”… De fato, é boa, uma refeição completa, fato nunca visto por outras gerações na escola pública de Santa Catarina, porém, não se trata de uma esmola do governo, tampouco uma doação generosa votada pelo legislativo e aprovada pelo “Pavão” do Executivo. Nada mais é do que nossos impostos ali aplicados na alimentação da criançada.

Encontrei alunos de ensino médio com vergonha de entrar na fila para receber a tão generosa refeição, fato que não tem razão de ser, pois seus pais também são pagadores de impostos e agora a merenda estende-se também para este nível de ensino… Uma inclusão tardia, a meu ver, pois a partir do momento em que o ensino médio tornou-se obrigatório e gratuito, já deveria ter livro didático e a tal da merenda, porém as coisas foram acontecendo a passos de tartaruga e com o glamour pavonesco da educação de vitrine, coincidentemente às vésperas de uma eleição…

Porém o “Globo de Ouro” do pavão exibicionista saiu esta semana, quando conversava com um professor de matemática e ele me mostrava uma carta nominal à ele, enviada pelo ilustríssimo secretário de educação, gabando os benefícios dispensados para a escola pública durante os últimos anos: tais como, livros e jalecos para professores, laboratórios, robótica (???) e uma sensacional, extraordinária, útil, estupenda, magnânima e revolucionária calculadora científica, tão fictícia quanto as cores do pavão e a maioria dos outros benefícios citados na carta….

Bem, meu cérebro passional pela educação não encontrou nos seus arquivos nenhum jaleco e nem sinal de outros benefícios expressos pelo cargo de confiança do pavão do bico amarelo na referida carta e o professor de matemática, meu interlocutor até hoje não viu a cor da tal calculadora científica…

“Mas era só para os efetivos!”, me dizia alguém…. P…Q…P…! Sou professor de Português, embora longe da perfeição, entendo um pouco do uso das palavras e li claramente naquela carta que a calculadora estava sendo dada a TODOS os professores de matemática da rede estadual de ensino… Para mim, todos significa “todos”, sem exceção, nem discriminação. Como nossa escola não tem professor de matemática efetivo, não sei se receberam a tal calculadora, só sei que os matemáticos do educandário onde trabalho ainda não foram apresentados a tal ferramenta que, repito, dizia na cartinha, estava sendo entregue a todos…

Além de abusarem com nossa paciência, nos obrigando a lecionar num curso técnico sem o mínimo de estrutura, ainda pintam uma realidade descaradamente mascarada pelas cores do pavão, abusando também de nossa inteligência… Até hoje, não aprendi a usar uma calculadora científica, ainda mais fictícia, aliás, muita coisa continua fictícia na educação pública, mas não devemos nos preocupar, pois o horário eleitoral gratuito vai se encarregar de fazer da ficção uma pseudo-realidade…

Márcio Roberto Goes

www.cacador.net

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Jornal Informe – O diário Regional

jornalinformediario.blogspot.com/

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